Gerard Xalabaré, CEO de Cocopool: "Somos como o Airbnb das piscinas"
Consumidor Global entrevista ao cofundador da plataforma dedicada ao aluguer por horas de piscinas, jardins, terraços ou espaços interiores de moradias habitadas
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Alugar por umas horas o salão de uma cobertura em pleno centro de Madri ou o jardim com piscina de uma herdade às afueras de Barcelona já não é uma excentricidade. Plataformas como Cocopool estão a mudar a maneira de organizar encontros com familiares e amigos, convertendo moradias reais em palcos únicos para desfrutar de momentos especiais longe dos locais de sempre.
Numa entrevista em exclusiva com Consumidor Global, Gerard Xalabaré, CEO e cofundador de Cocopool, explica como estes espaços se usam para aniversários, gender reveals, baby showers, barbacoas entre amigos ou inclusive reuniões de empresa e team buildings. Três anos após pôr em marcha a plataforma, o empreendedor desgrana como surgiu a ideia e por que este modelo está a ganhar terreno em Espanha.
--Como surge Cocopool?
--Nasce a raiz de uma experiência pessoal. Vivia com minha família numa casa fantástica com piscina. Desafortunadamente tivemos que a vender e me mudei a um andar. Comecei a ter saudades aquele espaço com piscina, onde sempre costumávamos celebrar aniversário ou eventos especiais com meus amigos e família.
--E quando lançou a plataforma?
--Em 2022. Cocopool começou sendo um site de aluguer de piscinas privadas. Ligamos ao proprietário da piscina que a quer rentabilizar quando não a utiliza. Como? Alugando a outras famílias, grupos e empresas para passar um momento.
--É uma plataforma muito nova e já conta com outras áreas de negócio. A resposta do público tem sido melhor do que esperava?
--Exactamente. Cocopool nasce como uma plataforma de aluguer de piscinas mas outros proprietários também tinham zonas de jardim, chill out, azoteas e espaços interiores anexos à casa. São eles mesmos os que começam a pôr em aluguer estes espaços. De maneira orgânica, demos-nos conta que o utente está a pedir poder rentabilizar outros espaços para diferentes momentos do ano e gerar estas experiências de celebração únicas e inolvidables.
--Que garantias de segurança oferece ao alugado e anfitrião?
--Cocopool actua como o Airbnb das piscinas. Ao proprietário, contribui-lhe muita segurança porque os utentes que se registam em Cocopool têm que aceitar uns termos e condições, que já regulam grande parte do aluguer. Ademais, compartilhamos os contratos, especialmente desenhados para o aluguer de piscina, jardim, terraço ou espaço interior. O anfitrião fica coberto e eximido de responsabilidade ante qualquer coisa que possa ocorrer num aluguer. Assim, ao proprietário sempre lhe interessa utilizar o mecanismo que oferece Cocopool e nos utilizar como intermediário.
--Têm mais sucesso as piscinas e terraços em verão ou os salões privados em inverno?
--Pela própria actividade da plataforma, desde 2022 estamos focados às piscinas, com o que actualmente o volume de negócio principal está aí. Os espaços indoors têm nascido em 2025, é uma vertical nova e prometedora.
--Triunfam mais as moradias com piscina às afueras ou os andares mais centrais de Madri ou Barcelona?
--Funcionam ambos. O valor principal dos andares que estão centrais é a proximidade, isto é, que todos os convidados possam ir no ponto de encontro e fazer a celebração. Os espaços que estão nas afueras, normalmente são maiores, mais exclusivos.
--Quanto se paga a hora por alugar uma parte de nossa casa?
--Depende, desde 20 até 200 euros a hora.
--É uma forquilha bastante ampla, que determina o preço?
--A cada anfitrião é responsável de pôr o preço por hora que lhe interesse. Também varia em função do número de pessoas. Os pacotes vão de cinco em cinco. Podem pôr um preço à hora dentre uma e cinco pessoas, dentre seis e dez, dentre 11 e 15 e assim de maneira sucessiva. Quantas mais pessoas sejam, mais pode cobrar por hora.
--O anfitrião não pode estar em casa enquanto os alugados desfrutam do espaço, não?
--O anfitrião tem que garantir a privacidade dos que alugam. No caso das piscinas, em muitas ocasiões os proprietários estão dentro da moradia teletrabajando, vendo um filme, dormindo ou o que seja. No caso dos salões interiores, depende de se é um anexo à moradia ou um salão habitual. No primeiro caso, funciona igual que a piscina. No segundo, os proprietários acostumam a estar fora da casa.
--Que pensou seu meio quando decidiu lançar Cocopool? Viam-no como uma grande ideia ou como uma loucura?
--A ideia de Cocopool faz 15 anos não tivesse tido nenhum tipo de sentido. Faz 15 anos nascia Airbnb. Faz 10 anos, fazia-o o conceito de compartilhar carro ou moto e faz cinco anos nascia o conceito de aluguer de espaços por horas, de modo que estamos no momento perfeito para crescer.
--Compartilhar está de moda…
--A propriedade como tal está totalmente inaccesible. A gente que sim a tem está disposta a encontrar maneiras de rentabilizarla. Ademais, a mentalidade da sociedade está a mudar. Quando Cocopool estava a arrancar e tratava de explicar o conceito, tinha pessoas reacias e me encontrei muitos noes. No entanto, tenho notado um incremento de aceitação nos últimos anos, também graças aos primeiros utentes que se foram atrevendo e acabam sendo os depoimentos perfeitos. Podes ter realmente um rendimento notável para ir-te de férias, reformar o jardim ou pagar hipoteca-a. Cocopool tem sido a experiência mais frustrante e enriquecedora ao mesmo tempo mas tem valido muito a pena. Temos centenas de anfitriões e manejamos milhares de reservas ao ano.


