Os irmãos Valladares levam Olimpro ao supermercado: "Podes comer este gelado todos os dias"

Pablo e Álvaro, filhos de um heladero, conseguem que a marca que fundaram em 2018 dê o salto ao grande consumo a princípios deste próximo abril, graças às vantagens calóricas de seu produto

Pablo y Álvaro Valladares, creadores del helado proteico Olimpro   CEDIDA
Pablo y Álvaro Valladares, creadores del helado proteico Olimpro CEDIDA

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Sendo mal um zagal dentre 18 e 19 anos, caminhava por ruas italianas enquanto aprendia o oficio de heladero. Implicou-se para ganhar maestría. Começou a estudar com ahínco, não se conteve à hora de investir e terminou por abrir suas próprias heladerías e inclusive franquiciar em Sevilla, onde jogou raízes e construiu sua vida familiar. Anos mais tarde, seus filhos Pablo e Álvaro Valladares, quem conhecem os detalhes por trás da tarrina, têm decidido continuar o oficio. Isso sim, de uma maneira um tanto diferente.

Um dia, os dois irmãos perguntaram-se por que não existia um gelado que pudessem comer todos os dias sem sentir que estavam a romper com uma dieta saudável. Longe de ser uma pergunta retórica, em 2018 deram com a resposta e criaram Olimpro, um gelado proteico artesanal, despojado de seu estigma de pecado, que procura reconciliar o prazer com a nutrição.

O iminente salto de Olimpro ao grande consumo

Com uma facturação de 400.000 euros em 2025 e uma projeção de 1,5 milhões para este 2026, a companhia acaba de fechar uma rodada de financiamento de 300.000 euros. Wingenia e Investimentos e Projectos Digitais LP somam-se ao accionariado, ainda que os irmãos Valladares mantêm o timão. O objectivo é multiplicar por dez sua capacidade produtiva e dar o salto ao grande consumo em abril, mas sem perder a disciplina artesanal italiana que herdaram de seu pai.

Dantes de começar a entrevista, Pablo Valladares comenta a Consumidor Global que seu irmão Álvaro tem que atender umas reuniões pelo que a conversa realizar-se-á unicamente com ele, já que estão inmersos num momento muito intenso com o salto de Olimpro ao grande consumo.

--Nem o prazer absoluto de um gelado carregado de açúcar, nem a resignação ante um produto 'fit' insípido

--Temos encrespado mais o encrespo. Acostumámos-nos a que o gelado proteico loja a ser insípido, enquanto o tradicional, ainda que delicioso, está vetado se queres te cuidar. Nós nos posicionámos num oco que entendíamos que ninguém ocupava: justo à metade entre o indulgente e o saudável. Nem somos zero calorías, nem somos um milhão de calorías. Mantemos-nos, mais ou menos, em menos quatro vezes calorías que um gelado convencional, mas sem renunciar a fazer um gelado para valer.

Álvaro Valladares y Pablo Valladares comiendo Olimpro CEDIDA
Álvaro Valladares e Pablo Valladares comendo Olimpro CEDIDA

–Essa é vossa verdadeira diferença com o resto de gelados proteicos do mercado?

--Nossa grande diferença com outros gelados de proteína é que não recorremos ao maltitol ou aos polialcoholes para baixar calorías ou tirar açúcar, porque ao final são abrasivos para a saúde.

--Acuñáis o lema 'Everyday Ice Cream'. Realmente uma pessoa pode comer-se um gelado de Olimpro a diário e manter uma dieta saudável?

--A ver, a cada pessoa é um mundo. Eu faço muito desporto e me posso comer um gelado todos os dias, mas também me posso comer 25 filetes de frango. Talvez há uma pessoa à que não lhe convém comer 25 filetes e é melhor que coma sete. A ideia é que possas te jogar uma proporção justa num vasito, te dar o gustazo de algo doce e ter um momento agradável sem te sentir culpado. Nem sequer imediatamente depois, porque graças à fibra prebiótica não é um produto que empalague ou te pese no estômago.

"Eu faço muito desporto e me posso comer um gelado todos os dias, mas também me posso comer 25 filetes de frango".

--Mas ao tirar o açúcar e evitar edulcorantes artificiais, como garantis que não se sacrifica o sabor clássico do gelado artesanal?

--Justamente aí está o repto. Queríamos manter a esencia, que tivesse uma textura para valer e que estivesse bom para valer. Agora que temos dado o salto para aumentar a produção e temos metido maquinaria nova, estamos a fazer que a máquina se adapte a nós, e não nós à máquina. Custou-nos tempo afinar os processos porque não é o habitual na indústria, mas não íamos deixar a qualidade de lado. É o que nos caracteriza.

