A cada vez são mais os espanhóis e espanholas que incorporam a actividade física a sua rotina diária, mas não sempre o fazem acompanhados do assessoramento nutricional adequado. De facto, dois em cada três pessoas aficionadas ao desporto em Espanha ajustam sua alimentação por sua conta, guiando-se pela intuición, a informação disponível em internet ou as recomendações de seu meio mais próximo.
Assim o reflete o estudo Alimentação e Desporto, elaborado por Aldi junto à Academia Espanhola de Nutrição e Dietética, que analisava como se relacionam o exercício físico e a dieta em nosso país. Quando pensamos mais na dieta e nos prometemos fazer mais desporto? Claramente, ao acabar as comilonas e jantares festivas destes dias, bem como no início do Ano Novo e a lista de propósitos que despregamos nos primeiros dias de janeiro.
Desporto e alimentação: em Espanha pomos-nos propósitos sem guia profissional
Segundo o relatório, um 66% dos desportistas reconhece ter modificado sua forma de comer sem ir a um profissional. Dentro deste grupo, quase a metade toma decisões baseando-se em conteúdos de imprensa, redes sociais ou páginas site, enquanto um 11% apoia-se em conselhos de amigos ou familiares.
Isto é, reinterpretando receitas fit de redes sociais e baixando as calorías a golpe de pôr mais verde no plato e menos panettone de café da manhã. Só um 6% utiliza aplicativos móveis especializadas, em frente a um 29% que sim conta com o acompanhamento de um nutricionista ou dietista que lhe apoie em seus objectivos de baixar de importância e tonificar músculo.
Cabe destacar que isto não vem de agora, a pandemia e o confinamiento também deixaram impressão nos hábitos alimentares metendo pelos olhos a moda de ser realfooder. Quase um 26% das pessoas que praticam desporto afirma que seu dieta piorou durante esse período, devido à ansiedade e o momento "bizcocho caseiro", uma cifra superior à registada entre quem não realizam actividade física, onde a percentagem se situa no 18%. Ante este contexto, a balança tornou-se para o outro lado nestes últimos anos. Não são poucas as pessoas que se dedicaram à vida fitness, aprofundando em como a alimentação influi no rendimento desportivo e na saúde geral.
A importância de comer bem quando se pratica desporto
A boa notícia desta crescente consciência sobre a relevância de uma dieta saudável leva tempo muito presente entre quem fazem exercício de forma habitual. Mais de 90% dos desportistas considera que cuidar a alimentação é chave para sua prática desportiva: um 51% qualifica-o como "importantíssimo" e um 42% como "bastante relevante". Esta percepção é menos frequente entre as pessoas sedentarias, o que confirma que a actividade física costuma ir da mão de uma maior preocupação pelos hábitos saudáveis.
Este estudo, realizado entre mais de 4.300 pessoas, mostra também que quem praticam desporto tendem a prestar mais atenção à qualidade dos alimentos e à regularidade de suas comidas, entendendo a nutrição como um pilar básico do bem-estar.
Sedentarismo: menos horas sentados se há desporto
Apesar destes avanços, o sedentarismo segue sendo uma matéria pendente, sobretudo se nosso trabalho é de escritório. Em media, os espanhóis passam mínimo 6 horas e 25 minutos ao dia sentados. Esta cifra aumenta até as 7 horas e 14 minutos entre quem não realizam nenhum tipo de exercício físico. No entanto, o tempo que passa sentado diminui notavelmente entre as pessoas ativas: quase sete em cada dez que dedicam entre dois e três horas diárias ao desporto asseguram permanecer menos de seis horas sentados ao longo do dia.
Quanto à frequência, os aficionados ao desporto praticam actividade física uma média de 3,5 dias à semana. O 84% fá-lo entre dois e quatro dias, e mais da metade dedica entre 45 e 90 minutos à cada sessão. O senderismo e o montañismo lideram o ranking de desportos mais praticados em Espanha (29%), seguidos da gimnasia (25%), o running (24%) e o ciclismo (18%).
Propósitos de Ano Novo: como começar a comer melhor e a se mover mais
Para quem querem dar o primeiro passo para um estilo de vida mais ativo, os experientes recomendam começar com pequenas mudanças sustentáveis. Não se trata de seguir dietas restritivas nem de treinar a alta intensidade desde o primeiro dia, sina de construir uma base sólida.
Priorizar alimentos frescos, planificar as comidas, reduzir ultraprocesados e manter horários regulares é um bom ponto de partida. Em paralelo, incorporar caminatas, exercícios de força suaves ou actividades que resultem agradáveis facilita a constancia e reduz o risco de abandono. Procurar assessoramento profissional pode marcar a diferença, especialmente para adaptar a alimentação às necessidades energéticas e objectivos pessoais.
Mudanças na dieta: mais frescos e menos ultraprocesados
O 73% dos desportistas define sua alimentação como variada e equilibrada, sem excluir grupos de alimentos. As dietas vegetarianas ou veganas seguem sendo minoritárias: só um 6% reduz ou elimina carne e pescado, incluindo perfis veganos, vegetarianos e flexitarianos.
Durante o último ano, quase um da cada cinco desportistas modificou seu dieta com o objectivo de melhorar seu rendimento. Entre as mudanças mais habituais destacam a redução do consumo de pan, embutidos, bollería e carne vermelha. Em sentido contrário, aumentou a presença de verduras, frutas, pescado, frutos secos, legumes, ovos e carne de ave, apostando por uma alimentação mais natural e rica em nutrientes.
Quanto se investe em desporto em Espanha?
Em termos económicos, a maioria dos espanhóis destina menos de 500 euros anuais à prática desportiva.
A maior despesa concentra-se no equipamento, seguido da alimentação, que já representa uma das principais partidas para mais da metade das pessoas ativas. Um reflexo claro de que se cuidar, a cada vez mais, também passa pelo que se põe no plato.