Uma vendedora ataca a Zeleris: “95% das minhas remessas sofreram incidentes”

Fátima González garante que é “a pior empresa de transporte com a qual trabalhou” após sofrer devoluções com mercadoria danificada e pagar penalizações injustificadas

Un repartidor de Zeleris   ZELERIS
Un repartidor de Zeleris ZELERIS

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Fátima González, depois de gerir para o seu pequeno comércio cerca de 200 pacotes com a Zeleris, levanta a voz: “É a pior empresa de transportes com que trabalhei. É uma autêntica vergonha”.

A sua queixa chega ao Consumidor Global depois de este meio ter publicado há uns dias que Zeleris, a empresa de entregas que a Telefónica vendeu, continua com as suas “entregas falhadas”. Aquela reportagem focava-se no cliente que espera em casa um pacote que não chega. Agora, focamo-nos na história de quem o envia, o vendedor que vê como a sua reputação depende de um estafeta que nunca conhece. 

“Pontos chave pelos quais ninguém deveria contratar a Zeleris”

Segundo os cálculos de Gónzalez, mais de 95% dos pacotes que tramitou com a agência sofreu alguma incidência. “É um absoluto desastre operacional que gera perdas constantes de dinheiro, tempo e clientes”, comenta.

Na sequência da sua experiência com a empresa de transporte, a comerciante enumerou os pontos chave pelos quais “ninguém deveria contratar a Zeleris”. 

Un repartidor de Zeleris   ZELERIS
Um estafeta da Zeleris ZELERIS

O primeiro ponto: as falsas incidências

O primeiro ponto recai nas falsas incidências. Segundo González, os estafetas não ligam por telefone para coordenar a entrega nem se apresentam nos domicílios. “Simplesmente registam no sistema de forma automática que o destinatário está ausente ou que recusa o pacote”, sustenta a vendedora, que atribui estas anotações a uma tentativa de justificar atrasos nas rotas de entrega. O resultado é que o vendedor fica “totalmente vendido” perante o seu cliente final, já que é quem deve dar explicações por algo que não fez.

Não é uma denúncia isolada. As reclamações públicas que clientes da Zeleris apresentaram à OCU entre 2024 e 2026 descrevem um padrão muito parecido. Uma utilizadora relata chamadas que são cortadas instantaneamente, seguidas de um SMS que informa que não foi possível entregar, e outra assegura que estava em casa em todas as datas em que lhe foi anotada ausência. Numa terceira reclamação afirma-se que não houve tentativa de contacto telefónico nem aviso físico de passagem. 

Sobretaxas de seis euros por uma terceira tentativa de entrega

A segunda queixa de González afeta diretamente o seu bolso. A vendedora assegura que lhe foram aplicadas penalizações de seis euros sob o conceito de “terceira nova tentativa de entrega”, apesar de, segundo afirma, não ter ocorrido essa nova tentativa.

“Descontam do saldo sem aviso prévio e sem que jamais se tenha tentado realizar tal entrega”, denuncia. Também sustenta que, ao reclamar, encontrou obstáculos para recuperar o valor e que, em alguns casos, a solução oferecida consistiu em devolver unicamente o custo base da etiqueta de envio, sem reintegrar a quantidade adicional. Para um comércio que trabalha com margens apertadas, seis euros podem representar uma parte relevante do lucro de uma venda. 

Pacotes esquecidos e mercadoria “arrebentada”

As incidências não terminam, segundo o relato da vendedora, quando o envio retorna ao remetente. González assegura que alguns pacotes devolvidos chegam com a mercadoria danificada, apesar de terem sido protegidos com embalagens e plástico bolha. “As poucas vezes que um pacote volta de devolução após uma incidência falha, a mercadoria chega literalmente arrebentada e destruída”, afirma.

“Não têm uma rede útil de pontos de coleta nem mecanismos reais para resolver incidências de entrega com o destinatário”, assinala González. “É uma empresa que vive de oferecer preços baratos à custa de um serviço péssimo, enganos contínuos e destruir o trabalho dos vendedores. Uma autêntica vergonha de logística que deveria deixar de operar”, conclui. 

Consumidor Global entrou em contato com a Zeleris para transmitir as acusações e pedir explicações. Até o fechamento desta reportagem, a empresa não respondeu. Este meio mantém aberta a consulta e publicará sua postura se a remeter.

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