O caso Germanwings volta a julgamento: nova demanda pelo piloto que estrelló o avião nos Alpes
Uma treintena de familiares das vítimas demandam ao Estado alemão por considerar que não supervisionou adequadamente a saúde mental do empregado que provocou o acidente na rota Barcelona-Düsseldorf
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Mais de onze anos após o acidente do voo 4U9525 de Germanwings, uma das maiores tragédias aéreas ocorridas em Europa, os familiares de várias das vítimas voltam à via judicial.
Uma treintena de allegados tem apresentado uma demanda contra o Estado alemão para reclamar indemnizações dentre 110.000 e 500.000 euros por considerar que as autoridades não supervisionaram correctamente a aptidão psicológica do copiloto que provocou o siniestro.
O próximo 28 de agosto
A demanda tem sido admitida a trâmite pela Audiência Territorial de Braunschweig, que celebrará a vista oral o próximo 28 de agosto. O procedimento dirige-se contra o Escritório Federal de Transporte Aéreo, organismo dependente do Ministério de Transporte e Infra-estrutura Digital de Alemanha.
Não obstante, o próprio tribunal tem advertido aos demandantes de que, segundo sua valoração preliminar, a demanda poderia acabar sendo desestimada.

Uma falha na supervisão
Os demandantes sustentam que o Estado alemão não aplicou de forma adequada os mecanismos de vigilância sobre a saúde mental e a aptidão para voar dos pilotos comerciais. Em seu escrito, argumentam que as normas existentes para controlar as condições psicológicas do copiloto não se implementaram nem se fizeram cumprir correctamente, o que, a seu julgamento, permitiu que seguisse exercendo como piloto pese a seu estado de saúde.
No entanto, o tribunal considera inicialmente que os familiares poderiam ter tido direito a reclamar uma compensação à aerolínea, circunstância que poderia lhes impedir exigir uma segunda indemnização ao Estado alemão pelos mesmos factos.
A tragédia que conmocionó a Europa
O acidente ocorreu o 24 de março de 2015, quando o copiloto do voo 4U9525 aproveitou que o comandante tinha saído momentaneamente da cabine para fechar a porta e dirigir deliberadamente o Airbus A320 contra uma montanha dos Alpes franceses.
O avião cobria a rota entre Barcelona e Düsseldorf. No impacto morreram as 150 pessoas que viajavam a bordo: 144 passageiros e seis membros da tripulação. A investigação confirmou posteriormente que o siniestro foi provocado de forma intencionada pelo copiloto, cujo estado psicológico se converteu no centro do debate sobre os controles médicos dos pilotos em Europa.
Lufthansa já foi demandada
Não é a primeira vez que os familiares tentam obter responsabilidades pela via judicial. Em 2020, uma demanda apresentada contra Lufthansa, grupo proprietário de Germanwings, foi recusada pela Audiência de Essen. O tribunal concluiu então que a aerolínea não era responsável por supervisionar a aptidão médica e psicológica de seus pilotos, uma função atribuída às autoridades competentes.
Depois do acidente, Lufthansa abonó 10.000 euros à cada familiar direto das vítimas e até 25.000 euros ao herdeiro legal da cada falecido. Agora, onze anos após a tragédia, uma parte dos familiares volta a tentar que a Justiça determine se o Estado alemão incorreu em responsabilidades pelas supostas falhas no sistema de controle que permitiram que o copiloto seguisse voando dantes do fatal acidente.
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