Mais de 100 escritores e académicos assinam para que a Igreja não receba dinheiro público em Espanha
Uma centena de intelectuais, junto a 40 organizações, exigem a derogación imediata dos acordos com a Santa Sede, tachándolos de "herança do franquismo"
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Mais de 100 personalidades do âmbito da cultura, a academia e o activismo, respaldados por 40 organizações sociais, têm lançado uma exigência clara e direta ao Governo: iniciar de imediato os trâmites para denunciar e derogar os Acordos assinados entre Espanha e a Santa Sede nos anos 1976 e 1979.
O manifesto, promovido pela organização Europa Laica, representa uma forte medida de pressão para o Executivo para que cumpra seus compromissos eleitorais em matéria de laicidad, definindo estes tratados como "a última trinchera jurídica das mordomias eclesiásticas".
Rostos conhecidos contra uma "anomalía democrática"
O documento conta com o respaldo de figuras muito reconhecidas a nível nacional, o que antecipa um forte impacto social e mediático. Entre os assinantes destacam Neves Concostrina e Cristina Falharás (reconhecidas jornalistas e escritoras), o diretor de cinema Benito Zambrano, o filósofo Javier Sábada, o actor Leio Bassi e porta-voz dos Comuns no Congresso dos Deputados, Gerardo Pisarello.
Para este coletivo, manter vigente este tratado "em pleno século XXI" supõe não só consagrar mordomias exclusivas para o catolicismo, sina também "erosionar a liberdade de consciência da cidadania".

As chaves do manifesto: por que exigem a derogación
Os assinantes argumentam que os acordos atuais condicionam profundamente a estrutura social e económica do país, e fundamentam sua petição em três grandes pilares críticos:
- Financiamento público injustificada: tachan de "anacronismo" inaceitável que os fundos públicos sigam financiando ao clero de forma direta.
- Educação baixo influência religiosa: definem como uma "anomalía democrática" que o Estado sustente com milhares de milhões de euros aos colégios católicos.
- Perda de soberania popular: denunciam que leis fundamentais (educativas, fiscais e tributárias) estejam ditadas e condicionadas por acordos internacionais com o Vaticano, o que supõe uma clara "distorsión" da soberania nacional.
Vinculado a "Hitler, Mussolini, Franco ou Salazar"
Um dos pontos mais duros do manifesto faz referência à origem histórica deste tipo de tratados internacionais. Os assinantes recordam que "os concordatos não são instrumentos neutros".
Segundo o texto, historicamente têm funcionado como "ferramentas de blindagem institucional em regimes autoritarios como os de Hitler, Mussolini, Franco ou Salazar". Esta dura comparativa procura evidenciar a necessidade urgente de actualizar as relações institucionais aos regulares de uma democracia moderna.
"Uma herança do franquismo"
O manifesto conclui com um apelo direto ao Governo de coalizão, exigindo-lhe "valentia" para dar um passo à frente.
Os intelectuais e ativistas consideram que tem chegado o momento de "fechar definitivamente" esta etapa institucional, argumentando que os acordos representam "uma herança do franquismo que já não representa a uma sociedade plural, diversa e madura".

