Leguminosas pré-cozinhadas: vale a pena comprar uma marca gourmet?
Os guisados enlatados mais clássicos são um produto de supermercado muito típico e barato, mas as versões “premium” custam mais do dobro.
Costumam-se vender em lata e vêm prontos para comer, só lhes faz falta um toque de microondas. Abres a embalagem, viras-a sobre o prato e voilá! Aparecem ante os nossos olhos umas lentilhas com chouriço, uma fabada com bacon, um cozido madrileno ou umas favas à basca.
Sem investir tempo e por pouco dinheiro, o consumidor tem uma ampla variedade de guisados espanhóis precozinhados. Fazendo uma revisão pelos lineares dos supermercados, Litoral é uma das marcas mais populares. No entanto, também há outras marcas gourmets que vendem o cozido tradicional a preço de ouro. Vale a pena?
Comparação de preços
Uma lata de favas asturiana de Litoral (420g) não custa mais de 2,59 euros no supermercado El Corte Inglês. Agora bem, essa mesma elaboração de uma marca gourmet sobe até os 12,95 euros. É o caso da Catedral de Navarra cujo frasco contém 340 gramas. Uma diferença cinco vezes maior.

Uma subida menos agressiva registam as lentilhas à riojana. Litoral vende-as por 2,25 euros (425 gramas) enquanto Rosara cobra 7,50 euros a lata de 400 gramas. Em 1,99 euros ficam os grãos de bico de Litoral no formato 440 gramas. Até os 9,50 dispara-se o mesmo prato da marca Rosara. Tendo em conta estas diferenças de preços, a pergunta não pode ser outra que: vale a pena pagar mais?

O marketing, sempre presente
Sempre que se faz uma comparação entre produtos premium e low-cost são muitos os factores que entram em jogo para justificar a diferença de preços. O marketing, claro, é um dos mais influentes.
A embalagem joga um papel visual fundamental mas, sobretudo, é o que transmite a companhia. "A marca gourmet vende-te qualidade, conveniência, status e tempo", explica à Consumidor Global Francisco Torreblanca, consultor de marketing. "O preço justifica-se pela especialização", limpa.
São melhores para a saúde?
Para além do marketing, muitas pessoas pensam que na opção premium vão encontrar um produto mais saudável. Mas nada mais longe da realidade. "A nível nutricional é exactamente o mesmo. Agora, a nível organoléptico e de qualidade de matéria prima sim que pode diferir", aclara Marina Diana, doutora em nutrição da Universidade Ramón Llul-Blanquerna.

Na sua opinião, o preço das opções premium está sobredimensionado. "Usam matéria prima de mais qualidade mas isso não justifica que valham mais do dobro que a convencional", recalça a especialista a este meio.
É recomendável o seu consumo?
Na opinião da nutricionista estes guisados preparados para comer não são um mau alimento. De facto, reconhece que não são más opções para consumir de forma pontual. "Não têm nem aditivos nem conservantes", justifica Marina Diana.
A especialista explica que estas latas se esterilizan. Um tratamento térmico bastante brusco mas que consegue alongar a vida útil do produto e, por isso, não há que recorrer aos conservantes.
Os peritos falam
Marina Diana deixa claro que não vale a pena pagar mais do dobro por um guisado precozinhado gourmet. A perita em nutrição recalça que os valores nutricionais são similares aos de qualquer outra marca. "Outra coisa é que o consumidor queira conseguir uns sabores mais acertados, umas matérias primas com mais qualidade mas a nível económico e nutricional não tem nenhum sentido", conclui.
Assim, os legumes cozinhados de gama alta, neste caso, não são mais que o resultado de uma boa estratégia de marketing. Uma táctica que se baseia na conveniência e o status, tal como sublinha Torreblanca.


