Por que Volkswagen eliminará a marca Seat?

Em plena crise, com fechamentos de fábricas e despedimentos em massa, o grupo concentrará seus investimentos em Cupra, segundo a documentação que debater-se-á nesta sexta-feira

El Seat 600 y el Cupra Raval   SEAT
El Seat 600 y el Cupra Raval SEAT

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Depois de 76 anos sendo um pilar fundamental na história industrial de Espanha e nas estradas de médio mundo, Seat prepara-se para dizer adeus. Segundo tem desvelado em exclusiva o semanário económico alemão WirtschaftsWoche, o grupo Volkswagen já tem sobre a mesa o plano definitivo para liquidar a assinatura espanhola.

A resolução, que será votada nesta mesma sexta-feira pelo conselho de supervisão do gigante alemão, estabelece que a marca Seat deixará de se fabricar, como muito tarde, no final do ano 2029. A partir de 2030, a histórica ensina nascida em Espanha já não fará parte da visão estratégica do grupo automobilístico.

Volkswagen quer centrar-se em Cupra

Em 2018, desde os despachos de Seat em Martorell (Barcelona), nasceu Cupra, uma aposta orientada a um público mais jovem, com um desenho mais agressivo e, sobretudo, focada no carro elétrico. Hoje, Cupra já vende mais carros que Seat e, o que é mais importante para Volkswagen, sua rentabilidade por unidade é muito superior. A documentação interna revelada em Alemanha é clara: o grupo eufemísticamente lume a este processo "discontinuación da marca espanhola", uma jogada que permitirá a Volkswagen reduzir a complexidade operativa e o ónus de investimento.

Deste modo, Volkswagen deixará de injectar recursos na renovação de clássicos como o Seat Ibiza para concentrar todos seus esforços em Cupra. Isto não significa necessariamente que a actividade industrial de Martorell vá desaparecer. Ao invés, a estratégia que se propõe passa por reforçar a fabricação de Cupra e de outros modelos do grupo Volkswagen nas instalações espanholas.

El logo de Volkswagen / Swen Pförtner (EP)
O logo de Volkswagen / Swen Pförtner (EP)

Seat nasceu faz 76 anos e Volkswagen controla a marca desde 1990

O possível final de Seat suporia o desaparecimento de uma das marcas mais vinculadas à história industrial de Espanha. A companhia nasceu faz 76 anos e durante décadas converteu-se num dos grandes referentes da automoción espanhola. Volkswagen converteu-se em seu único accionista em 1990, integrando progressivamente Seat em sua estrutura internacional.

Desde então, a marca espanhola tem fazer# parte de um dos maiores grupos automobilísticos do mundo.

O plano de Volkswagen inclui despedimentos e fechamentos de fábricas

O futuro de Seat decidir-se-á ademais num momento especialmente delicado para Volkswagen. O grupo alemão prepara um importante programa de poupança ante a perda de competitividade da indústria européia. Entre os palcos que se puseram sobre a mesa figura inclusive o fechamento de quatro fábricas em Alemanha: Zwickau, Emden, Hannover e a planta de Audi em Neckarsulm. Não obstante, estes fechamentos ainda não estão decididos.

O plano também contempla milhares de empregos menos em todo mundo, num ajuste com o que Volkswagen pretende reduzir custos e fazer frente à queda da rentabilidade. Os problemas da companhia têm várias frentes. Volkswagen enfrenta-se ao aumento da concorrência dos fabricantes chineses de veículos elétricos, à queda de suas vendas em Chinesa e ao impacto dos impostos estadounidenses.

O conselheiro delegado do grupo, Oliver Blume, tem defendido a necessidade de aplicar estes ajustes, ainda que os representantes dos trabalhadores, o sindicato IG Metall e o estado federado de Baixa Sajonia —que possui um 20 % de Volkswagen— se mostraram contrários a parte dos planos.

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