Em meados de agosto, o ministério de Direitos Sociais, Consumo e Agenda 2030 impôs uma sanção de um milhão de euros à empresa de aluguer de carros Avis por levar a cabo práticas abusivas.
Segundo denunciou o organismo presidido por Pablo Bustinduy, a companhia cobrava uma taxa dentre 33,88 e 45 euros em conceito de despesas de gestão de sanção administrativa à freguesia que tivesse sido sancionada com uma multa de tráfico no momento que tinham um de seus veículos em aluguer.
Um recarrego abusivo
"Avis fazia este recarrego por gerir o pagamento da multa e comunicar à administração a identidade da pessoa infractora, uma gestão à que está obrigada por lei, por isso Consumo o considera uma prática abusiva", aclarou o Ministério.
Não obstante, as taxas por tramitação de sanções são só a ponta do iceberg das irregularidades atribuídas a Avis. Tal e como tem contado este meio em numerosas ocasiões, as rent a car costumam dar dores de cabeça ao consumidor, e esta não é uma excepção. Para além do expediente de Consumo, a companhia acumula um reguero de queixas pelos cargos aplicados ao devolver os veículos, já que a imputación de supostos arranhões, rozaduras ou avarias prévias segue motivando multidão de reclamações.
Cobranças injustificados
A este catálogo de incidências suma-se a política de combustível, outro foco de atrito recorrente ao devolver o veículo. Muitos utentes têm denunciado cobranças desmedidos ou penalizações injustificadas quando o carro se entrega com o nível de combustível pactuado.
É o caso de C. Felipe, quem faz uns meses dispôs de um carro de substituição de Avis gerido através de sua companhia de seguros. "Ofereceram-me carro de substituição e por cercania foi com eles, essa era a empresa que tinha mais cerca de minha casa", explica a este medeio. Ao ir a recolher o veículo, a entrega tramitou-se sem explicações e sem um contrato formal, dado que em teoria o seguro tinha deixado todos os papéis prontos.
Discrepâncias com o estado do depósito
"Quando passados nos dias terminou o serviço, e sabendo como funciona isto dos carros de aluguer, abasteci e deixei o veículo exactamente com os mesmos quilómetros de autonomia com os que eles mo tinham entregado", assegura Felipe.
Entregou o carro no escritório de Almería correspondente, mas encontrou-se com as instalações fechadas e sem pessoal que pudesse verificar o estado da reserva. "Deixei o veículo estacionado e a chave no buzón", detalha. No entanto, horas depois, sobre as 20:00 h, recebeu uma cobrança de 46,48 euros em seu cartão porque "supostamente faltava-lhe um poquito à listra do combustível, quando o deixei com o nível de enchido que me indicaram".
"Falaram-me de forma ofensiva"
Uma vez realizado o cargo, o cliente contactou de imediato com a delegação de Avis. "Chamei-os ao escritório e disse-lhes que eu tinha entregado o carro com o depósito tal e como eles mo tinham dado, com os mesmos quilómetros de autonomia, e me disseram que isso era mentira. Falaram-me de forma ofensiva e faltaram-me ao respeito, dizendo-me pouco mais ou menos que era um mentiroso", denúncia.
Molesto, Felipe transladou sua reclamação por correio eletrónico à companhia, desde onde lhe asseguraram que revisariam o sucedido. A dia de hoje continua "sem receber mais resposta nem solução", enquanto suas 50 euros têm voado.
Cobranças pelo depósito cheio
Aqui e lá podem-se encontrar queixas parecidas. "Ao recolher o carro, o empregado disse-me que sair-me-ia mais barato não o encher eu mesmo, já que Avis só cobra uns 1,46 euros/litro de combustível. Com essa informação, decidi não o encher dantes de devolver o carro. O que não me explicaram claramente foi que, em realidade, cobrar-me-iam um depósito cheio, que tinha pago por adiantado", publicou faz umas semanas um cliente nas reseñas de Google.
"Em facturar final cobraram-me 80 euros de gasolina por um suposto faltante de 10 litros. Última vez que alugo com Avis", dizia outro. "Uma fraude, acabávamos de encher o depósito quando o devolvemos e nos carregaram 60 euros, sem autorização, supostamente por ter que abastecer eles um quarto de depósito. Uns sinvergüenzas", criticava um terceiro.
O pessoal revisa o veículo
Até a Organização de Consumidores e Utentes (OCU) têm chegado queixas parecidas. Por exemplo, um sócio denunciou em junho ter devolvido um carro de aluguer no Aeroporto de Edimburgo com o depósito cheio, assegurando que o próprio empregado da companhia confirmou presencialmente e de forma verbal que tudo estava correto e não teria custos adicionais.
Pese a isso, a empresa lhe carregou no cartão 153,21libras sem aviso prévio nem confirmação por correio eletrónico. Ao revisar a factura, o afectado comprovou que Avis lhe tinha refacturado conceitos que já figuravam pagos na reserva inicial.
"Devolvi-o limpo e com o mesmo nível de combustível"
Outro denunciava, mais escuetamente, a seguinte situação: "O custo a cobrar correto seria de 50,34 euros e foram-me cobrados 160,05 euros. Apanhei o carro sujo e com 1/4 de combustível. Devolvi-o limpo e com o mesmo nível de combustível".
Em definitiva, com ou sem multa milionária de por meio, o reguero de reclamações demonstra que Avis tem muito que pulir se pretende projectar a solvencia e profissionalidade que se lhe pressupõe a um gigante do sector. Leste medeio tem contactado com a empresa para perguntar por estes casos, ao que Avis responde de forma escueta: "Ao tratar de um procedimento legal em curso, não realizaremos declarações ao respeito pelo momento".
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