Booking volta-a a envolver: assim deixa atirada a esta cliente que tinha previsto viajar a Marrocos

O hotel que contratou a afectada através da plataforma de viagens primeiro acedeu ao reembolso do alojamento mas depois se jogou atrás

La página web de Booking   EFE
La página web de Booking EFE

Tens uns dias de férias. Uma semana perfeita para fazer uma escapada e fugir da rotina. Marrocos, um dos destinos de moda durante todo o verão, poderia ser uma grande eleição. Decides-te a entrar em Booking e reservar um riad no que descansar. Mas a natureza sacode a cotidianidad do país e um terramoto converte-o numa paisagem desolada.

Isto é o que lhe passou a uma utente. Tinha-o todo pronto: voos e hotel. Para o alojamento decidiu confiar em Booking e fazê-lo tudo através da plataforma. Quem podia imaginar no momento da reserva que umas semanas mais tarde um movimento sísmico deixá-la-ia sem viagem. Mas, também sem seu dinheiro?

Uma cobrança a mais de 400 euros

Alba M.L. tinha-o todo preparado para viajar junto a seu casal ao país africano. Segundo detalha a Consumidor Global, reservou no Riad Green Palm. Um hotel situado em Marrakech. Sua estadia ia desde o 19 de setembro ao 26 desse mesmo mês. O custo total? 450,19 euros. Dessa quantia, 415,19 euros foram cobrados no mesmo momento da reserva.

Un edificio que pertenece a Booking / UNSPLASH
Um edifício que pertence a Booking / UNSPLASH

"No dia que passou o do terramoto [8 de setembro], decidimos não ir", explica a internauta a este meio. Foi então quando começou seu calvario tanto com o próprio alojamento como com Booking. Quando se dispôs a cancelar a viagem na plataforma, esta lhe deu duas opções: cancelar e perder o dinheiro da reserva ou pôr-se em contacto directamente com o hotel e pedir a devolução do custo económico. "O alojamento tinha que responder em 48 horas se estava ou não de acordo com que pudesse cancelar sem despesas", explica.

Uma mensagem por Booking

Ante o silêncio do riad, a jovem não tinha claro se este se tinha derrubado ou não pelo terramoto. Foi por isso que fez questão de sua reclamação através de Booking. Num primeiro momento, o hotel aceitou devolver-lhe o dinheiro. Uma decisão que mudou tão só uns dias depois quando lhe comunicaram que não podiam reembolsar o custo. "Devido à política e as normas que tem Booking conosco, não podemos fazer nada agora", sustentavam.

A falta de atenção por parte da plataforma de viagens somado à mudança de opinião do alojamento, acabaram com a paciência de Alba M.L. "Entendo que eu, por uma parte, não tinha seguro, mas ninguém se ia esperar que tivesse um terramoto. É uma causa de força maior. Não estou a cancelar porque me dê a vontade", expressa.

Una consumidora trata de reclamar a Julieta Moda / FREEPIK - katemangostar
Uma consumidora trata de reclamar a Julieta Moda / FREEPIK - katemangostar

Responsabilidades da plataforma

Leticia Grande, advogada em Reclamador.es, explica a este meio qual é a responsabilidade de Booking neste tipo de casos. Em primeiro lugar, sobre se a cliente pode ou não reclamar seu custo, a experiente aconselha contabilizar nos dias decorridos desde a reserva. "Há que comprovar se estamos dentro do período de desistência (14 dias). Em caso contrário, só poderá reclamar a devolução se a tarifa contratada o permite", explica.

É o hotel o encarregado de determinar os cargos de cancelamento. Se o alojamento não cumpre com a política estabelecida, o custo há que o reclamar directamente ao hotel, segundo expõe a jurista. "Booking, pese a ser um intermediário, não está isento de responsabilidade em todos os casos", adverte. A plataforma é responsável direta das cobranças indevidas, por exemplo.

Booking assume sua responsabilidade

Riad Green Palm terminou-lhe cobrando o custo total (450 euros) à afectada. Uma situação que qualifica de injusta tendo em conta o terramoto que tinha sacudido a Marrakech. Mas sobretudo porque primeiro o hotel aceitou devolver o dinheiro e depois jogou-se atrás. Após que Consumidor Global se pôs em contacto com Booking, a plataforma tomou cartas no assunto de novo. "Temos aberto a incidência com nossa equipa de atenção ao cliente e este encarregar-se-á de encontrar uma solução satisfatória tanto para o alojamento como para a utente", comunicaram fontes da companhia a este meio.

Pouco depois, Booking comunicou a Consumidor Global que procederia ao reembolso total do custo. No entanto, essa promessa não coincide com a quantidade que recebeu Alba M.L. "O alojamento tem acedido a reduzir as despesas por cancelamento de 451,29 euros a 225,65 euros". Surpreendentemente, num acto mais de incoherencia por parte da plataforma, poucas horas de receber o primeiro rendimento a utente tem recebido o resto do custo total. Seja como for, fica claro uma coisa: nem Booking nem Riad Green Palms têm conseguido libertar de suas responsabilidades. Tal e como diz o refranero espanhol, "o prometido é dívida".