Coté Café, o rincão da Serra Oeste de Madri onde comer vegano "sem necessidade de ser ativista"
Com uma cozinha vegana apoiada em produtores ecológicos, huerto próprio e vocação de quilómetro zero, este rincão de Zarzalejo tem conquistado a Serra
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Não é habitual que o aroma de um café de especialidad e o murmullo da carteira de valores cruzem seus caminhos, nem sequer no terreno sintáctico. No entanto, em Zarzalejo, um pequeno povo da Serra Oeste de Madri, sucede. É um estabelecimento com alma que conta com um Solete Repsol ao que recentemente tem somado um Prêmio LITO, um galardão que a Comunidade outorga aos estabelecimentos destacados pela excelência no trato ao cliente.
Tal e como explica a Guia Repsol, em Coté Café há "um terraço interior com umas vistas flipantes da serra, com Madri ao fundo, e um salão muito coqueto". "Sua oferta de comer varia a cada semana segundo a temporada e a inspiração", detalham. Essa palavra, inspiração, está neste caso bem longe de ser um cliché.
Um encontro num café de especialidad
Faz já duas décadas, Julio César Villalba, nascido em Bogotá, chegou a Madri e abriu na capital alguma loja de Juan Valdez, a marca mais emblemática de café 100% colombiano, criada pela Federação Nacional de Cafeteros de Colômbia. Anos depois, depois de mudar-se a França, uma viagem de regresso à capital espanhola levou-o a conhecer, precisamente num café de especialidad, a quem converter-se-ia em sua sócia e casal.

"Ela vivia em Canadá e minha ideia era regressar a França, mas decidimos empreender um projecto juntos", conta Villalba a Consumidor Global. Ela era vegetariana e a ele lhe apasiona o café, de modo que tentaram maridar ambas inquietudes. A localização escolhida para o negócio resultante foi a zona de Moncloa, concretamente na rua Fernández dos Rios. Ali estiveram seis meses.
"Nossa ideia sempre foi vir à serra"
"Mas nossa ideia sempre foi vir à serra de Madri", afirma. De casualidade, conheceram a um casal que lhes falou de um povo, Zarzalejo, onde existia uma verdadeira "cultura alternativa, de huertos, de sustentabilidade". Aquilo lhes chamou a atenção. Assim, faz já oito anos e meio, foram a ver o local, "o povo gostámos e empreendemos, de um pouco sem saber que percurso teria", recorda Villalba, sem que sua voz possa ocultar um timbre de nostalgia.
Apesar de que o tempo separou seus caminhos pessoais e profissionais, Coté segue adiante. Ele valorizou a ideia de um traspasso, mas a eliminou: "Ao final, isto é um negócio muito pessoal, e é difícil traspassar o amor pelo que um faz em seu dia a dia. Vivemos num mundo muito superficial, também a nível alimentar, e acho que a cada vez é mais difícil encontrar honestidade. Esse é, para mim, o valor maior que pode ter em Coté".

Um produto ao alça
Quanto ao nome, tanto a Villalba como a seu expareja gostam muito da língua francesa. Coté, revela, prove/provem de uma expressão que se utiliza na carteira e reflete que há um produto ao alça, cotado, bem valorizado. O seu o é.
"Após todos estes anos, temos gerado uma freguesia fixa. Temos alguns clientes do povo, mas não são a maioria, ainda que soe um pouco contraditório", desvela Villalba. Em parte, isto se deve a sua decidida aposta por se afastar do comercial: em Coté Café não manejam marcas como Coca-Bicha, e em sua carta manda o café de especialidad, escoltado pelos vinhos naturais e as cervejas artesanais. Ademais, o produto nacional tem um predominio absoluto.
Equilíbrio de preços
Este compromisso com a qualidade e a proximidade sempre encarece a proposta. "A maioria de nossos clientes são do Escorial, pela cercania e também pelo poder adquisitivo: a gente tem a ideia de que por estar num povo da serra deve ser um lugar barato, e não é assim. Como negócio, procuramos um equilíbrio entre nossa sustentabilidade económica e o bolso do cliente", argumenta o dono de Coté.
Assim, um capuccino com bebida vegetal, preparado com cacau e canela, custa em Coté Café 3,50 euros; enquanto um espresso sai por 2,20 euros. "Acho que durante todos estes anos temos gerado uma atmosfera cafetera muito boa" considera Villalba.
Um huerto próprio
Toda sua cozinha é vegana, com algum plato vegetariano. "Temos produtores ecológicos, sem gluten… E desde este ano temos incorporado tomates, pepinos e calabacines de nosso próprio huerto", indica. A ideia é somar mais quilómetro zero e sustentabilidade conforme passem nos anos.

"Somos veganos, mas não há um activismo detrás, só uma ideia de alimentação honesta. Nossa esencia é demonstrar que um se pode alimentar de outra forma sem necessidade de ser ativista", declara.
Sozinha sexta-feira, sábados e domingos
Quanto às rotinas, no dia a dia de Villalba decorre entre os passeios pelo campo com sua cadela, a dedicação a sua huerto, o tueste do café e os quehaceres em Coté. "Sou autónomo, de modo que isso já é bastante. Por isso abrimos sozinha sexta-feira, sábados e domingos".
Aposta-a pelo café dobrou-se: desde faz dois anos Villalba tuesta o seu. "Compro o café verde a produtores de Colômbia, e desde Valencia também mo trazem de Brasil e de Kenia. Quando chega, tuesto meu próprio café nas terças-feiras a porta fechada. Vendo-o com um packaging com uma esencia literária, porque venho do mundo das letras. A ideia é acercar o mundo do bom café a quem ainda não o conhecem", expõe.
Opiniões em Google
As mais de 500 reseñas de Google refletem que Coté Café é um lugar que gosta muito, conquanto há quem mencionam que as raciones são mais pequenas do que caberia esperar e que o preço passa um pouco. "Encanta-me o falafel, as croquetas shitake e o café de especialidad, além do espaço que é como o salão de tua casa, muito entrañable e acolhedor", valorizava recentemente uma cliente.
"Em verão sentes um frescor sem artificialidad, e em inverno o calor da estufa abriga amavelmente. Um lugar médio íntimo onde desayunar tostadas com extraordinário café, ou onde comer e cenar exquisiteces muito cuidadas e preparadas com todo o cariño. Não há muitos lugares como este", aplaudia outra.
"O sonho de todo o que quer comer são"
"Um restaurante que é o sonho de todo o que quer comer são, caseiro e num ambiente acolhedor e súper agradável", arrematava um terceiro.
Pode que Zarzalejo não cote nos grandes mercados, mas neste canto da serra, o projecto de Villalba acrecienta seu valor.
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