Renfe ganhou 60 milhões de euros em 2025 apesar dos atrasos e as polémicas

Nesse período, a companhia transportou 531,4 milhões de viajantes, uma actividade que se refletiu num crescimento de 19% dos rendimentos por venda de bilhetes

Pasajeros se suben a un tren AVE   GABRIEL LUENGAS   EUROPA PRESS
Pasajeros se suben a un tren AVE GABRIEL LUENGAS EUROPA PRESS

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No ano 2025 foi convulso e cheio de paradoxos para Renfe. A empresa ferroviária viveu uma dualidad marcada por um gotejo de problemas operativos unido ao recorde histórico de viajantes. Com tudo, o volume de reclamações, a baixada da taxa de pontualidade e a controvérsia pela política de indemnizações mantiveram à operadora pública no centro das críticas de utentes e instituições.

Nesse ano, Renfe obteve um benefício neto consolidado de 60,2 milhões de euros em frente às perdas de 2,9 milhões registadas no ano anterior. Deste modo, o grupo regressou à senda dos benefícios pela primeira vez desde 2019. Trata-se da cifra definitiva incluída em suas contas anuais dada a conhecer nesta quarta-feira, após que a princípios de ano Renfe estimasse um benefício provisório a mais de 50 milhões de euros, que finalmente se elevou até mais de 60 milhões.

Os rendimentos pela venda de bilhetes sobem um 19%

Ao longo de 2025, a companhia transportou 531,4 milhões de viajantes, uma actividade que se refletiu num crescimento de 19% dos rendimentos por venda de bilhetes, até atingir os 2.000 milhões de euros.

Una persona con su maleta en el tren EUROPA PRESS
Uma pessoa com sua mala no comboio / EUROPA PRESS - JESÚS HELLIN

Este comportamento permitiu multiplicar por mais de dez o resultado da filial Renfe Viajantes, que concluiu no ano com um benefício neto superior aos 70 milhões de euros, em frente aos 5,4 milhões obtidos em 2024.

Maior demanda e uma gestão mais eficiente dos recursos

"A melhora do resultado apoiou-se principalmente na fortaleza da demanda dos serviços de transporte de viajantes, o incremento dos rendimentos por venda de bilhetes, a evolução positiva das margens comerciais e uma gestão mais eficiente dos recursos", assegura a entidade.

Os serviços de alta velocidade e longa distância, abertos à concorrência desde 2021, foram um dos principais motores deste crescimento. Estes comboios, incluídos os que prestam serviço em corredores internacionais, contabilizaram uns rendimentos por venda de bilhetes de 1.469 milhões de euros, um 7,5% mais que no exercício anterior. Por sua vez, os comboios sujeitos a obrigações de serviço público (OSP), como Cercanias, Avant e meia Distância, atingiram uns rendimentos por venda de bilhetes de 532 milhões de euros. Por último, a liquidez disponível incrementou-se desde os 654,3 milhões de euros registados ao fechamento de 2024 até os 1.059,5 milhões em 2025, enquanto o património neto atingiu os 2.350 milhões de euros, 115 milhões mais que no exercício anterior.

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