Alerta, viajantes: as aerolíneas querem aproveitar a escassez de combustível para recortar direitos

O comissário de Transporte e Turismo da Comissão Européia tem adiantado que terá "mudanças temporárias na legislação" se a situação piora, o que poderia implicar beneficiar às companhias

Pasajeros con maletas, en el Aeropuerto Adolfo Suárez Madrid Barajas
Pasajeros con maletas, en el Aeropuerto Adolfo Suárez Madrid Barajas

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A guerra de Irão tem sacudido os alicerces da indústria aérea global. Dado que o pelo Estreito de Ormuz transita aproximadamente o 20% do petróleo mundial, seu fechamento e a posterior instabilidade gerada têm causado uma reacção em corrente que afecta aos custos operativos e à viabilidade de algumas companhias.

Neste contexto, em meados de abril a Agência Internacional da Energia lançou a voz de alarme e advertiu a Europa que tinha "seis semanas" de combustível para seus aviões. Dada a preocupação existente, algumas aerolíneas têm tratado de tranquilizar aos consumidores, como Wizz Air, que disse que faria "todo o possível" para não se ver obrigada a cancelar voos ou subir preços ante o impacto da guerra sobre o fornecimento.

Das subidas de preço à ameaça de quebra

Por sua vez, o polémico diretor executivo de Ryanair, Michael Ou'Leary, tem pronosticado que, se o preço do petróleo se mantém nestes níveis, algumas aerolíneas européias poderiam avariar. O que sim está claro é que certas companhias já aplicam tarifas mais caras, como Volotea ou American Airlines.

Pasajeros con maletas visualizan las pantallas / EUROPA PRESS - ALEJANDRO MARTINEZ VELEZ
Passageiros com malas visualizam os ecrãs / EUROPA PRESS - ALEJANDRO MARTINEZ VELEZ

Com tudo, o custo do bilhete não é a única preocupação dos consumidores: Financial Times indica que o sector quer recortar uma série de direitos dos passageiros, como a gratuidad da segunda peça de bagagem de mão ou as compensações por voos cancelados.

Diferenças entre passageiros

Segundo recolhe Xataka, as grandes aerolíneas acham que a crise no Estreito de Ormuz amplia a distância que já existe entre os direitos dos passageiros europeus (amparados por regulações mais estritas) e os do resto do mundo.

Neste palco, o comissário de Transporte e Turismo da Comissão Européia, Apostolos Tzitzikostas, tem adiantado que terá "mudanças temporárias na legislação" se a situação piora, o que poderia significar dar margem às aerolíneas para que sejam menos castigadas quando tenha líos e, consequentemente, recortar benefícios para os consumidores.

Un avión de Ryanair / PEXELS
Um avião de Ryanair / PEXELS

Regulamento de Direitos dos Passageiros

Para além da crise desatada em Oriente Médio, existe um debate de fundo para reformar o Regulamento de Direitos dos Passageiros que leva anos sobre a mesa. As propostas que preocupam às associações de consumidores incluem subir a ombreira de atraso ou reduzir a margem das compensações.

Ademais, os grandes grupos já estão a copiar práticas das aerolíneas low cost. Por exemplo, Grupo Lufthansa tem anunciado que cobrará pela mala de cabine em voos curtos e meios a partir de 28 de abril.