Kanye West, vetado em Europa, actuará em Madri pese a suas mensagens antisemitas: "Encanta-me Hitler"
Depois das cancelamentos em Reino Unido, França, Polónia e Suíça, a Federação de Comunidades Judias de Espanha pede que se suspenda o concerto que o rapero oferecerá nesta quinta-feira, 30 de julho, na capital espanhola
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O concerto de Kanye West, conhecido agora como Ye, nesta quinta-feira 30 de julho no estádio Metropolitano de Madri tem desatado uma nova onda de críticas.
A Federação de Comunidades Judias de Espanha (FCJE) tem reclamado publicamente que se suspenda a celebração do evento pelo historial de declarações antisemitas do artista, cujas polémicas já provocaram a cancelamento de actuações em vários países europeus.
"Não se pode normalizar o discurso de ódio"
Num comunicado, a organização tem mostrado sua "profunda preocupação" e sua rejeição ao concerto devido às "graves e reiteradas declarações antisemitas" do rapero, bem como por seus comentários de admiração para Adolf Hitler e outras mensagens que consideram uma banalización e negação do Holocausto.
"A liberdade de criação artística e a liberdade de expressão são pilares essenciais de toda sociedade democrática", sustenta a Federação, ainda que adverte de que esses direitos "não podem servir para normalizar o discurso de ódio, a exaltación do nazismo ou a trivialización do maior crime cometido contra o povo judeu e contra a Humanidade".
Comunicado da FCJE ante o concerto amanhã em @ComunidadMadrid @MADRI de Kanye West.https://t.co/rbo2k534uh
— FCJE (@fcjecom) July 29, 2026
"Espanha não deve ser uma excepção"
A Federação recorda que outros países europeus já têm tomado medidas contra o artista. Reino Unido proibiu-lhe a entrada ao país e provocou a cancelamento de sua participação no festival Wireless. França suspendeu um concerto previsto e actuações programadas em Polónia e Suíça também foram anuladas depois da polémica gerada por suas declarações.
Por isso, a organização considera que Espanha não deveria seguir um caminho diferente. "Espanha não deve ser uma excepção nem um refúgio para quem têm contribuído a difundir mensagens que alimentam o antisemitismo e danificam a memória do Holocausto", afirma o comunicado. A entidade também faz um apelo às autoridades competentes e aos organizadores do concerto para que reflexionem sobre "o impacto que supõe oferecer um palco a quem tem utilizado reiteradamente seu notoriedad para difundir mensagens de ódio".
Um historial de polémicas que não deixa de crescer
A petição chega após anos marcados pelas controvérsias protagonizadas por Kanye West. Entre as mensagens que mais indignação provocaram figuram publicações como "Sou um nazista, me encanta Hitler" ou "Alguns de meus melhores amigos são judeus e não confio em nenhum deles", difundidas em redes sociais durante os últimos anos.
Suas declarações provocaram uma cascata de consequências internacionais. Além da proibição primeiramente em Reino Unido, importantes marcas romperam relações com o artista e várias plataformas retiraram conteúdos relacionados com suas mensagens de exaltación do nazismo.
Publicou uma canção titulada 'Heil Hitler'
O cantor chegou inclusive a publicar a canção Heil Hitler, posteriormente eliminada de serviços como Spotify, YouTube ou SoundCloud, além de comercializar t-shirts com esvásticas, factos que incrementaram a rejeição institucional e empresarial.
Ainda que em janeiro pediu desculpas mediante um anúncio publicado em The Wall Street Journal, onde atribuiu parte de seu comportamento a um transtorno bipolar derivado de uma lesão cerebral não diagnosticada, as cancelamentos de concertos continuaram produzindo durante os meses seguintes.
O Governo recusa suas declarações, mas não propõe cancelar o concerto
Em Espanha, o concerto previsto em Madri segue adiante. O ministro de Cultura, Ernest Urtasun, já manifestou faz meses que as declarações do rapero lhe "repugnam" e as qualificou de "fora de lugar".
No entanto, o ministro defendeu que não corresponde ao Governo promover a cancelamento de um concerto pelas opiniões expressadas por um artista e sustentou que essa decisão deve recaer nos promotores do evento. Até o momento, a empresa organizadora não tem querido realizar declarações públicas sobre a polémica.
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