Apple se alia com Alibaba, dono do AliExpress, para driblar a censura da China
Para cumprir as rigorosas leis do país, a multinacional utiliza a tecnologia da gigante asiática para ativar a inteligência artificial em seus iPhones
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Para não ficar sem inteligência artificial na China —um país que representa uma parte enorme de suas vendas—, a Apple se aliou com a Alibaba.
A multinacional americana começou a testar a Apple Intelligence no país asiático com Qwen, um modelo desenvolvido pela Alibaba, a gigante chinesa proprietária do AliExpress. A colaboração responde a uma necessidade: a China impõe requisitos específicos aos serviços de inteligência artificial e a Apple precisa se apoiar em tecnologia local para poder oferecer essas funções no país.
ChatGPT é proibido na China por motivos de controle e censura
Na Espanha e no resto do mundo, quando você pede ao iPhone uma tarefa muito complexa de inteligência artificial, o telefone se conecta pela internet ao ChatGPT (criado pela empresa americana OpenAI) para resolvê-la.
No entanto, na China a situação é totalmente distinta, já que o ChatGPT é proibido. O Governo chinês não permite que seus cidadãos usem ferramentas de IA ocidentais por motivos de controle e censura sobre a informação. Além disso, as autoridades obrigam qualquer empresa estrangeira a passar por uma homologação estrita e a utilizar modelos de inteligência artificial desenvolvidos por empresas nacionais.

A integração de Qwen será voluntária
A integração de Qwen será voluntária. Os usuários deverão autorizar expressamente o envio de informação ao modelo da Alibaba para utilizar as capacidades adicionais que oferece, segundo explicou a companhia americana.
Os primeiros testes começaram neste 4 de novembro com uma versão preliminar para desenvolvedores vinculada ao iOS 27.3. O movimento chega depois que a Apple anunciou no último 31 de outubro sua entrada no mercado chinês, onde prevê um lançamento geral dessas funções em dezembro.
Problemas de bateria e aquecimento nos primeiros testes
As primeiras impressões dos usuários que puderam testar a Apple Intelligence na China apontam para um funcionamento correto de algumas de suas ferramentas básicas. Entre as funções que mais comentários positivos receberam figuram a escrita assistida e a possibilidade de eliminar objetos das fotografias.
No entanto, os primeiros testes também deixaram algumas reclamações. Alguns usuários apontaram que os dispositivos aquecem mais do que o normal, que o consumo de bateria aumenta e que ocorrem falhas ocasionais de estabilidade. Esta primeira fase não inclui a nova geração do Siri, que será atualizada em futuras versões. Além disso, o teste está restrito exclusivamente a modelos selecionados de iPhone vendidos na China, deixando de fora, por enquanto, os dispositivos iPad e Mac.
Apple estava há mais de dois anos atrasada com sua IA na China
A Apple apresentou internacionalmente o Apple Intelligence em junho de 2024, mas sua chegada à China foi adiada devido às exigências regulatórias do país. A legislação chinesa estabelece condições específicas para os serviços de inteligência artificial generativa, o que obrigou a empresa a adaptar sua estratégia e buscar parceiros locais.
A chegada representa um movimento relevante para a Apple, que mantém uma forte dependência comercial do mercado chinês apesar de seus esforços para diversificar sua produção para outros países, como a Índia, para reduzir sua exposição às tarifas americanas.
Um aumento interanual de 38%
A China continua sendo um dos principais mercados da empresa. De fato, a Apple registrou um aumento interanual de 38% em suas receitas na chamada Grande China —que inclui China continental, Hong Kong, Macau e Taiwan— durante o último trimestre fiscal de 2026.
O crescimento foi impulsionado pelas vendas de iPhone, um resultado que reforça a importância de manter sua posição no país asiático. Com a incorporação do Apple Intelligence e a colaboração com o Alibaba, a tecnológica busca ampliar o apelo de seus dispositivos em um mercado onde a inteligência artificial se tornou um elemento cada vez mais relevante para competir.
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