Os hotéis de Málaga rebajan seu preço até um 50% para encher as camas vazias em Semana Santa

O caos ferroviário provocado pelo corte da AVE direto com Madri tem forçado aos estabelecimentos da Costa do Sol a lançar ofertas agressivas de última hora ante uma queda de reservas que já roza o 30% na capital

Hoteles en la Costa del Sol (Málaga)   AEHCOS
Hoteles en la Costa del Sol (Málaga) AEHCOS

Ouve o artigo agora…

0:00
0:00

NA Semana Santa em Málaga, tradicionalmente um dos períodos de maior ocupação do ano, se enfrenta a habitações disponíveis e preços em queda livre. O que deveria ser um cartaz de "completo" se converteu numa carreira contrarreloj dos hoteleiros para salvar a temporada, com rebajas que em alguns estabelecimentos e plataformas de reserva já atingem o 50% para tentar captar ao turista de última hora.

Esta anomalía turística deve-se falta-a de conexão direta de alta velocidade entre Málaga e Madri. O atraso nas obras de Adif depois do derrube de um talud em Álora tem deixado à capital da Costa do Sol sem AVE direto ao menos até finais de abril, convertendo o trajecto numa "odisea" a mais de quatro horas e meia com transbordos em autocarro.

Rebajas de centos de euros para atrair hóspedes

A resposta do sector para frear a queda de reservas, tem sido aplicar descontos significativos. Segundo tem podido comprovar Consumidor Global em portais de reserva, como Booking, estabelecimentos emblemáticos como o Cristine Bedfor Málaga têm ajustado suas tarifas de forma notável, passando de preços superiores aos 1.000 euros por duas noites a rondar os 760 euros.

Precios rebajados de hoteles de Málaga en Booking CONSUMIDOR GLOBAL
Preços rebajados de hotéis de Málaga em Booking / CONSUMIDOR GLOBAL

Por outro lado, o Hotel Málaga Nostrum tem habitações disponíveis que baixam de 368 euros aos 276 euros por duas noites, se situando em cifras muito competitivas para estas datas. Inclusive o luxuoso Serenity Luxury Private Residence (Porto Banús, Marbella) tem aplicado um desconto notável, reduzindo sua estadia de 914 a 758 euros por duas noites.

Um impacto do 26 % nas reservas da província

A patronal hoteleira Aehcos tem feito saltar os alarmes ao quantificar em 26% o descenso das reservas até finais de abril. A situação é especialmente crítica em Málaga capital, onde o impacto supera já o 30% de queda, enquanto no interior da província as cifras de ocupação têm retrocedido um 25%.

"É um autêntico jarro de água fria", lamenta Juan Cubo, presidente da Associação de Moradias e Apartamentos Turísticos (AVVAPro). "O 60% de nossos visitantes nestas datas são nacionais e dependem do comboio. Tememos que muitos optem por outros destinos melhor conectados".