“Evitar o consumo”, o rótulo nutricional que faz tremer a Nestlé, a Unilever e companhia
As multinacionais acima mencionadas já apresentaram recursos legais para reverter este decreto que aponta diretamente para o facto de os seus alimentos serem prejudiciais à saúde.
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"Evita o seu consumo". É tão claro como o dia. O governo chileno obrigou a indústria alimentar a incorporar esta menção num selo preto bem visível na parte da frente da embalagem dos seus produtos não saudáveis. Porque fumar mata, mas comer certos alimentos ultraprocessados também.
"Não comas". É o que diz a publicidade dos alimentos ricos em açúcares, calorias e sódio, como bolachas, cereais e chocolates, desde a entrada em vigor do Decreto 24, em abril de 2025. E as multinacionais em causa não hesitaram em tremer as botas.
O selo nutricional que aterroriza Nestlé e Unilever
Que empresas produzem alimentos nocivos para a saúde e tentam escondê-lo? Que multinacionais da indústria alimentar se viram afectadas pela nova regulação chilena?

De facto, a Nestlé e a Unilever, entre outras, já interpuseram acções judiciais no Tribunal de Recurso de Santiago para reverter o decreto, que prejudica as suas vendas à medida que os consumidores optam por produtos saudáveis.
Fim do branqueamento na indústria alimentar
“Vejo esse novo rótulo como um grande passo para diminuir o consumo de certos produtos ultraprocessados, por isso algumas multinacionais o receberam mal”, disse a nutricionista Paloma Quintana à Consumidor Global.
“Receberam-no como o advento do Armagedão”, diz Juan Revenga, professor de Nutrição na Universidade de San Jorge, em Saragoça, referindo-se ao efeito devastador que este rótulo pode ter na atividade de empresas como a Unilever e a Nestlé. “O que acontece é que estraga a narrativa que têm vindo a construir há décadas e obriga-as a fazer manobras radicais”, acrescenta.
"Evita o seu consumo"
Segundo este especialista, o rótulo “Evitar o consumo” é um dos melhores que existem na FOPL (Front-of-Pack Labelling of Foods), embora tenha alguns inconvenientes. "O sistema chileno aplica-se a todos os alimentos e não tem limites. O sistema chileno aplica-se a todos os alimentos e não tem em conta a matriz alimentar, como faz a OMS, que os organiza por categorias. Não ponha um queijo tão rico em sal e gordura. Não é uma beringela, mas também não é um Ruffles", diz Revenga.

Na mesma linha, Quintana salienta que este sistema de rotulagem envia uma mensagem muito clara, mas é preciso ter cuidado para não ir longe demais. "Imagine colocar um rótulo numa lata de sardinhas, num pacote de fiambre e num queijo Manchego porque têm um elevado teor de gordura e sódio... Mesmo um alimento processado como o iogurte grego não é tão prejudicial como as bolachas ou os cereais com chocolate. Temos de saber discernir e continuar a educar o consumidor".
Poderá ser aplicado em Espanha?
A aprovação deste decreto no Chile abre a porta à sua adoção noutros países do mundo. Poderá o Ministério do Consumo obrigar as empresas a rotular os seus produtos não saudáveis como aquilo que são?
Uma porta que Juan Revenga está encarregado de fechar. "Não, nada está a ser ‘implementado’ em Espanha porque os regulamentos são europeus. Ou seja, se fosse implementada, seria feita em toda a União Europeia e, neste momento, estamos muito longe de implementar esse sistema devido às pressões brutais das multinacionais de alimentos ultraprocessados".
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