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Europa fica sem combustível para aviões em três semanas se não se reabre Ormuz

Aerolíneas como Volotea já estão a cancelar voos e a crise ameaça com paralisar o espaço aéreo a partir de maio

Ana Carrasco González

Un avión despega desde el aeropuerto de Fuerteventura Carlos de Saá EFE

Os aeroportos europeus têm advertido à Comissão Européia que, se o estreito de Ormuz não se reabre em breve, Europa se enfrenta a uma escassez de combustível para aviões em matéria de três semanas.

Segundo o sector, a situação poderia derivar numa "escassez sistémica" com graves consequências para a conectividade aérea e a economia do continente.

A carta enviada

A alerta foi transladada formalmente numa carta enviada na quinta-feira aos comissários europeus de Energia, Dão Jørgensen, e de Transporte, Apostolos Tzitzikostas. O documento, assinado pelo Conselho Internacional de Aeroportos (ACI), reflete a crescente preocupação do sector ante o impacto do conflito em Oriente Médio sobre o fornecimento energético.

O conteúdo da misiva foi adiantado por Financial Times.

Terminal 1 do Aeroporto de Barcelona O Prat / RAUL URBINA - AENA - EP

Risco iminente para o tráfico aéreo em Europa

Os aeroportos advertem de que, ainda que as aerolíneas ainda dispõem de reservas, o palco a partir de maio é incerto. A combinação de tensões geopolíticas e o aumento da demanda de combustível para fins militares está a pressionar o fornecimento disponível.

Em sua carta, o ACI reconhece que os operadores aeroportuarios não gerem directamente o fornecimento de combustível, mas sublinha que uma escassez teria efeitos imediatos e severos como interrupções em voos, redução da conectividade aérea e impacto económico em regiões dependentes do turismo e o transporte

O organismo adverte de que a situação poderia "perturbar gravemente as operações aeroportuarias", afectando tanto a passageiros como a mercadorias.

Primeiras consequências: voos cancelados e restrições (Volotea e Ryanair)

Algumas aerolíneas já têm começado a tomar medidas preventivas. Companhias como Volotea têm anunciado a exclusão de certos voos, enquanto Ryanair estuda possíveis ajustes em sua operativa.

Ademais, em Itália já produziram-se restrições concretas. Aeroportos finque como Bolonha, Milão Linate, Treviso e Veneza limitaram o repostaje durante o passado fim de semana, coincidindo com a alta demanda da Semana Santa, o que evidência que o problema já começa a se materializar.

Petição urgente à União Européia

O sector aeroportuario reclama uma resposta coordenada e urgente por parte da União Européia. Entre as medidas propostas destacam:

  • Monitorar em tempo real a disponibilidade de combustível
  • Identificar rotas alternativas de importação
  • Aumentar a produção e o refinado dentro da UE
  • Avaliar o uso de reservas estratégicas

Segundo o ACI, é imprescindível uma "supervisão e actuação proactiva" para evitar que a crise energética derive num colapso do transporte aéreo europeu.