Alarme com o azeite de orujo: pedem sua retirada imediata do mercado
A OCU tem detectado a presença de hidrocarburos aromáticos (MOAH) em concentrações superiores aos valores orientativos estabelecidos pela União Européia
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O azeite de orujo de oliva, conhecido por sua utilidade em frituras e ferros, consome-se sobretudo em hotelaria e comedores industriais. Até agora se considerava um alimento muito seguro e até beneficioso.
De facto, um estudo realizado por pesquisadoras do Instituto de Ciência e Tecnologia de Alimentos e Nutrição (ICTAN) do Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC) mostrou em 2023 como o consumo regular de azeite de orujo de oliva podia ter efeitos positivos na saúde cardiovascular e em patologias associadas, como a diabetes e a obesidad.
A OCU pede retirar os azeites de orujo de oliva
Agora, a Organização de Consumidores e Utentes (OCU) tem instado à Agência Espanhola de Segurança Alimentar e Nutrição (Aesan) a retirar do mercado todos os azeites de orujo de oliva. Esta solicitação chega depois de detectar a presença de hidrocarburos aromáticos (MOAH) em concentrações superiores aos valores orientativos estabelecidos pela União Européia.

Segundo tem informado OCU, uma análise realizada sobre 65 produtos alimentares com risco de contaminação por estes compostos tem revelado que as nove mostras de azeite de orujo de oliva estudadas apresentam níveis de MOAH que superam entre três e dez vezes o máximo orientativo fixado.
Substâncias suspeitas e potencialmente tóxicas
A OCU tem advertido de que os MOAH são substâncias com suspeitas fundadas de efeitos cancerígenos e genotóxicos, o que implica que sua ingestão habitual e prolongada poderia causar cancro ou alterações no DNA, inclusive em níveis baixos de exposição.
Neste sentido, tem assinalado que o risco poderia ser maior em coletivos vulneráveis
como grávidas, menores ou pessoas inmunodeprimidas.
Retirada imediata do mercado
Ante estes resultados, a organização tem solicitado à Aesan a retirada imediata deste tipo de azeites do mercado, apelando ao princípio de precaução até que se determine o alcance da contaminação.
A OCU aponta a que a origem destes compostos poderia estar na migração desde recipientes utilizados na colheita e processado, em ambientes contaminados ou no contacto acidental com lubrificantes. Ademais, a organização tem sublinhado a necessidade de estabelecer um regulamento comum a nível europeu que regule os níveis máximos permitidos destes contaminantes e tem recomendado aos consumidores optar por azeite de oliva.
