Portas fechadas e telefones mudos: Lahsen Dental converte-se numa clínica fantasma
Depois do fechamento repentino da empresa, que contava com quatro centros em Madri, os danificados se propõem interpor uma denúncia coletiva
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No final de janeiro, Consumidor Global deu voz a Jennifer, uma das muitas vítimas do repentino fechamento de 360Clinics. Como num pesadelo kafkiana, a cliente não só ficou sem seus tratamentos de estética, sina que a empresa pretendia que seguisse pagando mês a mês por um serviço fantasma. Lamentavelmente, seu caso não é uma excepção: um ano dantes, dezenas de consumidores sofreram a mesma desprotección com a absorção de Dr. Smile por parte de Impress, um movimento que se traduziu em bolsos vazios e sorrisos rompidos.
Os danificados sentiram-se agraviados, denunciaram o pasotismo da companhia e protestaram por ter tido que recorrer a outros dentistas. Agora, todos estes problemas parecem se replicar com Lahsen Dental, uma companhia que contava com quatro centros na Comunidade de Madri e tem baixado a persiana de forma súbita, deixando aos clientes num callejón sem saída.
O fechamento sem explicação das clínicas Lahsen Dental
Tal e como publicou a Organização de Consumidores e Utentes (OCU) faz mal cinco dias, o fechamento das quatro clínicas Lahsen Dental em Madri capital, Alcorcón e Torrejón de Ardoz "vem a somar a outros desaparecimentos de centros privados de saúde e estética nos últimos meses".

"Da noite para o dia os utentes encontram-se com as portas fechadas e os tratamentos, em alguns casos já começados e pagos, a médias", alertou a entidade. Assim se pode comprovar em numerosas reseñas publicadas em Google e redes sociais.
Reseñas de Google
As vítimas movem-se entre a perplexidade e a angústia. "As quatro clínicas de Madri, Torrejón e Alcorcón estão fechadas e traspassadas, deixando aos pacientes sem completar seus tratamentos e sem devolver o dinheiro. Se és um paciente afectado, procura assessoramento com um advogado o dantes possível", alerta uma internauta. "Sou paciente e estou desesperada, fecharam sem avisar e agora não sê que fazer", comenta outra.
"A data de hoje têm fechado no bairro do Pilar sem prévio aviso. Dizem que por obras. Casualmente, a clínica da rua Canárias também jogou o fechamento. Em meu caso só tinha pendente uma revisão. Se não, te mandam a Alcorcón ou Torrejón. Espero respostas creíbles de sua parte", dizia outro cliente faz um mês, quando o fechamento total ainda não se tinha confirmado.
Sem cartaz nem explicações
Quem acerque-se ao local da rua Canárias, no bairro de Arganzuela, topar-se-á com um espaço no que não há cartazes nem explicações. A persiana baixada, isso sim, resulta inequívoca. Ao colar o rosto ao cristal, o panorama parece congelado no tempo: cadeiras, mesas, plantas e inclusive uma garrafa de água ainda cheia. Duas bebidas energéticas que alguém não se molestou em atirar permanecem no balcão. Assim mesmo, o calendário ficou em junho.

Resulta quase irónico o cartaz que preside a entrada: "Desde direcção informa-se que todos os tratamentos se têm que abonar dantes de entrar à consulta". Uma estampa com um tinte absurdo ao alçar a vista e comprovar que, justo em cima do negócio, se localiza uma gestoría fiscal, trabalhista, contábil e judicial.
Dívidas de milhares de euros
Em Instagram, alguns utentes procuram unir forças para denunciar de maneira conjunta. "Eu também fui afectado por esta gente. Sabem se há uma denúncia coletiva ou algum grupo para fazê-la ou algo parecido? A mim me deixaram com uma dívida a mais de 5.000 euros", assegura um danificado.
Outro consumidor prejudicado assegura estar a viver "o desespero" de sua mãe. "Como ela, há muitas pessoas que já têm abonado seus tratamentos ou cuja dívida se encontra em Cofidis e se acham cativos", relata.

Que passa se há concurso de credores
As perspectivas não são boas. Tal e como adiantou OCU, em caso que a empresa presente concurso de credores, devem dirigir ao Administrador Concursal designado pelo Julgado correspondente, "ainda que é difícil que os afectados possam recuperar as quantidades reclamadas, já que a lei situa aos consumidores como os últimos na lista".
Neste contexto incerto, as miradas dirigem-se para os donos da empresa. O fundador é Karim Lahsen, a quem faz um ano e medeio a Associação de Empresários e Profissionais de Alcorcón apresentava em redes como um profissional que tinha por objectivo "cuidar de tua saúde bucodental com tecnologia de última geração e uma equipa de experientes comprometidos com teu bem-estar".
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