Uma viagem ao espaço sem sair de Barcelona: assim se vive uma experiência de realidade virtual

Durante 40 minutos, a experiência convida a percorrer uma réplica virtual da Estação Espacial Internacional, conhecer no dia a dia dos astronautas e contemplar a Terra desde uma perspectiva reservada a muito poucos privilegiados

Experiencia Titanic 16
Experiencia Titanic 16

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Basta com colocar-se umas gafas de realidade virtual para sentir que o meio desaparece por completo. Ainda que ainda resultam algo volumosas e não destacam precisamente por sua comodidade, esse detalhe passa rapidamente a um segundo plano quando a tecnologia consegue convencer ao cérebro de que está em outro lugar.

Em nosso caso, o destino está a quase 400 quilómetros sobre a Terra. Sem sair de uma sala diáfana do shopping As Areias em Barcelona, a experiência consegue transportar ao visitante à Estação Espacial Internacional (ISS) e oferecer uma aproximação surpreendentemente realista à vida em órbita. Todo isso graças a um sistema de rastreamento mediante sensores e referências visuais distribuídas pelo solo e as paredes da sala, que sincroniza os movimentos reais do visitante com o meio virtual.

Um passeio pela Estação Espacial Internacional

A experiência tem sido desenvolvida por Eclipso junto a Infinity Experiences baixo o nome de Space Explorers: The ISS Experience. Estará disponível durante o verão e propõe descobrir como vivem e trabalham os astronautas a bordo da Estação Espacial Internacional.

Tudo começa com umas breves indicações dos instrutores dantes de nos colocar as gafas e aceder a um palco completamente diferente. A partir desse momento, o percurso desenvolve-se por capítulos. O visitante deve ir tocando diferentes esferas para deslocar-se virtualmente entre os diferentes módulos da estação. Na cada um deles aparecem astronautas reais da NASA que explicam como funciona a ISS, como é sua rotina diária e quais são algumas das investigações científicas que realizam durante suas missões.

Recreación do 'overview effect'

A sensação de imersão é um dos grandes aciertos da experiência. Em vários momentos, o visitante entra e sai virtualmente da Estação Espacial Internacional para contemplar o exterior, uma sequência que deixa algumas das imagens mais impactantes do percurso.

Vista con gafas de realidad virtual de cómo es la Tierra / CEDIDA
Vista com gafas de realidade virtual de como é a Terra / CEDIDA

Poder assomar à imensidão escura do espaço ou ver a Terra suspendida em frente a um provoca uma reacção quase imediata entre quem participam. Os gritos de surpresa repetem-se na sala quando chega esse instante conhecido como o overview effect, o fenómeno emocional descrito por muitos astronautas ao observar o planeta desde a órbita.

Um realismo que engana ao cérebro

Esse nível de realismo tem também uma pequena contrapartida. Durante as sequências no exterior da estação convém não realizar movimentos bruscos, já que a sensação de estar a flutuar pode chegar a provocar verdadeiro mareo. De facto, os instrutores advertem-no dantes de começar o percurso.

Vista con gafas de realidad virtual de la ISS por dentro / CEDIDA
Vista com gafas de realidade virtual da ISS por dentro / CEDIDA

A própria experiência demonstra até que ponto a realidade virtual é capaz de enganar ao cérebro. Ainda que em todo momento permanece-se dentro de uma sala completamente desocupada, a percepção é muito diferente. Caminhar pelo espaço, ainda que só seja de forma virtual, impõe bastante mais do que um imagina dantes de se pôr as gafas.

Imagens reais gravadas no espaço

A proposta está baseada na série Space Explorers: The ISS Experience. Após três anos de gravações reais na ISS, a produção está conceituada como o maior projecto audiovisual filmado no espaço até a data e foi galardoada com um prêmio Primetime Emmy Award.

Durante o percurso virtual aparecem astronautas como Christina Koch e Victor J. Glover, que compartilham como é a vida a bordo da ISS. A viagem termina quando as gafas se apagam. Quase todos os rostos refletem o mesmo assombro. Porque, ainda que esta tecnologia não pode levar ao espaço, sim consegue durante 40 minutos algo difícil: fazer-nos achar que temos estado ali.