Uns avôs alugam sua casa em Wallapop e encontram-na destroçada depois de "uma broma para Youtube"
O neto do casal assegura que os últimos hóspedes deixaram muebles na piscina, portas desencajadas, louça rompida e comida estampada contra as paredes
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Durante mais de cinco décadas, as paredes do chalet de um casal de 74 e 76 anos têm custodiado a intimidem de uma família. Nunca dantes o tinham alugado. Jamais tinha sido um andar turístico. No entanto, a chegada de seus casamentos de ouro acendeu a ilusão de celebrar cinquenta anos de vida em comum com a primeira viagem ao estrangeiro de suas vidas.
Para sufragar parte das despesas, decidiram alugar a moradia durante sua ausência. A casa, situada em Palamós (Girona), anunciou-se, segundo explica a este meio o neto do casal, Carlos Porro, em Wallapop, em lugar de recorrer a uma plataforma especializada em alugueres de férias. Fixaram um preço relativamente baixo porque seu objectivo era, sobretudo, manter a moradia ocupada durante boa parte do verão.
Uma reserva que acordou receios
Julio decorreu sem sobresaltos. Carlos encarregava-se de entregar as chaves e de coordenar a limpeza a cada vez que os hóspedes abandonavam a casa. Calcula que, durante esse primeiro período, a moradia esteve alugada uns 25 dias sem que se produzisse nenhum incidente relevante. O problema chegou com uma nova reserva em agosto. Desta vez, os hóspedes eram vários jovens dentre 19 e 23 anos.
"A mim não me fazia graça alugar a meninos tão jovens porque é a casa de meus avôs", conta Carlos a este meio. No entanto, a insistencia e o envolvimento de quem apresentou-se como o pai de uma das garotas terminaram por vencer suas reticencias.
Dantes do aluguer, a família tinha retirado ou guardado numa habitação fechada boa parte dos efeitos pessoais dos avôs. Na moradia, no entanto, permaneciam os muebles, os enseres domésticos e numerosos objetos acumulados durante anos.

O destroço da casa dos avôs
Na segunda-feira 31 de agosto, depois de finalizar o contrato de quinze dias, a equipa de limpeza profissional acedeu ao inmueble. "Disseram-me que estava muito desordenada, mas literalmente estava destruída", assinala o neto.
Tinha muebles onde nunca deveriam ter estado. A mesa do pátio, as cadeiras e a barbacoa familiar estavam no fundo da piscina. As portas estavam desencajadas a golpes. Tinha ovos e restos de comida espalhados por diferentes estadias, uma televisão rompida e a louça antiga da avó jazia reduzida a añicos sobre o solo. Assim descreve Carlos Porro o estado no que encontrou a casa de seus avôs.
"Minha avó não podia respirar"
A família tinha solicitado uma fiança de mal 200 euros. "Duzentos euros não valiam nem a louça", lamenta Carlos. "Dá-nos igual que nos paguem os muebles porque nossos muebles já não vão ser os mesmos".
Seus avôs ainda estavam a viajar quando se inteiraram do que tinha ocorrido. "Minha avó não podia respirar. Não queriam seguir viajando", recorda. Era a viagem com o que tinham decidido celebrar 50 anos juntos. O primeiro fora de Espanha, segundo seu neto. "Arruinaram-lhes seus casamentos de ouro", afirma.

Vandalismo como "uma broma para YouTube"
Quem disse ser o pai das garotas era em realidade @Mowlihawk, um criador de conteúdo que costuma recorrer ao morbo e a provocação em redes sociais. Em lugar de desculpar-se, o utente começou a chamar por telefone à idosa e a seu neto para troçar-se. Assegurou com burla que tudo se tratava de "uma broma para YouTube" e prometeu que pagaria todos os destrozos. Enquanto, lançava insultos obscenos na rede social X quando a família tentou denunciar publicamente a agressão.
As suspeitas da família apontam a que o criador de conteúdo —cuja especialidad em redes gravita sobre as bromas pesadas e a provocação— nem sequer era o pai das jovens, sina um familiar próximo ou colaborador que orquestrou a mediação para facilitar o acesso ao inmueble.
Consumidor Global tem contactado com o aludido, mas não tem obtido resposta até o momento.
A regulação do aluguer turístico
Quando uma moradia se aluga fora dos canais especializados, a poupança em intermediários ou comissões pode ir acompanhado de menos mecanismos de verificação, garantias, seguros ou procedimentos específicos para gerir defeitos.
Em Cataluña, ademais, o aluguer turístico não depende da plataforma utilizada para anunciar a casa. A Generalitat define como moradia de uso turístico aquela que o proprietário cede integralmente a terceiros, a mudança de uma contraprestación económica, para períodos continuados de 31 dias ou menos. Estas moradias devem estar devidamente habilitadas pela prefeitura correspondente.
A Generalitat assinala assim mesmo que o proprietário deve comunicar o uso turístico ao consistorio e que sua viabilidade depende também da regulação urbanística do município. Em Palamós, o próprio plano estratégico municipal contempla entre seus objectivos limitar as moradias de uso turístico por seu impacto sobre a disponibilidade de primeiras residências.
Sem licença turística
Carlos admite que seus avôs não conheciam com precisão estas obrigações quando decidiram alugar sua casa. Conta que foram posteriormente à polícia para perguntar que podiam fazer ante os destrozos.
Mas, ao ter posto o anúncio numa plataforma não regulada e carecer de licença turística, iniciar acções legais formais contra os autores do estropicio ameaçava com derivar em severas sanções administrativas contra eles.
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