Loading...

A moda de alugar salões de casas por horas: 1.200 euros por reserva e o dono dentro de casa

Depois do sucesso das piscinas, os proprietários de moradias de luxo abrem suas portas a desconhecidos para rentabilizar suas casas enquanto eles seguem vivendo dentro

Ana Carrasco González

El salón de un chalé PEXELS

Depois do boom do aluguer de piscinas privadas, agora chega uma nova tendência que ganha força em Espanha: o aluguer por horas de salões, terraços e jardins de casas habitadas, com preços que podem atingir os 150 euros a hora e reservas que superam os 1.200 euros.

Tal e como tem contado ABC, plataformas como Cocopool estão a transformar moradias particulares em palcos para aniversários, reuniões familiares, encontros de empresa ou inclusive sessões improvisadas de coworking. Todo isso, sem que os proprietários abandonem a moradia.

Terraços, salões e jardins

Desde coberturas privadas de 70 metros quadrados a dez minutos de Atocha, até jardins infinitos em Valdemorillo ou casas de alto nível em urbanizações madrilenas como O Bosque, em Villaviciosa de Odón.

Um salão de uma casa / BING

Os utentes podem alugar estes espaços por uma, dois, três ou quatro horas, com preços que partem de 20 euros a hora e que sobem até 100 ou 150 euros em função do número de assistentes. Música, altavoces, tumbonas, balcão, barbacoa e inclusive piscina fazem parte do atractivo.

"Não gosto de receber gente estranha em minha casa, mas é dinheiro"

Elsa, uma das anfitriãs, reconhece a ABC que a experiência não é do todo cómoda. "Não gosto de receber gente estranha em minha casa, me assusta sentir que vêm desconhecidos", confessa. No entanto, a necessidade económica pesou mais. Sua primeira reserva deixou-lhe 150 euros por três horas.

Vive em Galapagar e aluga seu jardim, salão e sótano. Isso sim, impõe limites claros: nada de álcool, nada de festas de jovens e sozinho encontros familiares. "Uma garota pediu-me alugar a casa para concertos de jazz. Pareceu-me uma loucura", explica.

Um negócio em expansão e a cada vez menos estacional

O aluguer de espaços interiores chegou a Cocopool no final deste verão como uma evolução natural do negócio das piscinas privadas. O objectivo: desestacionalizar a demanda e permitir que proprietários com moradias grandes rentabilicen zonas infrautilizadas durante todo o ano.

Actualmente, a plataforma conta com mais de 300 jardins e terraços e 65 espaços interiores. E a cifra não deixa de crescer.

Aniversário, "baby showers" e eventos de empresa

Segundo dados da companhia, o 70% das reservas são festas de aniversários, seguidas de jantares entre amigos, reuniões familiares, baby showers e pequenas celebrações corporativas ou actividades de team building. Os utentes costumam ter entre 25 e 45 anos, vivem em meios urbanos e procuram alternativas mais íntimas e originais que os locais tradicionais.

Uma piñata num jardim / PEXELS

Os anfitriões, por sua vez, são maioritariamente particulares dentre 30 e 55 anos, com terraços dentre 30 e 80 metros quadrados ou salões de até 80 metros, muitas vezes com acesso a cozinha.

A média de rendimentos acumulados por anfitrião pode superar os 25.000 euros

Ainda que a média de rendimentos acumulados por anfitrião ronda os 3.000 euros, desde a plataforma asseguram que muitos superam os 15.000 euros e alguns inclusive os 25.000 euros. Em 2024, a média por reserva situa-se em 420 euros, ainda que há espaços que triplican essa cifra.

Esta febre não surge do nada. Plataformas como Swimmy, líder em aluguer de piscinas privadas, já tinham demonstrado o potencial do modelo. Entre 2023 e 2024, o número de piscinas disponíveis cresceu um 20%, enquanto os utentes aumentaram um 37%, segundo dados recolhidos também por ABC.