Bares e restaurantes, em pé de guerra pela nova Lei do Fumo: pedem três anos para proibir fumar em terraços
As patronales denunciam que o projecto aprovado pelo Governo inclui contradições com resoluções anteriores de Previdência e alertam de um possível impacto sobre o emprego e os negócios
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A aprovação do projecto de reforma da Lei do Fumo tem provocado uma reacção imediata entre os sectores da hotelaria e o lazer noturno.
As patronales Fecasarm e Spain Nightlife têm mostrado sua surpresa e preocupação pelo texto aprovado pelo Conselho de Ministros, que amplia os espaços livres de fumaça aos terraços de bares e restaurantes e a outros espaços ao ar livre. A norma deverá iniciar agora sua tramitação parlamentar.
Que muda com o novo projecto de lei
O projecto supõe uma actualização radical do marco normativo estatal. A proibição não se limita ao fumo tradicional, sina que afecta também a dispositivos que funcionam sem nicotina nem fumo.
Ademais, a diferença de regulamentos anteriores, a entrada em vigor não contempla períodos de adaptação iniciais, o que obriga ao sector a uma transformação imediata.

Pedem uma moratoria de três anos se a lei sai adiante
Em caso que a reforma seja finalmente aprovada pelos Cortes Gerais, a hotelaria ouna moratoria de três anos para o aplicativo da proibição de fumar em terraços e espaços exteriores. Durante esse período, os estabelecimentos poderiam adaptar-se progressivamente à nova regulação e decidir se mantêm ou não espaços nos que se permita fumar, segundo a proposta das patronales.
As organizações recordam que a anterior Lei 28/2005 já estabeleceu um período transitório de cinco anos. Durante esse tempo, os locais a mais de 100 metros quadrados puderam manter zonas habilitadas para fumar, até que a reforma de 2010 acabou com a possibilidade de fumar no interior dos estabelecimentos a partir de 1 de janeiro de 2011.
Contradições com uma resolução de Previdência de 2011
Um dos pontos que mais indignação tem gerado é la inclusão de produtos que não contêm fumo nem nicotina, como as pipas de água (shishas) ou os produtos a base de ervas. As patronales denunciam que isto não tem justificativa sanitária nem base legal, e trazem à tona uma contradição por parte do Governo.
Em 2011, depois da entrada em vigor da Lei 42/2010 (que proibiu fumar em interiores), o próprio Ministério de Previdência emitiu uma resolução oficial em resposta a uma consulta de Fecasarm. Naquele documento, a Direcção Geral de Saúde Pública opinou: "O produto não contém fumo nem nicotina pelo que não lhe é de aplicativo o regulamento espanhol sobre prevenção e controle do tabaquismo nem sobre os produtos do fumo".
"Em virtude da teoria dos actos próprios, o Governo de Espanha não pode agora justificar a inclusão neste projecto de lei da proibição de utilizar este tipo de produtos sem fumo nem nicotina. Tal e como reconheceu em seu dia, não pode proibir algo que não deve ser protegido pela legislação antitabaco espanhola", argumenta Joaquim Boadas, secretário geral de Fecasarm e Spain Nightlife. Por isso, exigem a retirada imediata desta proibição específica durante a tramitação parlamentar.
Meio milhão de empregos na sensata floja
O principal temor dos empresários é que a proibição não reduza o consumo de fumo, sina que o desloque para a clandestinidade. Segundo as patronales, o consumo transladar-se-á a domicílios particulares e espaços não regulados, o que derivará em maior ruído noturno em zonas residenciais, aumento da sujeira nas ruas e impacto negativo na convivência cidadã.
A nível económico, o prognóstico é devastador. A hotelaria e o lazer noturno em Espanha dão emprego a para perto de dois milhões de trabalhadores. Aproximadamente o 25% da facturação (e, portanto, desses postos de trabalho) depende directamente dos espaços abertos e terraços. Se a proibição merma a afluencia de público, o sector adverte que milhares destes empregos terão que ser amortizados.
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