Shein fala depois da investigação pela venda de bonecas sexuais infantis e armas ilegais

O gigante chinês responde à Comissão Européia depois da abertura de um expediente que alerta sobre "riscos graves" para os menores e a venda de produtos ilegais na plataforma

  El sitio web de Shein se muestra en un teléfono   Olivier Hoslet   EFE
El sitio web de Shein se muestra en un teléfono Olivier Hoslet EFE

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A Comissão Européia tem aberto uma investigação oficial contra Shein para determinar se o gigante chinês da moda rápida está a vulnerar a Lei de Serviços Digitais (DSA), assinalando problemas tão graves como la venda de bonecas sexuais com aparência infantil, armas ilegais e um desenho de aplicativo potencialmente adictivo.

Ante a gravidade das acusações, Shein tem falado. Em declarações transladadas a Consumidor Global, a companhia tem detalhado sua postura e as medidas urgentes que estão a implementar para frear a venda de produtos proibidos.

A resposta oficial de Shein

"Tomamos-nos muito em sério nossas obrigações em virtude da Lei de Serviços Digitais (DSA) e sempre temos cooperado plenamente com a Comissão Européia", assinalam fontes de Shein.

La aplicación de Shein en un móvil / EP
O aplicativo de Shein num móvel / EP

"Nos últimos meses, temos continuado realizando investimentos significativos para reforçar nosso cumprimento do DSA. Entre as medidas adoptadas incluem-se avaliações exhaustivas de riscos sistémicos e o desenvolvimento de marcos de mitigação, o reforço da protecção dos utentes mais jovens e um trabalho contínuo para desenhar nossos serviços de forma que fomentem uma experiência segura e de confiança", asseguram.

O escândalo das bonecas sexuais infantis

Ainda que a resposta de Shein procura acalmar as águas, o expediente aberto por Bruxelas é extenso e detalhado. O detonante mediático foi a detecção de bonecas sexuais de silicona com aspecto de menina e rasgos sexuais explícitos, que se comercializavam baixo descrições relacionadas com a "masturbación masculina".

Ainda que estes produtos foram retirados em novembro depois da intervenção das autoridades francesas, a Comissão Européia pesquisa agora se teve uma falha sistémica nos algoritmos de Shein que permitiu sua publicação em primeiro lugar.

Além das bonecas, a lupa da UE está posta sobre:

  • Venda de armas: peças e objetos ilegais (com expedientes já abertos no França).
  • Segurança do produto: roupa e cosméticos que não cumprem com os regulares químicos ou de segurança europeus.
  • Brinquedos perigosos: artigos infantis que poderiam supor um risco físico.

Manipula-nos Shein?

Para além dos produtos físicos, a investigação aponta ao coração do sucesso de Shein: seu software. Europa suspeita que a app utiliza "padrões escuros" (dark patterns) para enganchar aos utentes, especialmente aos menores.

Estão a analisar-se técnicas de gamificación, como os sistemas de recompensas constantes, as notificações intrusivas e o famoso scroll infinito, desenhados para provocar uma conduta de compra compulsiva. Bruxelas exige saber se Shein oferece, como marca a lei, uma alternativa a seus algoritmos de recomendação baseados no perfilado em massa de dados.

A que se enfrenta Shein?

Se a investigação conclui que Shein tem violado a DSA, as consequências poderiam ser históricas. A Comissão tem a potestade de impor multas multimillonarias (até o 6% de sua facturação global) e inclusive proibições temporárias de certas categorias de produtos se não se garante a segurança.

Por agora, a "pelota" está no tejado da investigação, enquanto Shein tenta demonstrar com suas novas ferramentas de verificação que é um meio seguro para os consumidores europeus.