Atacam yacimientos de gás em Irão e dispara-se o preço da gasolina em mal umas horas

O barril de Brent, referência em Europa, tem chegado a rozar os 110 dólares, com um incremento próximo ao 6% em pouco tempo

efinería de petróleo de Shahran mientras aún se eleva el humo tras el ataque aéreo de anoche en Tehe
efinería de petróleo de Shahran mientras aún se eleva el humo tras el ataque aéreo de anoche en Tehe

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O preço do petróleo tem registado um forte repunte nesta quarta-feira após que Irão denunciasse ataques aéreos contra infra-estruturas de gás em seu território.

O barril de Brent, referência em Europa, tem chegado a rozar os 110 dólares, com um incremento próximo ao 6% em mal umas horas. Por sua vez, o cru West Texas Intermediate (WTI), referência em Estados Unidos, tem superado os 98 dólares por barril, com uma subida próxima ao 3%.

A volatilidade intensificou-se desde primeira hora do dia: o Brent partia de 100 dólares pela manhã, depois de ter fechado na terça-feira em 103 dólares. A escalada reflete o nervosismo dos mercados ante o recrudecimiento do conflito em Oriente Próximo.

Ataques ao yacimiento de South Pars

Segundo informações difundidas por meios iranianos, Estados Unidos e Israel teriam atacado o yacimiento de gás de South Pars, um dos mais importantes do mundo, localizado na região costera de Asaluyé. Os bombardeios teriam provocado incêndios em várias instalações.

"Consideramos legítimo atacar a infra-estrutura de combustível, energia e gás do país de origem e tomaremos represálias contundentes à primeira oportunidade", tem avisado Irão, fazendo questão de que o ataque contra o campo de gás compartilhado com Qatar constitui uma escalada no conflito e acrescentando que o ataque "afectará os cálculos económicos da Casa Branca e o Pentágono".

Un barco alcanzado por proyectiles cerca del estrecho de Ormuz / EFE
Um barco petroleiro atingido por proyectiles cerca do estreito de Ormuz / EFE

O estreito de Ormuz, no ponto crítico

Um dos factores finque por trás da subida do petróleo é a situação no estreito de Ormuz, uma rota estratégica pela que circula cerca do 20% do comércio mundial de cru.

O trânsito marítimo reduziu-se drasticamente depois de ameaças de ataques e danos a várias embarcações. Esta interrupção logística está a afectar directamente à oferta global de petróleo e gás natural licuado.

Medidas de emergência para frear os preços

Ante a escalada, a Agência Internacional da Energia (AIE) anunciou a libertação de 400 milhões de barris de reservas estratégicas, a maior operação deste tipo em sua história.

Estados Unidos contribuirá 172 milhões de barris, enquanto Espanha contribuirá com 11,5 milhões, numa tentativa de estabilizar os preços e garantir o fornecimento energético.

Impacto nos mercados financeiros

A crise também tem tido efeitos imediatos nas carteiras. Em Estados Unidos, o Dow Jones e o Nasdaq têm aberto com quedas de 0,8% e 0,4%. Em Ásia, no entanto, os mercados têm reagido ao alça: o Nikkei japonês sobe um 3,1%, o Kospi surcoreano avança um 5%. Em Hong Kong e Shanghái também registam ganhos.

Em Espanha, o Ibex 35 mal tem variado, com uma subida de 0,07%

Escalada militar e tensão geopolítica

A situação agrava-se depois da morte de altos cargos iranianos em ataques recentes, o que afasta qualquer possibilidade de desescalada em curto prazo. O conflito continua afectando tanto à segurança energética como à estabilidade económica global.

Ademais, o Conselho da Organização Marítima Internacional celebra uma reunião extraordinária para analisar o impacto do bloqueio no estreito de Ormuz sobre o transporte marítimo internacional.