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Javier Aranceta (SENC): "Nutriscore criou-o uma grande multinacional para blanquear seus produtos"

A Sociedade Espanhola de Nutrição Comunitária (SENC) põe o ênfase nos alimentos de temporada, convida a consumir ovos sem medo e alerta sobre os bebidas vegetais

Juan Manuel Del Olmo

Javier Aranceta, presidente de la Sociedad Española de Nutrición Comunitaria

A mistura de influencers gastronómicos e nutricionistas charlatanes, tendências globais de consumo e uma inflação lacerante, que tem disparado o preço da alimentação um 40% desde 2021, compõe um cocktail que pode resultar indigesto para multidão de consumidores. Assim, à hora de fazer a compra no supermercado, a improvisación e a desorientación podem se fazer donas da situação, o que conduz a tomar piores decisões de compra, comer mau e, à longa, comprometer a saúde.

Para orientar neste mar picado, a Sociedade Espanhola de Nutrição Comunitária (SENC) tem apresentado a última edição das Guias Alimentares para a população espanhola.

Alimentação consciente

Esta edição está centrada na alimentação consciente e tem um enfoque integral One Health (Uma saúde), que vincula directamente as eleições alimentares com a sustentabilidade do planeta.

Um carrito de compra-a / FREEPIK

O doutor Javier Aranceta, Doutor em Medicina, Doutor em Nutrição e presidente da SENC, tem afirmado que "não há alimentos bons e maus, tudo depende da quantidade e da cada quanto se consumam". Por sua vez, a doutora Carmen Pérez-Rodrigo, ex presidenta e Membro da Junta Diretiva da SENC, tem reivindicado que a alimentação deve ter uma parte de goze: "Defendemos uma alimentação saudável mas também de desfrute na que todos os alimentos e bebidas tenham seu lugar oportuno e em sua justa medida".

Os espanhóis consomem menos azeite de oliva, legumes e cereais

Certos dados da apresentação resultam especialmente llamativos. Por exemplo, a evolução do consumo per capita (2000-2023) reflete que o azeite de oliva, os legumes e os cereais têm sofrido uma queda aproximada de 20%.

Mais acusado é o descenso do consumo de pescados e mariscos (26%), enquanto as carnes brancas sobem um 12%%. Entre as principais novidades, as guias dão luz verde ao consumo de ovos (até 6-7 ovos por semana em pessoas ativas) e aclaram que as bebidas de soja, avena, arroz ou almendras não são substitutos nutricionais diretos do leite, a não ser que estejam fortificadas com, no mínimo, calcio e vitamina D. Falamos destes e outros assuntos com o Doutor Aranceta.

Uma pessoa frita ovos / FREEPIK

A cultura culinaria e a importância de compra-a

--Têm falado da importância da cultura culinaria, de saber comprar e cozinhar. Assim mesmo, têm deslizado que, quando falamos de sustentabilidade, ao consumidor lhe custa recusar determinados produtos. Falta também predisposición à rejeição de determinadas opções?

--Sim, precisas conhecer todas as variáveis, isto é, estar alfabetizado. Vais ao supermercado e é possível que vejas uma coisa embalada em plástico e outra com packaging reciclable, mas quiçá não vás comprar a granel , que além de ser mais económico, te permite ir inclusive com tua própria carteira. Esse é um exemplo, mas há muitos mais. Os supermercados, inclusive os pequenos, são uma armadilha para quem não se sabe manejar.

--Em que sentido?

--Tudo está posto inteligentemente: à distância dos olhos, põem-te o que querem que compres. As carroças são grandes para que tenhas a intuición dos encher. Ademais, os supermercados mudam as coisas de lugar. Quanto mais andas pelos corredores, mais compras. Está todo pensado para vender mais, não para que tu compres melhor. Por isso, tens que ter as habilidades intelectuais para seleccionar que queres comprar. Uma das coisas que nós recomendamos é ir com uma lista, que depois podes modificar um pouco, mas já partes de uma guia.

Um corredor de um supermercado de Madri / EUROPA PRESS - RICARDO LOIRO

--Essas habilidades intelectuais, à hora de comprar, podem terminar sendo mais importantes que o orçamento?

--Eu dizê-lo-ia taxativamente. Se tu sabes como comprar, te manejas com pouco orçamento. Há cocineros que têm feito programas sobre isto. Mas há que saber, ir aprendendo e ter interesse. Às vezes pode-se dizer que uma pessoa não compra bem porque não tem dinheiro. Bom, também teria que ver se é sua prioridade ou se dedica mais orçamento a determinadas coisas. A educação tem que ser o ponto central para ter saúde.

--Que opina do etiquetado Nutriscore?

--Todos os etiquetados que tenham escalas internas geram armadilhas. Nutriscore criou-o uma grande multinacional para blanquear seus produtos. Acho que está bem ter um código de cores, como têm os nórdicos: em vez de tanto rollo, eleges, por exemplo, verde, vermelho ou negro. Isso te orienta sem te voltar louco.

Um produto com etiquetado Nutriscore / UNSPLASH

--No referente ao pescado, quais são as recomendações de consumo de conservas, partindo da preocupação pela presença de mercurio?

--O ideal é que se consuma pescado de pequeno tamanho. Agora a recomendação seriam anchoas, verdel, sardinas… Todos estes têm pouco mercurio porque são jovens. O bonito, se é tomatero, isto é, de pequeno tamanho, tem pouco mercurio. Quanto a bata-las, há batas ao ar e batas pré protegidas. As segundas não têm transferência de soldas. Ademais, há certas marcas que fazem a traçabilidade sobre o conteúdo de mercurio. O ideal seria comprar essas.

--Até que ponto é preocupante a atual febre proteica? Os lineares enchem-se de reclamos '+ proteína' para um consumidor focado no rendimento físico.

--A proteína tem o inconveniente de que sobrecarga o riñón. Quem toma Ozempic ou quem é culturista sim precisará mais, mas os demais não. Ademais, o que mais proteína tem é a pechuga de frango, te fixa se é barato.

Porções de frango / UNSPLASH

--Tem mencionado que o AOVE é quase um medicamento.

--O é. Há muitas categorias, mas o melhor é o azeite de oliva virgen extra de pressão em frio de última colheita. Tem muitíssimos antioxidantes e um total de 100 componentes de interesse para a saúde: alguns antiinflamatorios, outros antitumorales… É um produto buenísimo. Ademais, quando o azeite barato ou os azeites de semente se decompõem por calor se forma acroleína, que é uma substância negativa. O AOVE tem um ponto de fumaça muito alta, pode aguentar mais o impacto do calor.