Dois aviões de Iberia e Air Europa, com 472 pessoas a bordo, a ponto de chocar em Canárias

O sistema anticolisión TCAS teve que ordenar manobras evasivas drásticas a ambas aerolíneas que voavam de frente, à mesma altitude e pela mesma aerovía oceánica

Aviones de Iberia y de Air Europa   EFE
Aviones de Iberia y de Air Europa EFE

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Dois aviões comerciais de Iberia e Air Europa, com 472 pessoas a bordo, estiveram a ponto de encontrar-se de frente em pleno voo sobre o Atlántico, no espaço aéreo gerido desde Canárias.

Ambos aparelhos voavam pela mesma aerovía, em sentidos opostos e à mesma altitude, quando o sistema automático anticolisión TCAS detectou o risco e ordenou manobras evasivas às duas tripulações.

Pendente de esclarecer os factos

O incidente ocorreu o passado 10 de julho, às 2:23 horas da madrugada, hora canaria, no sector oceánico do FIR/UIR de Canárias. A Comissão de Investigação de Acidentes e Incidentes de Aviação Civil (CIAIAC) tem aberto uma investigação preliminar para esclarecer como duas aeronaves puderam coincidir na mesma aerovía e no mesmo nível de voo.

O caso tem chegado agora ao Congresso. A deputada de Coalizão Canaria Cristina Valido tem registado uma pergunta escrita ao Governo para que explique como foi possível que dois aviões comerciais com rumos opostos operassem à mesma altura numa aerovía oceánica e daí falhas permitiram que se produzisse a situação.

Un avión de Iberia / UNSPLASH
Um avión de Iberia / UNSPLASH

As manobras para evitar a colisão

O incidente envolveu a um Airbus A321 de Iberia, com matrícula EC-OLE e indicativo IBE0140, que transportava 133 passageiros e seis tripulantes, e a um Boeing 787-9 de Air Europa, com matrícula EC-NBM e indicativo AEA05, com 321 passageiros e 12 tripulantes a bordo.

Segundo o expediente da CIAIAC, ambos aviões se encontravam no mesmo nível de voo e circulavam pela mesma aerovía em direcções opostas. Nesse momento, o sistema de segurança do Airbus A321 activou primeiro um aviso TCAS TA e, posteriormente, uma resolução automática "TCAS RA Descend". O Boeing 787-9 recebeu ao mesmo tempo a instrução contrária: "TCAS RA Climb". Isto é, o sistema ordenou ao avião de Iberia que descesse e ao de Air Europa que ganhasse altura para evitar a colisão.

A só uns segundos da colisão

Os pilotos seguiram imediatamente as indicações do sistema. O Airbus A321 desceu 500 pés, uns 152 metros, até receber a ordem de nivelar a aeronave, enquanto o Boeing 787-9 ascendeu 400 pés, ao redor de 122 metros, até que o sistema emitiu o aviso "Clear of conflict".

A manobra produziu-se quando ambos aviões se encontravam a menos de duas milhas náuticas, uns 3,7 quilómetros, de distância, segundo a documentação transladada ao Congresso. Às velocidades às que viajavam os dois aviões e ao circular em sentidos opostos, a distância ter-se-ia reduzido em matéria de segundos. Os dois voos continuaram posteriormente suas respectivas rotas e não se produziram feridos nem danos pessoais.

Falhou o controle aéreo em terra?

Cristina Valido recorda que o sector oceánico do FIR/UIR de Canárias apresenta limitações técnicas em cobertura de vigilância e comunicações com respeito a outras zonas do espaço aéreo continental. Neste contexto, reclama ao Governo que aclare que ocorreu e daí barreiras de segurança falharam dantes de que tivesse que intervir o sistema automático das aeronaves.

Entre as perguntas dirigidas ao Executivo, Valido quer saber se o centro de controle de Enaire em Canárias dispõe de sistemas automáticos de alerta temporã em terra capazes de detectar conflitos de trajectórias em sectores oceánicos e, em caso afirmativo, por que não funcionaram neste incidente. Também reclama conhecer qual era a dotação exata de controladores aéreos no centro de controle de Canárias durante aquela madrugada e se todos os postos previstos para esse turno estavam cobertos.

A parlamentar pergunta ademais ao Ministério de Transportes e Mobilidade Sustentável que medidas técnicas urgentes ou restrições operacionais preventivas se adoptaram através de Enaire para evitar que um acontecimento similar volte a se repetir.

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