As importações espanholas de azeite de oliva de fora da União Européia (UE) dispararam-se até um 84% desde princípios de 2026. Uma situação que a indústria achaca à menor disponibilidade de azeite espanhol e os produtores denunciam que tem afundado os preços em origem.
No primeiro semestre de 2026, compra-las do exterior de azeites e gorduras têm subido o 23,6% em valor com respeito ao mesmo período de 2025 (3.077 milhões de euros. No entanto, as exportações têm diminuído o 6,5% (3.608 milhões), segundo o Ministério de Indústria, Comércio e Empresa.
A importações de azeite sobem
Quanto ao azeite de oliva, os últimos dados do Ministério de Agricultura, Pesca e Alimentação (MAPA) mostram que nos cinco primeiros meses do ano as importações têm somado 115.300 toneladas, o 27,5% mais que entre janeiro e maio de 2025.
O incremento ascende o 83,9% nesse período se só se tomam em conta as importações de terceiros países (73.400 toneladas).
Espanha tem produzido menos azeite do esperado
"As importações de azeite de oliva neste ano incrementaram-se muito com respeito aos anos anteriores, sobretudo à campanha anterior, primeiro porque Espanha tem tido uma disponibilidade menor da esperada", tem precisado o diretor geral da Associação Espanhola da Indústria e o Comércio Exportador do Azeite de Oliva (Asoliva), Rafael Pico. A produção espanhola soma 1,3 milhões de toneladas desde outubro, um 8,5% menos que na campanha 2024-2025.
Ademais, tem apontado Bico, têm influído uns preços em Espanha "menos competitivos", em frente aos de outros países mediterráneos como Tunísia, que "tem tido muito boa colheita com uns preços sensivelmente inferiores aos de Espanha e Europa".
Tunísia, principal competidor
O representante da indústria tem destacado o acordo comercial entre a UE e Tunísia, que inclui um contingente livre de impostos de 56.700 toneladas de azeite tunecino pára toda a UE. Tem defendido que os controles das autoridades à importação "têm as mesmas exigências que para os azeites produzidos em Espanha e a UE" em matéria de qualidade, e tem negado o emprego de fungicidas em Tunísia.
Faz dois meses, a organização agrária COAG reclamou a activação imediata das cláusulas de salvaguarda para bloquear a entrada desse azeite à margem da quota, ante as perdas valorizadas em mais de bilhões de euros para o olivar tradicional. O Governo assegurou então que os mecanismos de controle na fronteira estavam a funcionar e que a quantidade importada de Tunísia sem imposto era muito inferior à produção espanhola.
Previsões para setembro e outubro
O responsável por Olivar de COAG Andaluzia, Francisco Elvira, tem assegurado que "se esgotaram as existências de terceiros países -entre eles, Tunísia- e o azeite restante é o nacional". A seu julgamento, os azeites de outros países europeus e terceiros "são de pior qualidade", enquanto o espanhol é de uma variedade -picual- "que aguenta mais e se deixou para o final".
Entre agosto e outubro, até que cheguem as novas colheitas, será este azeite espanhol o que se ponha no mercado, mas a importação desde dezembro de fora da UE "tem deixado os preços tão afundados que já os agricultores nem cobrem os custos de produção", tem criticado Elvira.
Preços à baixa
Segundo o portal de preços em origem Infaoliva, o azeite de oliva virgen extra vende-se actualmente a 3,4 euros por litro, depois de cair desde os mais de 4 euros que custava em dezembro de 2025, uma tendência à baixa que têm seguido o virgen (agora em 3,2 euros/litro) e o lampante (3 euros/litro).
Em media, o azeite de oliva tem cotado a 3,2 euros por litro na última semana, de acordo com o sistema Poolred. O responsável por COAG prevê que se acabe por vender todo o azeite, ainda que seja "produzindo a perdas", pelo que tem pedido que se cumpra o regulamento de controle -"a fronteira é um coladero"- e a lei da corrente alimentar, que proíbe a venda por embaixo dos custos de produção.
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