Alerta, viajantes: as aerolíneas querem aproveitar a escassez de combustível para recortar direitos
O comissário de Transporte e Turismo da Comissão Européia tem adiantado que terá "mudanças temporárias na legislação" se a situação piora, o que poderia implicar beneficiar às companhias
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A guerra de Irão tem sacudido os alicerces da indústria aérea global. Dado que o pelo Estreito de Ormuz transita aproximadamente o 20% do petróleo mundial, seu fechamento e a posterior instabilidade gerada têm causado uma reacção em corrente que afecta aos custos operativos e à viabilidade de algumas companhias.
Neste contexto, em meados de abril a Agência Internacional da Energia lançou a voz de alarme e advertiu a Europa que tinha "seis semanas" de combustível para seus aviões. Dada a preocupação existente, algumas aerolíneas têm tratado de tranquilizar aos consumidores, como Wizz Air, que disse que faria "todo o possível" para não se ver obrigada a cancelar voos ou subir preços ante o impacto da guerra sobre o fornecimento.
Das subidas de preço à ameaça de quebra
Por sua vez, o polémico diretor executivo de Ryanair, Michael Ou'Leary, tem pronosticado que, se o preço do petróleo se mantém nestes níveis, algumas aerolíneas européias poderiam avariar. O que sim está claro é que certas companhias já aplicam tarifas mais caras, como Volotea ou American Airlines.

Com tudo, o custo do bilhete não é a única preocupação dos consumidores: Financial Times indica que o sector quer recortar uma série de direitos dos passageiros, como a gratuidad da segunda peça de bagagem de mão ou as compensações por voos cancelados.
Diferenças entre passageiros
Segundo recolhe Xataka, as grandes aerolíneas acham que a crise no Estreito de Ormuz amplia a distância que já existe entre os direitos dos passageiros europeus (amparados por regulações mais estritas) e os do resto do mundo.
Neste palco, o comissário de Transporte e Turismo da Comissão Européia, Apostolos Tzitzikostas, tem adiantado que terá "mudanças temporárias na legislação" se a situação piora, o que poderia significar dar margem às aerolíneas para que sejam menos castigadas quando tenha líos e, consequentemente, recortar benefícios para os consumidores.

Regulamento de Direitos dos Passageiros
Para além da crise desatada em Oriente Médio, existe um debate de fundo para reformar o Regulamento de Direitos dos Passageiros que leva anos sobre a mesa. As propostas que preocupam às associações de consumidores incluem subir a ombreira de atraso ou reduzir a margem das compensações.
Ademais, os grandes grupos já estão a copiar práticas das aerolíneas low cost. Por exemplo, Grupo Lufthansa tem anunciado que cobrará pela mala de cabine em voos curtos e meios a partir de 28 de abril.
