Boas notícias para os passageiros: blindam as compensações para voos com grandes atrasos
A partir de agora, as aerolíneas já não poderão cobrar por plotar o cartão de embarque no aeroporto
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Nos últimos anos, o sector aéreo tem vivido momentos de caos: cancelamentos em massa, greves e atrasos sistémicos. Muitas companhias têm tentado escurrir o bulto emitindo bonos em lugar de reembolsar o dinheiro em numerário, o que gerou um enfado monumental e fez emergir a percepção de que os direitos dos passageiros se estavam a erosionar.
A União Européia tem tido que fazer equilibrismos. Por um lado, as associações de consumidores têm brigado com unhas e dentes para que não se dê nem um passo atrás. Pelo outro, a Comissão Européia tem tentado modernizar as leis dando mais margem às aerolíneas.
Acordo para revisar os direitos dos passageiros
Finalmente, a partida resolveu-se a favor do consumidor. As instituições européias têm atingido um acordo político para reformar o regulamento sobre direitos das pessoas passageiras no transporte aéreo (Regulamento (CE) 261/2004), uma revisão que permanecia bloqueada desde que a Comissão Européia apresentou sua proposta inicial em 2013.

A julgamento da Federação de Consumidores e Utentes CECU, o acordo consolida direitos fundamentais para quem viajam em avião e incorpora novas medidas para aumentar a transparência e limitar práticas abusivas por parte das aerolíneas.
A compensação mantém-se
Um dos lucros mais relevantes é que se mantêm os direitos de compensação para voos com atrasos significativos, o que implica descartar a proposta do Conselho que propunha elevar a ombreira mínima de atraso necessário para aceder a uma indemnização e reduzir as quantias.
Estas mudanças, segundo alertaram organizações de consumidores, poderiam ter deixado sem compensação a mais de 60% dos passageiros que actualmente têm direito a reclamar. Ademais, as aerolíneas estarão obrigadas agora a informar com maior clareza sobre estes direitos em caso de incidências, uma medida crucial, considerando que hoje só o 38% dos afectados reclama sua compensação.

Circunstâncias extraordinárias
O acordo também aclara que situações podem se considerar circunstâncias extraordinárias —aquelas nas que as companhias podem ficar isentas de compensar— e mantém este critério alinhado com a jurisprudencia do Tribunal de Justiça da União Européia.
Isto contribui maior segurança jurídica tanto aos passageiros como às aerolíneas e reduz a margem para que se denieguen compensações por motivos injustificados.

Melhoras do acordo
Estas são outras das melhoras que contempla o acordo:
- A proibição das cláusulas de "não apresentação" (não-show), que impediam utilizar o voo de regresso quando não se tinha tomado o primeiro trecho de um itinerario com escalas ou conexões.
- O direito a sentar-se junto a filhos e filhas menores de idade sem custos adicionais.
- O fim da cobrança por plotar o cartão de embarque no aeroporto.
- Mais transparência sobre o preço da bagagem de mão, que deverá mostrar desde o início do processo de compra para facilitar a comparação entre ofertas e evitar cargos surpresa, ainda que finalmente não se tenha reconhecido sua gratuidad.
