Transportadores alertam de desabastecimiento em supers em 24-48 horas
O sector denuncia que o fechamento de estradas a camiões pode romper a corrente de fornecimento se não há rotas alternativas
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O presidente da Federação Nacional de Associações de Transporte de Espanha (Fenadismer), Carlos Folchi, tem advertido nesta sexta-feira de que os supermercados e pontos de venda poderiam começar a sofrer desabastecimiento num prazo de "24 a 48 horas" se se mantêm as restrições de tráfico impostas aos camiões e não se habilitam rotas alternativas.
Desde esta noite, a Direcção Geral de Tráfico (DGT) tem limitado a circulação de veículos de mercadorias —vão ou não carregados— a mais de 7.500 quilos em diferentes trechos da rede viaria, com o objectivo de garantir a segurança e facilitar o passo dos serviços de emergência ante o temporal.
"Absoluto despropósito"
Segundo os dados do sector, o episódio poderia afectar a mais de 15 vias de alta capacidade, além de numerosas estradas locais e comarcales. Folchi tem alertado do "risco importante" que supõe o prolongamento destas medidas, cuja "intensidade" e "amplitude" têm surpreendido aos transportadores.

A seu julgamento, o fechamento preventivo de estradas finque para o transporte de mercadorias é um "absoluto despropósito", ao tratar de um serviço "essencial" para o conjunto da sociedade. "O problema é sério", tem insistido.
Condutores atrapados
Para além das perdas económicas —ainda sem uma cifra concreta de camiões afectados—, o presidente de Fenadismer tem sublinhado o impacto humano da situação: milhares de condutores atrapados em estrada muito próximo do fim de semana, sem poder regressar a suas casas.
Folchi tem enquadrado este episódio como uma nova mostra das carências estruturais das infra-estruturas em Espanha, uma "ineficiência" que, em sua opinião, não pode recaer sobre os transportadores. "O 90% das mercadorias do país move-se por estrada", tem recordado para dimensionar o alcance do problema.
A federação tem reclamado a habilitação urgente de vias alternativas que permitam, ao menos, a volta dos profissionais a seus domicílios, num contexto marcado ademais pela incerteza sobre a duração das restrições.
Críticas do sector
As queixas estenderam-se a outras organizações. A Confederação Espanhola de Transporte de Mercadorias (CETM) tem denunciado num comunicado o aplicativo de restrições "desproporcionadas" baseadas em previsões meteorológicas que, segundo o sector, não se cumpriram em amplas zonas do território.
Os transportadores sustentam que as nevadas previstas têm sido finalmente menos intensas do anunciado, enquanto as limitações ao tráfico pesado já estavam activadas, impedindo a circulação inclusive por vias que se encontravam em condições normais.
Duras críticas contra a DGT
Desde a Associação do Transporte Internacional por Estrada (Astic) têm ido um passo para além e têm qualificado a decisão da DGT de "simplista, extrema, absurda, contraproducente e precipitada". Numa nota, Astic tem pedido ao Governo que garanta a livre e segura circulação de camiões para evitar a interrupção da corrente de fornecimento e tem reclamado uma coordenação "real e efetiva" em frente aos episódios meteorológicos adversos.
A associação tem advertido além de que as restrições põem em risco o regresso a casa de muitos condutores que levam até duas semanas percorrendo Europa ao volante. Por sua vez, a Plataforma Nacional de Defesa do Sector do Transporte tem denunciado que "uma medida de prevenção não pode converter num sequestro de transportadores".

