O Governo prepara uma regulação para vetar a publicidade de alimentos insanos dirigida a menores
Consumo defende uma norma "audaz e ambiciosa" ante o aluvión de anúncios que recebem meninos e adolescentes, com o respaldo de 79% da população
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O ministro de Direitos Sociais, Consumo e Agenda 2030, Pablo Bustinduy, tem assinalado que é "urgente" pôr em marcha uma regulação da publicidade de alimentos não saudáveis destinada a meninos e adolescentes.
"Dão-se condições mais que de sobra pára que proponhamos por fim de uma maneira audaz e ambiciosa algo que em realidade corresponde a garantir meios seguros para o desenvolvimento dos meninos e meninas em Espanha", tem sublinhado Bustinduy durante a inauguração do acto 'Comer são não é um tema menor' no Congresso dos Deputados.
Regulações similares às de outros países europeus
Bustinduy tem assegurado que Consumo leva tempo procurando a fórmula para regular a publicidade de alimentos insanos dirigida a menores, como já fazem outros países do meio como Portugal, Noruega, Reino Unido, Irlanda ou Suécia.
O ministro tem realçado que a regulação da publicidade de alimentos não saudáveis destinada a meninos e adolescentes conta com o apoio social e transversal: "Até um 79% da população expressa-se em prol de uma regulação deste tipo".
Um bombardeio publicitário
A seguir, tem lamentado que os meios publicitários e comerciais "bombardeiam" de maneira sistémica aos meninos com mensagens publicitárias. "Se um menino ou uma menina recebe em media 30 impactos publicitários de bebidas e alimentos insanos a cada dia pois é evidente que a eficácia desse esforço educativo que se dá aos comedores e que se dá por parte das famílias (...)vê-se limitado", tem manifestado.

Por sua vez, a ministra de Juventude e Infância, Sira Rego, tem criticado que os corpos dos cidadãos se converteram em "um mercado aberto". "Vivemos numa sociedade na que eleição está questionada, sugerida ou bombardeada por mensagens publicitárias", tem realçado.
O 49% dos adolescentes tomam bebidas energéticas
Bustinduy tem recordado que o Ministério de Consumo propõe proibir a venda de todas as bebidas energéticas a menores de 16 anos, e ampliar esta proibição aos menores de 18 anos no caso das bebidas com mais de 32mg de cafeína pela cada 100ml.
Ao fio, tem advertido de que o 38,4% dos jovens entre 14 e 18 anos toma bebidas energéticas e tem alertado sobre os efeitos nocivos que podem ter para sua saúde. "Ademais, um 15% deles as consome misturadas com álcool", tem agregado.
Plano de obesidad infantil
Durante sua intervenção, a ministra de Previdência, Mónica García, tem recordado que seu departamento está trabalhado com outros ministérios no desenvolvimento do Plano Estratégico Nacional para a Redução da Obesidad Infantil.

"A obesidad infantil é a ponta do iceberg do mal-estar infantil", tem assinalado García, que o relacionou com o sedentarismo, o excesso de ecrãs, a falta de sonho e uma má alimentação, e tem defendido impulsionar "iniciativas legislativas" para reverter esta situação.
"Não é uma questão de estética"
Segundo tem assegurado García, estes dados traduzem-se num maior risco de doenças cardiovasculares, cancro, problemas respiratórios, transtornos do sonho e dificuldades de saúde mental. "Não estamos a falar de uma questão estética, sina de um problema de primeira ordem de saúde pública", tem sublinhado.
Por todo isso, a ministra de Previdência tem sublinhado que a infância deve situar em "o centro de todas as políticas", ante o impacto dos determinantes comerciais em seus hábitos alimentares.

