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Quanto e como deveriam te pagar as comercializadoras de luz para compensar pelo blecaute

Facua denuncia a cinco grandes comercializadoras por não pagar as compensações depois do fundido a negro de abril de 2025 e pede à CNMC que mova ficha

Varios trabajadores del Centro de Coordinación de Emergencias en la sede del 112 durante el apagón g
Varios trabajadores del Centro de Coordinación de Emergencias en la sede del 112 durante el apagón g

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O grande blecaute do 28 de abril de 2025 segue sendo um assunto espinoso cheio de claroscuros. Apesar da magnitude da crise, a assunção de responsabilidades tem ficado um tanto diluida, e pareceu-se mais a uma batalha de relatórios que a uma rendição de contas. Até a data, não se produziram despedimentos de alto nível no Governo nem na cúpula de Rede Elétrica (REE).

O Governo e REE têm argumentado que o blecaute foi um evento técnico-sistémico e multicausal, não um erro humano direto. Sustentam que foi uma combinação fatal de oscilações na rede, falta de controle de voltagem e a alta penetração de renováveis num momento de baixa demanda. Não obstante, existem gravações de janeiro de 2025 que provam que os problemas do sistema já preocupavam aos técnicos em janeiro de 2025.

Que têm feito as comercializadoras

Agora, Facua-Consumidores em Acção tem denunciado ante a Comissão Nacional dos Mercados e a Concorrência (CNMC) a cinco revendedoras por não ter aplicado descontos na facturação de seus clientes pelo blecaute.

La presidenta del Redeia, Beatriz Corredor, comparece ante la Comisión de Investigación sobre el apa
A presidenta do Redeia, Beatriz Corredor, comparece ante a Comissão de Investigação sobre o blecaute / EUROPA PRESS - MATIAS CHIOFALO

Mais especificamente, as empresas no alvo são Viesgo Distribuição, e-Distribuição, E-redes, UFD Naturgy e i-DE Iberdrola.

Quem assume a falta de qualidade depois do blecaute

A julgamento da organização, quando se produzem interrupções do fornecimento que excedem as ombreiras de qualidade estabelecidos, tal e como ocorreu o 28 de abril de 2025, as empresas revendedoras são as que devem assumir as consequências em frente aos consumidores. Desse modo, a lei contempla uma compensação que as companhias citadas não têm efectuado.

Para calcular o custo da indemnização há que ter em conta numerosos factores, como a potência contratada, a duração do corte de fornecimento, a localização da moradia ou o tipo de contrato.

Como se realiza o cálculo

A seguir, para realizar o cálculo, multiplica-se o número de kilovatios de potência contratada por 5 vezes o preço médio anual do kilovatio hora de energia consumida. O resultado desta operação multiplica-se por uma cifra vinculada ao número de horas que durou o blecaute.

Una mujer revisa unas facturas / PEXELS
Uma mulher revisa umas facturas / PEXELS

Finalmente, a cifra obtém-se restando 5 a esse número de horas se a moradia está em zona urbana, 9 se está em zona semiurbana, 14 em zona rural concentrada e 19 em zona rural dispersa. No caso tomado como referência por Facua, a operação arroja um resultado de 22,96 euros. Somados os impostos vigentes na actualidade (10,55% de IVA e imposto especial sobre a electricidade), o custo a devolver para esse perfil de utente seria de 25,38 euros.

Quando se dão as compensações

Em qualquer caso, é a revendedora a que deveria calcular à cada consumidor a quantia exata da compensação. Ademais, deveria ter aplicado ditas compensações durante o primeiro trimestre de 2026.

Assim as coisas, Facua tem pedido à CNMC que abra expedientes sancionadores a Viesgo Distribuição, e-Distribuição, E-redes, UFD Naturgy e i-DE "por vulnerar os direitos dos consumidores ao não lhes ter aplicado compensações em suas facturas pelas horas que estiveram sem fornecimento elétrico o 28 de abril de 2025, bem como que lhes inste aos aplicar, fazendo efetivos os direitos dos afectados".