Raúl Espinosa, diretor de Sqrups!: "Procuramos zonas onde possamos atender a coletivos vulneráveis"
O diretor geral desta corrente, que rentabiliza os excedentes de fabricantes, assegura que sua intenção é que o consumidor com menos recursos possa ter acesso a produtos de primeiras marcas
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Estanterías metálicas de um ar industrial muito singelo que contêm uma variedade heterogénea de produtos de primeiras marcas internacionais a preços muito asequibles: desde tomates secos em azeite italianos até um kit de ferramentas passando por caixas de bolachas francesas ou salchichas veganas. Ao entrar numa loja de Sqrups!, um poderia recordar uma das frases mais célebres de Forrest Gump: "A vida é como uma caixa de bombones: nunca sabes o que te vai tocar". Neste caso, ademais, os bombones são muito económicos.
Sqrups! faz do erro algo rentável e útil. O formato da corrente permite resgatar produtos que, por motivos de sobreproducción, mudança de embalagem, excesso de estoque ou campanhas finalizadas, ficariam fora dos canais de distribuição tradicionais, evitando assim sua desperdicio. O 85% do surtido compõem-no produtos de alimentação e congelados, aos que se somam artigos de droguería, perfumaria e higiene. Falamos com Raúl Espinosa, seu cofundador e diretor geral.
--A recente abertura da nova loja de Majadahonda supôs a abertura número 120 da companhia a nível nacional e a trigésima deste ano, consolidando a forte expansão de Sqrups! em 2025. Quais são as chaves de uma expansão tão notável?
--Nós levamos já desde o ano 2022, com a entrada do fundo de investimento, com um plano bastante ambicioso para seguir fazendo crescer a corrente. Desde esse momento levamos um ritmo similar de abertura de lojas: 25 ou 30 por ano, aproximadamente. No ano passado cruzou-se no caminho a operação de compra-a de Domti. Em general, está a ir muito bem.

--Vocês utilizam o conceito de "outlet urbano" de grande consumo, com lojas que põem ao alcance dos consumidores multidão de referências de primeiras marcas com descontos que oscilam entre o 50% e o 80% com respeito a seu preço original. Neste sentido, que acha que sente ou pensa um cliente quando entra numa loja de Sqrups!?
--Nós somos uma empresa de impacto social. Somos uma empresa privada, e por tanto temos que ganhar dinheiro, mas nossa política e nossa forma de trabalhar são um pouco diferentes ao que fazem outras ensinas de grande consumo. Os pilares de impacto que temos são a sustentabilidade, o impacto social e a inclusão. A primeira define por que nos denominamos outlet urbano e por que temos estes descontos: o 100% de produtos que estão em nossas lojas vêm de situações especiais: as liquidações, os restos de estoque, os excedentes de fabricação ou as próprias ineficiências da corrente de distribuição. Dentro da parte de alimentação, que hoje representa mais de 70% da facturação, estamos muito centrados no corte de data: produtos que, por circunstâncias, não têm podido sair na corrente de fornecimento convencional, de modo que os fabricantes têm que procurar uma alternativa. Somos uma opção para que o fabricante possa monetizar esse excedente. Trabalhamos com grandes marcas, tanto nacionais como internacionais, e o que fazemos é dar uma solução. Assim, contribuímos à redução da emissão de CO2, porque damos uma segunda vida a esses produtos e podemos oferecer esses descontos tão significativos.
--Consideram-se uma empresa que contribui à economia circular?
--Quando nascemos, já o fizemos com este conceito. Vimos uma oportunidade de negócio. E quando entrou o fundo, Global Social Impact Investments SGIIC (GSI), pusemos mais em valor tudo isto, que tem um impacto brutal. Mas saímos-nos totalmente do âmbito do greenwashing, porque somos muito firmes com nosso modelo e nossas próprias práticas contribuem a lutar contra o desperdicio alimentar, à destruição de produtos…

--Como conseguem manter um fluxo de inventário que seja simultaneamente constante e atractivo quando seu modelo depende das incidências ou excedentes de outros fabricantes, e têm ademais uma rotação tão elevada?
--Desgraçadamente, porque há muita ineficiência. Os dados indicam que o 30% do que produz o mercado se destrói. Não somente falamos da ineficiência por parte da corrente de fornecimento, sina também por parte do consumidor, que em ocasiões compra a mais ou se lhe passa a data de consumo. Isto é, não temos nenhum problema de abastecimento. A Lei de Desperdicio Alimentar entra em vigor em abril deste ano, e isto é um reflexo de que há uma vontade de canalizar todo esse desperdicio. Nós temos visto uma oportunidade num problema existente e achamos que podemos lhe dar algo de sentido ao disloque que há ao respeito.
--Qual é seu perfil de cliente?
--A verdade é que está muito equilibrado, e temos gente de todo o tipo e condição. Entre homens e mulheres estamos mais ou menos 50-50%, mas depende da loja. A nível de idade, ao princípio vinha a nossas tendas gente de 35 anos em adiante. Mas desde faz um tempo temos notado que muita gente jovem começa a vir a nossas lojas. Também é verdadeiro que eles têm uma consciência social que acho que está acima da nossa. Nosso objectivo é estabelecer-nos em zonas onde possamos atender a coletivos vulneráveis porque procuramos que gente que tem menos recursos possa ter acesso a produtos de primeiras marcas.
--Não se propuseram vender on-line?
--Não, por uma razão muito singela: não fazemos publicidade de nada, dos produtos que vendemos, nem também não fazemos promoção. É uma forma de proteger aos fabricantes: se nós saímos com um desconto dentre um 50 e um 80%, fá-lhes-íamos muito dano. Assim garantimos a venda anónima. O comércio on-line não é uma alternativa porque seria romper este acordo de respeito absoluto e confidencialidade.

--Há alguma categoria de produto que funcione especialmente bem nas lojas de Sqrups!, ou cujo sucesso lhe surpreenda por algum motivo?
--Vendemos muito bem aperitivos e snacks, além de toda a parte de conservas e bebidas. Em ocasiões vendemos também produto gourmet e produto que pode ser mais raro e por circunstâncias acaba em nossas lojas. Pensemos, por exemplo, em bebidas cujo sabor quiçá é um pouco complicado, mais raras ou menos conhecidas pelo público, que nos funcionaram muito bem. Vendemos com um preço muito agressivo, a gente prova-o e depois vem a procurá-lo e pergunta-nos onde pode o comprar. Então dizemos-lhes que provavelmente nós já não voltaremos ao ter, mas podem pedir em seu supermercado habitual. É uma forma de dar a conhecer produtos.
--Como vê o futuro de Sqrups! em curto prazo, em dois ou três anos?
--Seguimos com nosso plano e a ideia para 2026 é abrir 55 lojas, no ano seguinte 60 e o seguinte 65. Essa seria a ideia de expansão, que pôr-nos-ia para perto de as 300 lojas nos próximos três anos. Queremos provar alguma coisa nova: recentemente temos lançado o modelo Sqrups! Fast, que são lojas mais pequenas, de conveniência, situadas em zonas de passagem. Estamos testeando o modelo. Queremos continuar em nossa linha e abrir lojas em outras zonas. Estamos muito concentrados em Madri e Levante e temos previsão de desenvolver Andaluzia e Cataluña, que é onde quiçá estamos a pôr mais o foco agora, ainda que seguimos abertos a novas oportunidades por toda Espanha.