--Quando escuto "gelado proteico", automaticamente penso no gimnasio. Vosso público são as pessoas desportistas?

--Ao princípio pensávamos que sim, mas vimos rapidamente que nosso cliente é bem mais normal do que críamos. Ponho-te um exemplo: eu sou desportista, mas tenho amigos que vão ao Burger King, se pedem uma hamburguesa e a acompanham com uma Coca-Bicha Zero. Muitas vezes dizemos: "Ouve, por que te pedes a Zero se te estás a comer uma hamburguesa?". Porque a gente quer equilibrar. Se queres-te comer um postre, vais procurar um que, dentro de toda a variedade, seja o melhor a nível de saúde. Se dás-lhe a eleger ao público geral entre algo saudável e algo que não o é, e ambos estão ricos, elegerão o saudável.

–Quais são vossos sabores mais destacados?

--Entre nossos sabores estrela destacam o chocolate branco, a Black Cookie, a tarta de queijo e o chocolate Dubai. Ademais, também estão os 'Drops', que são edições limitadas por temporadas como San Valentín ou Semana Santa, e colaborações com marcas afines.

--Agora com uma rodada de financiamento de 300.000 euros ides multiplicar a produção por dez. Como vê este crescimento teu pai?

--Meu pai está como um chiquillo! Tem 59 anos e, com três ou quatro heladerías abertas, estava já começando a delegar. Mas agora, se eu me levanto às sete da manhã, ele se levanta às seis para dizer que joga mais horas que eu (Ri). Demos-lhe um viro a seu mundo, mas mantendo a base do gelado artesão que a ele tanto gosta. Está espléndido. A equipa interna e suas mais de 30 anos de experiência são a garantia de que, ainda que automatizemos processos, seguimos controlando para não industrializar o produto por completo.

Varias tarrinas de helado proteico OLIMPRO
Várias tarrinas de gelado proteico / OLIMPRO

--Tendes apostado por manter a fabricação em Sevilla. Que importância tem o arraigo local na identidade de vossa marca?

--Nós nos criámos comendo produtos da terra. Parece uma tolice, mas o mel que leva o gelado é mel local de abejas de Doñana. Entre isso, a cultura do produto artesão do sul, e as raízes italianas da família de meu pai onde todo se faz com mimo, se criou uma fórmula de valores. Não concebemos fazer de outra maneira que não seja cuidando as matérias primas.

--O facto de ser artesanal aumenta seu preço?

--Não. Trabalhar com maior volume vai dar-nos a oportunidade de ser mais competitivos. Queremos que todo mundo lho possa permitir.

--Com a ampliação de capital e a chegada a grande consumo, veremos cedo a Olimpro em supermercados como Mercadona ou Carrefour?

--A princípios de abril já esperamos estar nos lineares de grande consumo. É verdadeiro que vieram a nos ver de algumas grandes superfícies muito conhecidas como Mercadona, mas decidimos que nesse momento não estávamos do todo alinhados em como entendiam eles o produto e como o entendemos nós. Vamos despacito e com boa letra.

--Agora vemos proteínas em absolutamente tudo: yogures, pães, bolachas... Achas que isto acabará substituindo ao doce tradicional?

--Acho que a etapa na que a indústria lhe punha o selo de "proteína" a qualquer coisa e a gente o comprava às cegas já tem passado. O consumidor tem a cada vez mais consciência. A maioria dá-lhe a volta à embalagem para ler os ingredientes. Se o produto não é leal com o cliente, deixarão do comprar.

--De facto, justo na semana passada A Menorquina anunciou que deixariam de vender Punky, aquele gelado com forma de pingüino que era todo o açúcar

– Sim, quando o cliente vê a quantidade de açúcar já deixa do comprar. Com os "Sem açúcares acrescentados" passa igual; às vezes pagas mais por um produto cheio de edulcorantes piores. O futuro é a transparência e a lealdade ao consumidor.

--Para terminar, uma curiosidade. De onde vem o nome Olimpro?

--(Ri) Quando começamos não tínhamos muita ideia de marcas. Estávamos muito focados no mundo do gimnasio, de modo que relacionamo-lo com o poder, os deuses, e pusemos-lhe Olimpo. Os sabores chamavam-se Poseidón, Atenea, Zeus...

Quando nos demos conta de que nosso público era mais amplo, giramos. Contactamos com a equipa que fez a marca Vicio, vimos como trabalhavam e estivemos um ano fazendo um rebranding brutal. Pusemos muitos nomes sobre a mesa, mas decidimos evoluir a Olimpro. A terminação "pró" dava a entender que levava proteína, e fonéticamente soava muito bem, te dava a sensação de algo cremoso, de nata. Ainda que a ideia original dos deuses já não é nosso foco, o nome nos segue encantando.