Novo varapalo aos produtos veganos: Bruxelas proíbe empregar estes termos cárnicos

O acordo entre o Parlamento Europeu e o Conselho reserva termos como chuleta, pechuga ou costilla para alimentos de origem animal e limita seu uso em produtos vegetais ou cultivados em laboratório

Productos veganos de Lidl   EP
Productos veganos de Lidl EP

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A União Européia tem dado um passo mais para regular o etiquetado dos alimentos e evitar confusões entre os consumidores. O Parlamento Europeu e o Conselho -que representa aos Estados membros- têm atingido um acordo provisório que impedirá utilizar termos como filete ou solomillo em produtos que não contenham carne.

A medida faz parte da revisão do regulamento da Organização Comum de Mercados dos produtos agrícolas, um regulamento com a que Bruxelas pretende reforçar a posição dos agricultores na corrente alimentar, melhorar a transparência no etiquetado e garantir uma concorrência mais justa no mercado.

Termos reservados a produtos que contenham carne

O texto introduz uma definição clara de carne como as "partes comestibles dos animais". A partir dessa base, o novo regulamento estabelece que denominações como filete, solomillo, costilla, chuleta, coxa, pechuga ou tocino deverão se reservar exclusivamente a alimentos que realmente contenham carne.

Isto significa que os produtos vegetais ou os elaborados mediante cultivo celular em laboratório não poderão utilizar estes nomes em seu etiquetado. Segundo o Conselho da UE, o objectivo é reforçar a transparência no mercado interior e garantir que os consumidores possam identificar com clareza que tipo de produto estão a comprar.

Críticas de consumidores e defensores dos produtos vegetais

Os consumidores europeus, representados por BEUC, e os Verdes da Eurocámara lamentam que se tenha impedido utilizar certos termos para os produtos a base de plantas.

"Ainda que as empresas ainda podem usar nomes comuns de carne processada como hamburguesas e salchichas, a proibição abarca nomes de animais como frango, ternera e tocino, bem como partes de animais como pechuga ou coxa, e dois termos recentemente acrescentados durante as últimas negociações: filete e hígado", indicaram os consumidores.

Uma medida "absurda", segundo BEUC

O diretor geral de BEUC, Agustín Reyna, tem dito que argumentar que estes nomes criam confusão entre os consumidores "é absurdo".

Una veggie burger / PEXELS
Uma veggie burger / PEXELS

"Nossos dados mostram que ao redor de 70% dos consumidores está de acordo com estes nomes sempre que os produtos estejam claramente etiquetados como vegetarianos ou veganos", assinalou, e acrescentou que os consumidores querem "comer mais são e precisam opções práticas e asequibles". "Estes nomes facilitam a integração destas opções em suas dietas, e as novas normas aumentarão a confusão e simplesmente não são necessárias", tem concluído Reyna.

Uma única excepção

Por sua vez, os Verdes mostraram-se aliviados de que os conservadores da Eurocámara não tenham conseguido proibir o termo "hamburguesa vegetariana" mas lamentaram que outras palavras tenham ficado excluídas.

A eurodiputada de Volt, Anna Strolenberg, indicou que "é uma pena" porque "Europa deveria apoiar aos empreendedores inovadores, não lhes pôr novos obstáculos"