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Amazon e os seus requisitos absurdos para as devoluções

A empresa solicitou ao cliente uma leitura facial e um documento de identidade para processar o reembolso de um liquidificador de 70€.

Ana Siles

Videoblogue de Ana Siles sobre a Amazon e as suas absurdas exigências de devolução / Fotomontagem CG

Os dados biométricos não são uns dados qualquer. Não são um endereço de correio eletrónico, um número de telefone ou uma senha que possa mudar-se se cai nas mãos equivocadas. São a nossa impressão digital, a nossa íris ou o nosso rosto, rasgos que nos identificam de forma única.

Por isso resulta inquietante que a Amazon solicite uma digitalização facial em três dimensões para devolver uma liquidificadora de 70 euros, além de uma fotocopia do RG. Isso é o que tem denunciou um cliente à Consumidor Global. O cliente negou-se a facilitar essa informação. A resposta da Amazon foi clara: se não completava a verificação, não recuperaria o dinheiro.

Ninguém discute que as empresas devam proteger-se face a devoluções falsas ou usurpações de identidade. O que sim deve discutir-se é onde está o limite. Se para recuperar 70 euros um consumidor tem que se propor entregar alguns dos dados mais sensíveis que possui, quiçá o equilíbrio entre segurança e privacidade brilhe pela sua ausência.

A legislação europeia considera os dados biométricos uma categoria especialmente protegida. Não podem solicitar-se porque sim, nem converter num requisito automático para qualquer processo. Como explicou à Consumidor Global Iván Rodríguez, advogado especializado em consumo da Legálitas, estes dados só se deveriam utilizar quando não exista um meio menos intrusivo para verificar a identidade de uma pessoa. E custa achar que não existam outras alternativas na Amazon, que já dispõe dos dados de pagamento, do historial de compras, da direcção de envio e nome completo de todos os seus clientes.

A tecnologia deveria tornar-nos a vida mais fácil, não nos obrigar a escolher entre nosso dinheiro e a nossa privacidade. O verdadeiro risco não é que uma empresa peça uma difitalização facial para gerir uma devolução. O risco é que acabemos aceitando-o como algo normal.

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