Jesús Cifuentes, vocalista e compositor de Celtas Curtos, nunca enviou aquela carta nem existiu uma destinatária real, mas 20 de abril ficará para sempre como uma canção que evoca sentimentos como a nostalgia ou o passo do tempo. Agora, se um artista quisesse plasmar algo parecido, provavelmente escreveria sobre um chat de WhatsApp que nunca se voltou a abrir, uma nota de voz a meio gravar ou um fio de mensagens sem resposta.
No ano 2025, os espanhóis enviaram, pela primeira vez, mais pacotes que cartas. Assim se desprende do Relatório Anual do Sector Postal 2025 da Comissão Nacional dos Mercados e a Concorrência (CNMC).
Mais de 1.300 milhões de pacotes enviados
Mais especificamente, durante o passado ano enviaram-se 1.335 milhões de pacotes em Espanha, um 10% mais que em 2024 e um 148% mais que em 2019. Em mudança, os envios tradicionais (cartas, cartões postales, notificações administrativas, publicidade direta) desceram um 8%, até os 1.164 milhões, a metade que em 2019 e a terceira parte dos de 2015.
Quanto ao negócio, a paquetería obteve 7.325 milhões de rendimentos, um 10% mais que em 2024 (+86% com respeito a 2019), em frente aos 1.146 milhões do sector postal tradicional, um mais 3% com respeito ao ano anterior, mas um menos 17% com respeito a 2019.
As administrações públicas sustentam os envios postales
Dois em cada três envios de transportadora e paquetería foram pacotes de pouco peso (até dois kilogramos), e quase oito em cada dez envios tradicionais foram cartas ordinárias ou cartões postales. As administrações públicas realizaram o 30% do total dos envios postales tradicionais.
Neste contexto, Correios apresentou uma quota de 84% no sector postal tradicional, mas só de 16% em paquetería. Neste sentido, as companhias inscritas no registro de operadores postales passaram de 1.765 a 4.565 nos últimos dez anos impulsionados pela paquetería do comércio eletrónico.
Só o 14% dos cidadãos envia cartas
Segundo o Painel de lares da CNMC (onda do segundo semestre de 2025), só o 14% dos cidadãos enviou cartas, o 43% as recebeu de empresas ou fornecedores, e o 43% recebeu notificações administrativas.
Assim mesmo, o 38% visitou ao menos uma vez um escritório postal nos últimos seis meses, mal menos três pontos percentuais que faz dez anos, maioritariamente para enviar ou recolher pacotes. Não obstante, só o 10% recebeu pacotes não vinculados ao comércio eletrónico, e o 61,2% recebeu ao menos um envio derivado de uma compra on-line (o duplo que faz uma década). Destes, o 35% devolveu alguma compra (logística inversa) e o 16% teve alguma incidência na entrega de seu último pacote.
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