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Os apicultores alçam a voz contra o mel 'low cost': "É uma fraude para o consumidor"

Açúcar de cana e almidones: COAG denuncia os tarros que se comercializam com misturas enganosas e reclama preços justos para o apicultor

Juan Manuel Del Olmo

Distintos tarros de miel que COAG considera fraudes

O mel só é mel quando é só mel. Parece uma perogrullada ou um trabalenguas absurdo, mas num palco de etiquetas enganosas e jarabes disfarçados, é necessário recordá-lo. Por isso, a Coordenadora de Organizações de Agricultores e Ganadeiros (COAG) e a Federação de Consumidores e Utentes CECU têm organizado nesta terça-feira provas de mel em toda Espanha para denunciar a "fraude" no sector e reclamar preços justos para os apicultores.

COAG destaca que o 51% dos meles analisados em fronteiras espanholas são suspeitas de fraude. Isto não representa nenhum risco para a saúde, mas "é uma fraude para o consumidor e no etiquetado, porque quando estas misturas de meles contêm açúcares acrescentados, em base a jarabes de glucosa ou siropes, deveriam se etiquetar como edulcorantes. Há no mercado", explica Pedro Loscertales, responsável por apicultura da entidade, a Consumidor Global.

Jarabes processados elaborados pela indústria

"O mel é um produto que produzem única e exclusivamente as abejas. O resto são jarabes processados e elaborados pela indústria a partir de açúcar de cana, almidones de milho e arroz", remarca este experiente.

Consumidores realizam provas de mel / COAG

Em muitas ocasiões, o consumidor só presta atenção ao preço e não revisa a composição do mel que compra. Ao respeito, Loscertales aponta que aos apicultores lhes custa 5,50 euros produzir 1 kg de mel, enquanto a indústria paga ao sector 3,37€/kg. "E a miel low cost, que vem de outros países, está a entrar em nossos portos por 1,80 euros/kg. De modo que o papel que joga a distribuição é o de ganhar muito dinheiro", narra.

Fugir das misturas

O experiente de COAG oferece o seguinte conselho aos consumidores: "Dizer-lhes-ia, em primeiro lugar, que procurem mel directamente do apicultor. Depois aconselharia que, quando cheguem ao linear do supermercado e vejam que o bote de mel que têm nas mãos contém mel de Espanha, de Ucrânia, de Cuba e de México… não a apanhem. Que fujam das misturas. Não entendemos essas práticas".

Tarro com mel / FREEPIK

Loscertales destaca assim mesmo que a queda do consumo de mel nos lares (um menos 7,1% em volume em 2024) não se freou com o abaratamiento do preço médio. "O problema não é o preço do mel de qualidade: é que o sistema tem padrão que os lineares se encham de produto misturado e de duvidosa origem e se destrua valor em toda a corrente do mel", sublinha.