Ryanair reprograma um voo três vezes e nega o reembolso a um passageiro
Os experientes advertem de que a companhia aérea, que adiantou até quatro horas a viagem, está obrigada a devolver o dinheiro ao cliente se assim o reclama
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Pedro –nomeie fictício, porque pede não revelar seu nome– comprou um voo desde Barcelona a Milão através da página site de Ryanair. A viagem estava programada para o 24 de maio às 9.35 horas da manhã, uma hora escolhida a consciência para não se perder um casamento que se celebrava na cidade italiana. Não obstante, o 9 de abril a companhia aérea emitia um comunicado informando de uma mudança: "A hora de saída será às 6.15 horas".
Não foi a única modificação que realizou Ryanair. O 3 de maio a aerolínea voltava a adiantar a saída às 5.55 horas, para 12 dias depois informar que a hora para sair para Milão seria, finalmente, as 5.45 da manhã. "Todos os correios recebidos seguiam o mesmo esquema: informam-te da mudança, põem-te um banner enorme para aceitar a mudança e, se queres mudar o voo por outro, te deves pôr em contacto com eles. Mas não te dizem em nenhum momento nada de um reembolso", expõe Pedro a Consumidor Global.
Teve que apanhar um voo com Vueling
"Em meu caso, ia a Milão para um casamento cerca do Lago dei Como. Isto é, após chegar de Milão tive que viajar em carro até o lugar do casamento durante uma hora", precisa o passageiro. "Esse era o único voo de Ryanair ao aeroporto de Milão-Malpensa, pelo que se queria mudar o voo tinha que viajar no dia anterior pagando um hotel ou no dia seguinte (não chegando ao casamento)", declara.
"A opção de aceitar a mudança não me resultava apropriada, já que supunha me levantar às três da madrugada, viajar, apanhar um carro, chegar ao lugar, ter o jantar de pré-casamento no mesmo dia e depois no dia seguinte ir ao casamento", comenta Pedro sobre os estragos deste progresso de quatro horas por parte de Ryanair. "Para não perder tempo, em seguida comprei um voo de Vueling para as 12.00 horas da mesma sexta-feira 24 de maio", assinala.
Não dão a opção de reembolso
Ainda que Pedro conseguiu chegar vitoriosamente àquele casamento, não desistiu em seus direitos depois dos contratiempos que lhe supôs a gestão de Ryanair e revisou sua página site em procura da opção de um reembolso. "Acedi a essa opção que me reedireccionaba a minha secção de gestão de reservas. Provando várias vezes, em nenhum momento consegui ver nada relacionado com reembolso ou reprogramación. Ao ver isto, me pus em contacto com eles, mas me atendeu um bot", explica o utente.
"Pedi falar com uma pessoa e, ao comentar-lhe a situação, contestou-me que como a mudança não superava as cinco horas não tinha direito a reembolso, só direito a mudar o voo por outro", destaca Pedro a este meio. "Falei com vários empregados e todos me davam a mesma resposta, até que uma trabalhadora me ofereceu um enlace para pedir o reembolso. Ao aceder e introduzir o motivo não tinha a opção de reprogramación", lamenta.
De onde sai o tema das cinco horas?
Ante o desespero, Pedro reclamou a Ryanair a política onde se mencionava o tema das cinco horas. "Contestaram-me com evasivas mas, entre tudo isto, estive a olhar um pouco por internet para me informar, e todo era sobre atrasos ou cancelamentos, mas nada sobre reprogramaciones", destaca o afectado.
Então, Pedro chegou ao Regulamento da União Européia nº 261/2004, no qual se considera que se a mudança supera a hora, se considera uma cancelamento. "Comentei este regulamento com a companhia, no entanto, também não deram-me uma solução a dia de hoje", comenta este passageiro.
Estão obrigados a dar um reembolso
"Estão obrigados a oferecer um reembolso", confirma a Consumidor Global o advogado Jesús P. López Pelaz, diretor do bufete Advogado Amigo. "Ademais, o passageiro terá direito a indemnização se não se lhe oferece uma alternativa que com menos de uma hora de antelación e chegue ao destino com mais de duas horas de atraso", acrescenta.
Por outro lado, o experiente destaca que, se não se cumpre com isso, a indemnização que o cliente poderá reclamar dependerá da distância do voo, segundo prevê o Regulamento da União Européia nº 261/2004.
Uma compensação de 250 euros
A empresa de gestão de reclamações AirHelp destaca que há um veredicto do Tribunal de Justiça da UE, no assunto C-263/20 AirHelp e Corendon Airlines, no que o TJUE declara que um voo deve se considerar cancelado em caso que o transportador aéreo encarregado de efectuar o voo o adiante mais de uma hora. "Isto significa que as disposições sobre compensação por voos cancelados com arranjo ao Regulamento 261 da UE são aplicáveis nesses casos", sublinham.
"A indemnização dependerá da distância do voo e de se o passageiro não foi informado ao menos duas semanas dantes da hora de saída prevista", assinalam desde AirHelp. "A aerolínea deve proporcionar um voo alternativo, como fez, mas mesmo assim o passageiro tem direito a uma indemnização. A quantia desta compensação depende da distância do voo", acrescentam. O voo que realizou Pedro desde Barcelona a Milão foi de 760 quilómetros.
- Em voos a mais de 3.500 quilómetros: a compensação é de 600 euros
- Em voos entre 1.500 e 3.500 quilómetros: a compensação é de 400 euros
- Em voos a mais de 1.500 quilómetros: a compensação é de 250 euros
Que diz Ryanair?
Este meio pôs-se em contacto com Ryanair, mas ao termo desta reportagem a companhia aérea não tem contribuído nenhuma resposta sobre este assunto. Não obstante, em sua página site, Ryanair lista as alternativas dos passageiros se o voo tem-se reprogramado.
Entre as opções que oferece está, em primeiro lugar, "tomar o voo reprogramado". Em segundo lugar, o utente pode "optar por uma rota alternativa até o destino final, com umas condições de transporte comparáveis, já seja à primeira oportunidade que se presente ou numa data posterior, segundo convenha, em função da disponibilidade de praças". Também outorga a oportunidade de "mudar de forma gratuita o voo por outro voo na mesma rota com uma nova hora ou data". Por último, oferece a possibilidade de solicitar um reembolso. Algo que, no entanto, não é fácil de conseguir se se voa com Ryanair.