Julià López-Areias, diretor de Water World: "Os parques acuáticos podem avançar para modelos mais sustentáveis"
O diretor de Water World e Aquadiver analisa como têm mudado os visitantes, os reptos da sustentabilidade, a segurança e as tendências que marcarão o futuro dos parques acuáticos
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Os parques acuáticos têm deixado de competir unicamente por oferecer as atrações mais espetaculares. A experiência do visitante, a sustentabilidade, a digitalização e a segurança são os grandes factores que determinarão o futuro de um sector que procura adaptar a um consumidor a cada vez mais informado e exigente.
Julià López-Areias, diretor de Water World e Aquadiver, analisa nesta entrevista com Consumidor Global os principais desafios dos parques acuáticos, desde o impacto da mudança climática e a gestão eficiente do água até a evolução do perfil dos visitantes e as novas tendências que marcarão a oferta de lazer nos próximos anos.
--Os parques acuáticos competem actualmente com muitos planos de lazer em verão. Qual é o maior repto ao que se enfrenta agora um parque acuático?
--O principal repto é seguir sendo relevante num mercado no que o visitante dispõe da cada vez mais alternativas de lazer e é mais exigente com a relação entre o preço e a experiência recebida. Não basta com contar com boas atrações. É necessário oferecer uma experiência completa durante toda a jornada, que combine segurança, comodidade, restauração, serviços de qualidade e uma atenção ágil e eficaz.
--Como tem mudado o perfil do visitante depois da pandemia?
--Temos observado um crescimento significativo do visitante nacional, especialmente procedente de Barcelona e Girona. Um visitante mais planificador, mais informado e também mais exigente. Dantes de ir ao parque, consulta as atrações e os serviços disponíveis e compra com maior frequência por internet.
--Quantas visitas chegais a receber durante o verão?
--Entre nossos dois parques recebemos aproximadamente 350.000 visitantes durante a temporada de verão. Deles, ao redor de 225.000 correspondem a Water World, em Lloret de Mar, e uns 125.000 a Aquadiver, em Platja d'Aro. A afluencia não se distribui de forma uniforme ao longo de toda a temporada. A maior parte das visitas continua concentrando durante os meses de julho e agosto, especialmente nas semanas centrais das férias escoares e do período de férias turístico.
--A mudança climática aumenta as ondas de calor, algumas se produzem dantes do verão e se prolongam até outubro. Afecta a vossa temporada de abertura e fechamento?
--Esta circunstância não se traduziu ainda na desestacionalización que seria desejável. As férias escoares, a ocupação turística e os hábitos de viagem continuam concentrando-se principalmente em julho e agosto, independentemente de que possa fazer muito calor em maio, junho, setembro ou outubro. Uma climatología favorável, por si sozinha, não gera o volume de visitantes necessário para ampliar de maneira significativa a temporada. A desestacionalización continua sendo uma matéria pendente para o conjunto do sector turístico.
--Em linha com a mudança climática e o consumo de água, pode ser um parque acuático sustentável?
--Os parques acuáticos podem avançar para modelos a cada vez mais sustentáveis, ainda que não podemos obviar que se trata de uma actividade que requer água e energia. Nosso objectivo é reduzir progressivamente o consumo por visitante, evitar perdas e utilizar os recursos da maneira mais eficiente possível. O água das piscinas e das atrações não se substitui continuamente. Mantém-se dentro de sistemas de recirculación, filtragem e tratamento que permitem conservar sua qualidade e a reutilizar em grande parte. Este funcionamento exige controles permanentes dos volumes, a desinfecção, o pH e o estado das equipas.
--Que medidas têm um maior impacto na eficiência?
--Centramos boa parte de nossos esforços na manutenção preventiva das instalações, a detecção rápida de possíveis fugas, o controle dos circuitos e a optimização das operações de limpeza e filtragem. Também é essencial a sensibilização e o envolvimento diário das equipas. Outro aspecto muito relevante é a gestão das zonas ajardinadas. Temos substituído a vegetação que requeria um maior consumo de água, como a flor de temporada, por espécies autóctonas com menores necessidades hídricas. Também temos eliminado grande parte das superfícies de grama ornamental e temos incorporado sistemas de irrigação por gotejo, o que nos permitiu melhorar notavelmente a eficiência no uso do água.
--Qual é o protocolo mais importante para garantir a segurança?
--A segurança não depende de um único protocolo, sina de uma corrente de prevenção que começa dantes da abertura do parque e se mantém até a saída do último visitante. A cada jornada revisam-se as atrações, as piscinas, os acessos, as equipas de resgate, a señalización e os sistemas de tratamento do água. Também é fundamental comprovar a correta distribuição do pessoal, manter uma comunicação constante entre socorristas, responsáveis por atrações, enfermaria e direcção, e informar claramente aos utentes sobre a posição, a altura e as condições necessárias para utilizar a cada instalação.
--As inspecções jogam um papel finque.
--As inspecções prévias à abertura e os controles contínuos da qualidade do água são práticas essenciais em qualquer instalação acuática. O protocolo mais importante é a antecipação. A vigilância ativa, o cumprimento estrito das normas e uma resposta rápida e coordenada ante qualquer emergência constituem os três pilares da segurança. Só quando o visitante se sente seguro pode desfrutar plenamente da experiência que lhe oferecemos.
--Que tendências vão marcar o futuro dos parques acuáticos?
--Será uma combinação de inovação, tecnologia, sustentabilidade e personalização da experiência. No âmbito das atrações, procuram-se instalações a cada vez mais espetaculares e inmersivas, mas que também ofereçam uma elevada capacidade e estejam pensadas para ser desfrutadas em família ou em grupo. A tematización, os efeitos visuais e sonoros e a possibilidade de compartilhar a experiência adquirem a cada vez uma maior relevância.
--E como pode influir a digitalização?
--Avançará mediante a venda antecipada, o controle eletrónico de acessos, a gestão de aforos, a informação em tempo real, os sistemas de pagamento mais ágeis e o uso de dados para compreender melhor os fluxos de visitantes e adaptar os serviços à demanda. A experiência digital, a sustentabilidade, a segurança, a análise da demanda e a optimização operativa serão alguns dos grandes eixos de evolução do sector. Também crescerá a importância das propostas que vão para além da atração tradicional: zonas familiares, espaços de descanso, uma restauração de maior qualidade, serviços premium e experiências especiais que permitam desfrutar do parque de maneiras diferentes.
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