Telefónica deixa de ser obrigada a garantir o telefone fixo e a fibra na Espanha
A CNMC aprova a retirada da obrigação do "serviço universal" após três décadas: o que acontecerá com as tarifas, o abono social e a cobertura na sua zona
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A Espanha encerra uma etapa chave no setor das telecomunicações. Após quase 30 anos garantindo o acesso às comunicações em cada canto do país, a Telefónica já não estará obrigada por lei a prestar o serviço universal de telefonia fixa nem de acesso à internet.
A Comissão Nacional dos Mercados e da Concorrência (CNMC) emitiu um parecer favorável à proposta do Governo —elaborada pela Secretaria de Estado de Telecomunicações e Infraestruturas Digitais— que põe fim à designação do operador histórico para esta função. A razão principal: o mercado livre já oferece cobertura e alternativas de forma generalizada em todo o território nacional.
O que é o serviço universal e por que muda agora?
O serviço universal é a garantia legal de que todos os cidadãos, independentemente do seu local de residência, tenham acesso a serviços básicos de telecomunicações com qualidade adequada e a um preço acessível. A Telefónica assumiu esta tarefa após a liberalização do setor, primeiro oferecendo telefonia fixa e, desde 2012, ampliando a cobertura à internet fixa.
A Lei Geral de Telecomunicações contempla que se pode retirar esta obrigação a uma companhia específica quando a concorrência e a infraestrutura do mercado satisfazem de forma natural as necessidades da população. Segundo dados refletidos pela CNMC, a implantação de redes fixas de alta velocidade, a ampla cobertura móvel (5G/4G), as soluções por satélite e os programas públicos de ajuda tornaram desnecessário manter esta carga regulatória sobre um único operador.

O que você deve saber como usuário: direitos, preços e abono social
O fim da designação da Telefónica levanta dúvidas imediatas a milhares de usuários. Estes são os pontos chave que garantem a tranquilidade dos consumidores:
- O serviço universal não desaparece: continua sendo um direito legalmente garantido. Se em algum momento ou zona geográfica o mercado privado deixar de assegurar a conexão, o Estado voltará a licitar a prestação do serviço ou a impor a obrigação a uma operadora.
- Manutenção do abono social: as pessoas vulneráveis ou com rendas reduzidas não serão prejudicadas. A normativa obriga todos os operadores que prestam serviços de telefonia e internet a oferecer condições adaptadas, e a proposta do Governo garante expressamente a continuidade do abono social para os beneficiários atuais.
Prazo final: 31 de dezembro
Para concluir esta transição sem sobressaltos normativos, o organismo regulador instou a aprovar o novo Regulamento de Serviço Universal antes de 31 de dezembro, considerando-o uma peça indispensável para adequar a regulamentação atual à realidade tecnológica das redes espanholas.
Assim, a Telefónica caminha para deixar para trás uma responsabilidade que manteve durante quase três décadas, enquanto o serviço universal continuará vigente e as administrações conservarão a capacidade de intervir se o mercado deixar de garantir o acesso à telefonia fixa e à internet.
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