Gonzalo Bernardos destapa o truque da gasolina: "Sobe rápido… mas baixa quando querem"
O economista explica em Consumidor Global por que as baixadas do petróleo demoram em se refletir no surtidor e adverte de que a redução do IVA não se translada integralmente ao consumidor
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O economista Gonzalo Bernardos volta a pôr o foco num das despesas que mais inquieta aos condutores: o preço da gasolina. Num vídeo para Consumidor Global, o experiente explica por que encher o depósito se encarece rapidamente quando sobe o petróleo, mas não baixa com a mesma rapidez quando o faz seu custo nos mercados internacionais.
Bernardos recorre a um conceito clássico da economia para explicá-lo: o efeito "foguete e pluma". "Quando sobe o preço do petróleo, a gasolina sobe como um foguete. Mas quando baixa, o faz como uma pluma", resume. Uma dinâmica que, segundo assinala, não é casual.
Subidas imediatas, baixadas com atraso
O economista aponta à falta de concorrência no mercado espanhol como uma das chaves deste comportamento. "Em Espanha não há a suficiente concorrência", sustenta. Isto permite que as subidas se transladem quase de forma automática ao consumidor, enquanto as baixadas podem se demorar dias ou inclusive mais de uma semana.
Para ilustrá-lo, Bernardos põe um exemplo recente: tensões internacionais como um ataque entre países podem provocar um aumento imediato do preço nas gasolineras espanholas. "Como pode passar isto se esse petróleo se comprou faz meses a um preço mais baixo?", propõe. Sua resposta é clara: "Porque aproveitam-se".
O IVA também não translada-se integralmente
Ademais, o economista adverte sobre outro aspecto que costuma gerar confusão: a baixada de impostos. Ainda que o IVA reduza-se, isso não implica que o preço final do combustível baixe na mesma proporção.
"Nem em sonhos acheis-vos que baixará o mesmo que tem diminuído o IVA", assinala Bernardos. Segundo explica, quando se reduz um imposto indireto, o benefício se reparte: uma parte chega ao consumidor, mas outra lha ficam as empresas.
Uma sensação compartilhada pelos condutores
O resultado é uma percepção a cada vez mais estendida entre os utentes: as subidas são rápidas e inevitáveis, enquanto as baixadas parecem chegar tarde ou ficar a médio caminho. Um fenómeno que, segundo Bernardos, reflete um problema estrutural do mercado mais que uma simples flutuação pontual dos preços.