O chefe de Glovo apresenta-se como vítima e pede o arquivo de sua causa

A defesa de Óscar Pierre assinala que o arguido tem sido "reiteradamente" assinalado pelos tribunais por seu "predeterminación, distorção e afán recaudatorio"

El ceo de Glovo, Oscar Pierre
El ceo de Glovo, Oscar Pierre

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O conselheiro delegado de Glovo, Óscar Pierre, move ficha. Em seu novo escrito, o milionário empreendedor pede o arquivo da causa à juíza que o pesquisa por empregar a falsos autónomos. Ademais, arremete contra a Inspecção de Trabalho por sua "distorção e afán recaudatorio" e aponta a possíveis "motivações secundárias" em suas denúncias.

Pierre, defendido pelo despacho de advogados de Cristóbal Martell, tem apresentado um escrito ante a praça número 31 do Tribunal de Instância de Barcelona para pedir o sobreseimiento da causa após que a Audiência de Barcelona tenha anulado a última prorrogação da investigação, o que obriga a fechar o caso ou ao enviar a julgamento.

Por que esta sendo pesquisado o fundador de Glovo

Pierre está a ser pesquisado a raiz da denúncia que a Promotoria apresentou contra ele por um delito contra os direitos dos trabalhadores, por manter a seus repartidores como autónomos pese aos requerimentos da Inspecção de Trabalho e as sentenças do Supremo que estabelecem que os 'riders' são empregues por conta alheia.

Un repartidor de Glovo / PEXELS
Um repartidor de Glovo / PEXELS

Ao respeito, no dia dantes de ir a declarar como pesquisado, Pierre anunciou que mudava seu modelo trabalhista para contratar a seus repartidores, com o objectivo de procurar a "paz social" e evitar conflitos com a Inspecção de Trabalho e com os tribunais.

Qual é a postura de Óscar Pierre

Em seu escrito, o empresário nega que desobedeciera aos requerimentos da Inspecção de Trabalho sobre a relação trabalhista com os repartidores, que em sua opinião não eram mais que meras solicitações de entrega de documentação e informação que não conminaban a Glovo a "laboralizar" aos empregados.

A partir da aprovação da chamada lei Rider que regula o trabalho dos repartidores de plataformas digitais, acrescenta o escrito, Glovo mudou sua relação trabalhista e "foi implementando progressivamente mudanças" até apostar por um "modelo de relações jurídico-mercantis com suas repartidores, perfeitamente válido, assim que que legal em Espanha".

Repartidor de Glovo / PEXELS
Repartidor de Glovo / PEXELS

O arguido tem sido assinalado pelos tribunais

De forma contundente, a defesa de Pierre assinala que o arguido tem sido "reiteradamente" assinalado pelos tribunais por seu "predeterminación, distorção e afán recaudatorio".

Isso aponta, acrescentam os advogados, "à existência de possíveis motivações secundárias, alheias a uma aproximação imparcial e neutra para as relações entre Glovo e suas repartidores, que não podem ser orilladas, nem desprezadas no tratamento indiciario dos factos".