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Damián, dono do restaurante Trébol de Menorca: "Conservamos clientes dos anos sessenta"

Entrevistamos ao proprietário desta icónica casa de comidas do porto de Cales Fonts (É Castell, Menorca) que leva mais de meio século deleitando aos comensales com o melhor pescado da ilha

Teo Camino

$Redaccion$$ 26$ (16)

Em 1969, Menorca mal recebia 40.000 visitantes anuais. Nada que ver com os 1,8 milhões que frequentam a ilha na actualidade. Nesse mesmo ano, inaugurou-se o Aeroporto de Menorca (Mahón), substituindo ao antigo aeródromo de Sant Lluís, e abriu o restaurante Trébol, que adaptou o interior de uma gruta de Cales Fonts (É Castell), plantou umas mesas no berço deste precioso porto pesqueiro e começou a servir os melhores pescados da ilha.

Agora que de todo isso faz já mais de meio século, falamos com Damián Olives, o atual proprietário desta casa de comidas à que um sempre volta, verão depois de verão, em procura da felicidade.

--Tudo começou em 1969 com Nito e Marietta, seus pais.

--Minhas primeiras lembranças são correndo por Cales Fonts, comendo gelados sem parar. Era o menino que não parava quieto por aí abaixo. Eu gostava de estar com meus pais e comer imperador (peixe espada), mas com os anos começaram a contratar canguros porque estavam todo o dia no restaurante.

--Sua mãe, Marietta, ainda se deixa ver pelo restaurante.

--Baixa, sobretudo, à hora de comer. E segue fazendo seu famoso brownie!

--O Trébol é famoso pelo brownie, mas, sobretudo, pelo pescado, o lugar e a amabilidad de seus trabalhadores, por sua forma de cuidar ao comensal e pelo carisma de Camacho.

--José Camacho é o alma do restaurante e parte de minha família trabalhista. Leva toda a vida. Temos crescido juntos. É uma máquina. Sempre tem sido o motor e o coração do restaurante, e fico curto…

Damián Olives e José Camacho, o alma do Trébol / CEDIDA

--Surpreende ver aos mesmos trabalhadores década depois de década.

--Cuidamos-nos os uns aos outros. Levamos muitos anos juntos. De vez em quando, aparece algum jovem e o somámos ao grupo.

--"Visitei É Castell pela primeira vez e recomendaram-me o Trébol", tem escrito uma utente recentemente em TripAdvisor.

--Que nos recomendem é o melhor halago que possa ter. Às vezes, é complicado saber administrar o sucesso e contentar a todo mundo porque, ao final, somos bastante singelos: não usamos molhos, não enmascaramos o produto. Às vezes, criámos expectativas muito altas, e somos simples: temos pescado fresco do dia.

--Nos últimos anos, todo tem subido de preço. Vossas famosas gambas, corvinas e rodaballos também se têm encarecido?

--Teve-se que ajustar o preço e é complicado, mas sempre tentamos dar a quantidade e a qualidade a um preço razoável. A qualidade sempre é máxima, e a quantidade, às vezes, se tem que ajustar. Trata-se de encontrar o equilíbrio.

Um plato de gambas e um par de copas de vinho no restaurante Trébol / TRIPADVISOR

--E assim se ganharam um oco entre os melhores restaurantes de Menorca.

--Dantes de Camacho estava Vicente Costa. Meu pai morreu em 91 e foi um momento de dúvida no que, graças a Vicente e a Camacho, saímos adiante. E fizeram-no sem muitas pretensões, fazendo sempre o mesmo, com a mesma gente, com o mesmo serviço e a qualidade que nos caracteriza. Temos sido muito constantes em isso, que é algo difícil de ver hoje em dia.

--Seguro que têm clientes tão fiéis que vão a cenar ao Trébol desde seus inícios.

--Há gente que vem desde faz 30, 40 e 50 anos. Lamentavelmente, alguns vão caindo, mas temos uma freguesia de toda a vida que é uma passada. Demonstram uma fidelidade inquebrantável a Menorca e a nós. Temos clientes britânicos dos anos sessenta e é bonito, porque alguns, inclusive, te convidam aos ir visitar a suas terras. Há muito cariño. Para eles é voltar a seu lugar de refúgio e para nós é ver crescer a suas famílias. Ao princípio eram só um casal, depois chegaram os filhos, e agora essas mesas de duas e de quatro se converteram em mesas de oito.

--Entre vossa freguesia também há várias personagens ilustres…

--Há muitos. Costumam vir a cada verão Iñaki Gabilondo, Àngels Barceló, o crítico gastronómico Borja Benyto, conhecido como 'Matoses', entre muitos outros.

--Com quantos dias aconselha reservar mesa em temporada alta?

--Pois olha, agora tenho um amigo que me estava a apertar para uma mesa... E esta semana é impossível. Em agosto seria aconselhável reservar com um par de semanas de antelación, se é uma mesa grande. Se é para um casal com certa flexibilidade, pode ser que encontre mesa na mesma semana.

--São mais de cinquenta anos de histórias… Conte-me alguma.

--Há tantas… A verdade é que sempre temos tido muito bom ambiente. Nas festas de É Castell, que são no final de julho, fechamos e nos juntamos em casa de Camacho para nos colar uma boa festa dantes de começar o agosto. É um pequeno parón dantes de arrancar o mês mais forte do ano, que passa voando.

--Como dizia, a constancia se está a perder e a cada vez ficam menos restaurantes de toda a vida em Menorca… Qual gostaria de recomendar?

--Fazendo um guiño familiar: Cap Roig (Cala Sa Mesquida). Climent e Tòfol, seu irmão, têm um mérito impressionante, porque Cap Roig é um barco enorme e a verdade é que sempre tenho admirado sua dedicação e bom fazer. E também a família de Café Balear (Ciutadella). Está toda a família aí metida e o souberam levar de uma maneira muito adequada. Tiro-me o chapéu com eles.

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