Sergio Chocarro (Federação Espanhola de Campings): "Somos o paraíso das famílias"
O sector, que tem vivido um boom nos últimos anos, pronostica que "o número de pessoas que aposta pelo camping vai subir a cada ano"
Até faz uns anos, eleger passar uns dias num camping supunha optar por uma opção económica com um ponto aventurero. Era a alternativa ideal para quem procuravam ligar com a natureza sem grandes luxos, carregando com a loja de campanha, o colchão inflable ou o hornillo de gás.
Com tudo, o sector tem engordado e se tem sofisticado: os campings fecharam no ano 2023 com 10 milhões de viajantes e 47 milhões de pernoctaciones, o que supôs um incremento de quase um 20% com respeito a 2019 e um 57% mais que dez anos atrás. Simultaneamente, o turismo em general voltou-se prohibitivo para muitos espanhóis: segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), os preços hoteleiros subiram, entre abril de 2021 e fevereiro de 2026, um 61,5%.
Falamos com Sergio Chocarro, gerente da Federação Espanhola de Campings, sobre o momento do sector e suas perspectivas para o verão.
--Dantes do verão de 2025 publicou-se que a estimativa era que o 16,8% de espanhóis desfrutariam de suas férias num camping. Qual é a previsão deste ano?
--A previsão é muito boa porque estamos a notar que os espanhóis que provam um camping repetem. A grande maioria repete porque leva-se uma grata surpresa. É verdadeiro que o sector do camping em Espanha não tem tido a mesma vinculação que sim tem tido em países como França, Alemanha ou Holanda, mas a cada vez são mais quem provam a experiência. Temos uma enorme variedade de instalações, tanto para meninos como para adultos, além de oferta gastronómica, de lazer acuático, animação… Graças a isso, achamos que o número de pessoas que aposta pelo camping vai subir a cada ano.

--Qual é o perfil atual da pessoa que decide provar a experiência do camping?
--Temos um público muito variado, mas maioritariamente são famílias. Nós sempre dizemos que somos o paraíso das famílias: que melhor lugar para os meninos que ao ar livre, em plena natureza, onde podem conhecer a mais meninos. É o lugar ideal para socializar. Agora bem, também temos casais jovens que vêm com as furgonetas campers e autocaravanas que tão de moda estão. É um cliente muito bom que ademais desestacionaliza um pouco, porque também viaja em primavera e outono. Assim mesmo, temos um cliente senior, aposentados europeus que vêm a Espanha a passar grandes temporadas em temporada baixa.
--Quais são as zonas com mais demanda?
--Temos a sorte de contar com um território muito atraente de norte a sul e deste a oeste. A dia de hoje, no Mediterráneo é onde há um maior número de campings, mas estamos muito contentes de como vão as coisas em todo o território nacional. A costa norte está muito de moda, o interior funciona muito bem, sobretudo os campings próximos a pântanos e rios; e também as zonas de montanha, como Pirineos.

--Recentemente reuniram-se com o Ministério de Turismo para propor um marco regulamentar mais uniforme para o turismo ao ar livre. Quais são sys principais demandas?
--Nós entendemos que o turismo é uma concorrência completamente delegada nas comunidades autónomas, mas é verdadeiro que há uns critérios que poder-se-iam unificar e homogeneizar para que não tivesse tanta diferença entre comunidades autónomas. Isto é algo que nos afecta à hora de poder crescer como sector, já que temos muitas tramas burocráticas. Precisamos a ajuda das administrações públicas para poder competir com França, avançar para o camping do futuro e seguir funcionando tão bem como até agora.
--O camping consolidou-se como uma das opções turísticas que mais cresce em Espanha. No entanto, a sofisticación tem trazido consigo uma subida de preços notável. Têm dados de quanto têm subido os campings nos últimos cinco anos?
--É um dado muito complicado de obter. Nós agrupamos a campings pequenos, médios e grandes, de praia e montanha, de maneira que há tanta variedade que não temos um dado concreto. O que sim é verdadeiro é que o sector do camping está muito concienciado com a situação económica da sociedade espanhola, e a verdade é que nos estamos a adaptar. Sempre fazemos todo o possível para não repercutir ao cliente as subidas que têm que ver, por exemplo, com as matérias primas, porque temos uma freguesia muito fiel. Nesse sentido, é um sector muito diferente ao resto de alojamentos.

--Poderia fazer alguma estimativa de quais são os preços médios para o verão de 2026?
--Impossível. Nós não temos habitações, sina que dispomos de bungalows, lojas glamping, parcelas para autocaravanas, parcelas para lojas de campanha…
--A cada vez há mais vozes que alertam dos riscos e os efeitos perniciosos do turismo, sobretudo no relativo à perda de identidade das cidades. Há quem fala inclusive de turismofobia. Como valorizam este problema?
--É um tema que, como sector turístico, não gostamos. Não compartilhamos a ideia de que o turismo seja um problema, sina todo o contrário: Espanha vive do turismo. Em nosso caso, a grande maioria de campings encontram-se em plena natureza, salvo algum que está para perto de as cidades e funciona muito bem. Não sofremos em primeira pessoa este problema, mas apoiamos a nossos colegas hoteleiros e defendemos que o turismo em nenhum caso é o problema, sina todo o contrário.
--Que dizer-lhe-iam a uma pessoa à que lhe chama a atenção, mas que ainda não se anima a provar o camping?
--Que dispõe de uma enorme variedade de alojamentos que nada têm que invejar a um apartamento ou a um hotel. Há campings com alojamentos que oferecem todo o confort possível. É uma experiência vital que surpreende e se desfruta muito.

