Quando a Enterprise cobra por danos pré-existentes no seu carro alugado
Os clientes da empresa de aluguer de automóveis estão a denunciar cobranças injustificadas por danos documentados antes da entrega dos carros.
A história repete-se, verão depois de verão, com a Enterprise. E é que as artimanhas para cobrar a mais aos seus clientes são sempre as mesmas.
Felizmente, esta repetição faz com que sejam suspeitos habituais, e cada vez mais consumidores estão cientes dos truques da Enterprise e a tomar as precauções necessárias.
Quando a Enterprise cobra por danos inexistentes
Há denúncias que são esclarecedoras. A de Lola G. na página de avaliações Truspilot é um bom exemplo disso. "Fujam desta empresa!", intitulou a sua queixa na secção da empresa Enterprise.

"Na sucursal de Castellón não te fazem nem caso quando vais reclamar um dinheiro que te cobraram sem razão por um dano inexistente", relata Lola G. E prossegue: "Dizem-te que sim, que tens razão (porque há fotos e câmaras que o podem confirmar), mas que deves ser tu a tratar com o departamento de cobranças".
No escritório lavam as mãos
“Envias e-mails e eles não respondem. Telefonas e eles ignoram-te. Vais ao escritório e dizem que não é problema deles. E de quem é o problema, senhores? Fizeram a cobrança em nome da vossa empresa…”.

Na opinião deste cliente, a Enterprise não é apenas incompetente, "são ladrões, por isso temos de apresentar inúmeras queixas contra eles e exigir indemnizações".
Uma imagem vale mais que mil palavras
A Francisca passou-lhe exactamente o mesmo no escritório de Enterprise no Aeroporto de Valencia (Manises), onde apresentou uma reclamação por tentativa de cobrança indevida. "Pela presente, desejo interpor uma queixa formal em relação com a devolução do veículo alugado na passada quinta-feira", reza a reclamação da afectada, que detalha o sucedido com luxo de detalhes.
Os factos ocorreram da seguinte maneira:
- Conduta irregular: o agente que me atendeu iniciou a inspecção afirmando, de forma infundada, que o interior do veículo "cheirava a pintura" sem ter revisto sequer o habitáculo.
- Acusação de danos preexistentes: acto seguido, o empregado dirigiu-se aos assentos traseiros e assinalou uma mancha de grande tamanho, assegurando que se tratava de pintura e que eu era a responsável por dito dano.
- Provas em minha defesa: Dada a insistência do agente policial em atribuir-me o dano, mostrei-lhe as fotografias que tirei no momento da recolha, na passada quinta-feira. Estas imagens mostram claramente que a mancha já estava presente quando o veículo me foi devolvido.
- Resolução forçada: só depois de apresentar a prova visual, o agente desistiu da sua acusação e procedeu à devolução do depósito.
Um 'modus operandi' inadmissível
A queixa de Francisca retrata um modus operandi que a Consumidor Global tem denunciado em várias ocasiões. "Considero inaceitável que me tenham tentado atribuir um dano de que o escritório deveria ter tido conhecimento, sobretudo tendo em conta a atitude sugestiva do funcionário (que mencionou o cheiro antes mesmo de ver a nódoa)."
Como é lógico, “esta situação resultou numa experiência de utilizador muito desagradável e numa completa falta de confiança no serviço. Se não tivesse provas fotográficas, teria sido cobrado indevidamente e de forma injusta. Solicito que esta reclamação seja incluída no processo do referido organismo e que sejam tomadas as medidas necessárias para garantir que nenhum outro cliente tenha de passar por um processo de reembolso tão irregular sob uma presunção de culpa infundada.”
A postura da Enterprise
Ao perguntar a Enterprise a que se devem as cobranças ou tentativas de cobrança de danos preexistentes ao aluguer dos veículos, algo que a Consumidor Global já tinha detectado e publicado anos anteriores, esta foi a resposta da companhia:
"Contamos com um exaustivo processo de investigação e revimos cuidadosamente cada caso relacionado com danos, bem como toda a documentação facilitada pelo cliente. Para nós é importante resolver qualquer situação que não resulte satisfatória, pelo que tomamos muito a sério todas as inquietudes que nos proponham os clientes e as pesquisamos de forma rigorosa".
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