Samsung traz ao ISE de Barcelona a televisão maior do mundo
Integrated Systems Europe deixa de ser o irmão técnico do Mobile World Congress e arranca sua maior edição para revolucionar o sector audiovisual
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Quem queira assomar ao futuro, hoje tem que estar em Barcelona. Não é uma metáfora. Enquanto o comboio de cercanias sofre os avatares de uma crise de mobilidade local que tem complicado a manhã do 3 de fevereiro a milhares de congressistas nacionais, dentro do recinto da Fira de Barcelona, em L'Hospitalet, o mundo funciona com uma precisão e uma resolução que o olho humano mal atinge a processar.
O Integrated Systems Europe (ISE) --que arranca sua edição 2026 nesta terça-feira até a sexta-feira, 6 de fevereiro– tem deixado de ser o irmão técnico do Mobile World Congress (MWC) para se converter num titán com identidade própria. Se o Mobile é o lugar onde se discute para onde vai a tecnologia, o ISE é o lugar onde essa tecnologia se toca, se vê e, sobretudo, se sente. E neste ano, ao cruzar as portas do Pavilhão 3, a sensação é que o som importa, mas a imagem o invadiu tudo.
A televisão maior jamais fabricada
Lembrança vívidamente o antigo despacho de meu pai. Tinha um computador de cor branca, uma espécie de caixa descomunal, que ao se acender emitia um zumbido tão intenso que parecia um motor de avião aquecendo na pista. Hoje, parada em frente ao estande de Samsung Electronics, penso nesse velho computador ruidoso com imagens tão pixeladas, que às vezes resultava difícil de decifrar.
Ao voltar ao presente, observo com ainda mais assombro todos os ecrãs, cuja presença resulta quase reverencial. O que tenho diante é o ecrã Micro RGB de 130 polegadas de Samsung, a televisão maior jamais fabricada com esta tecnologia.

"É difícil ter um ecrã diferente num mercado saturado"
Baptizado como modelo R95H, este dispositivo não procura só estar no salão, sina converter numa janela mais na casa para ver o mundo. Situa-se entre os CHEIREM de última geração e os MiniLED mais avançados, com um processamento de imagem sólido que permite acercar ao ecrã sem perda apreciable de detalhe. Oferece negros profundos e cores intensas mas equilibrados. Seu ponto forte, quiçá, está no tratamento dos reflexos. Graças à certificação da VDE alemã e à tecnologia Glare Free, os focos do pavilhão não quicam no ecrã.
"É difícil ter um ecrã diferente num mercado saturado", comenta um dos engenheiros de Samsung durante o tour, "mas isto é a cúspide". Estará disponível no final de ano de maneira simultânea em todo mundo.
Os novos escaparates
O ISE, que espera atingir os 90.000 assistentes e gerar 520 milhões de euros para a cidade, é o grande bazar das soluções comerciais. Caminhando pelo tour de novidades, Samsung despliega sua artilharia para o sector retail (comércio). "Menos é mais", comentam desde Samsung sobre sua filosofia.

Detenho-me ante um ecrã de 85 polegadas que parece desafiar a óptica. É o Samsung Spatial Signage. Tem uma espessura de mal 5 centímetros, mas o que projecta tem profundidade. É 3D, mas sem as molestas gafas. "Imagina isto numa loja de luxo ou num espaço emblemático", sugerem. A imagem sai-se do marco, frota para o espectador. É algo exclusivo de Samsung.
Samsung quer matar ao papel em todos seus formatos
Samsung tem apresentado, ademais, sua tecnologia Cor E-Paper. Num esforço pela sustentabilidade –e por aposentar definitivamente ao papel na cartelería–, estes ecrãs de tinta eletrónica a cor não consomem energia estática. "Só gasta quando mudas a imagem", explicam.

Pode-se carregar o conteúdo com o móvel ou um USB. Aguenta chuva, calor e frio. É o fim dos cartazes impressos desgastados pelo sol; uma solução digital com impressão de carbono mínima que responde a um consumidor que exige, a cada vez mais, tecnologia responsável.
Uma feira refletida em mil ecrãs
Passear pelo ISE é compreender até que ponto o ecrã se converteu na linguagem central de nossos dias. São a cada vez maiores, mais delgadas, mais brilhantes, mais inteligentes. E, no entanto, entre tanta espectaculosidade, surgem perguntas inevitáveis: até onde faz sentido crescer? Que papel joga já o ser humano neste ecossistema saturado de estímulos?
Ao sair do pavilhão, a luz natural de Barcelona parece estranhamente suave, quase mate, após o estallido cromático do interior. A cada marca não só tem apresentado sua televisão mais potente, sina que têm desenhado um retrato de para onde se dirige o uso com os ecrãs. O futuro será brilhante, inmersivo e, por que não o dizer, bem mais complaciente que o velho computador de meu pai.

