Iberia impõe um novo suplemento para bagagens que encarece a viagem até 125 euros

Os passageiros com malas redondas, macias ou não convencionais vão pagar um sobrecoste adicional que vai de 35 a 125 euros

Un avión de Iberia se dispone a despegar hacia un nuevo destino IBERIA
Un avión de Iberia se dispone a despegar hacia un nuevo destino IBERIA

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Viajar em avião é a cada vez mais uma soma de suplementos. À eleição de assento, a facturação de mala ou o embarque prioritário acrescenta-se agora um novo conceito: a forma da bagagem. Desde o 28 de janeiro, voar com determinados bultos "irregulares" em Iberia pode supor um recarrego adicional de até 125 euros em rotas internacionais.

A medida, anunciada pela aerolínea, tem provocado a reacção da Organização de Consumidores e Utentes (OCU), que a considera "abusiva" e tem pedido ao Ministério de Direitos Sociais, Consumo e Agenda 2030 que analise se se ajusta ao regulamento. A companhia, por sua vez, defende sua legalidade e justifica-a por razões estritamente operativas.

Iberia alega razões técnicas e de segurança

Iberia explica que a nova tarifa responde a problemas reais nos sistemas automáticos de facturação e classificação de bagagens em aeroportos altamente automatizados. Segundo a companhia, certos bultos com forma irregular, flexível ou não convencional podem interferir nas fitas e gerar incidências operativas.

Varias maletas apiladas en un aeropuerto / PIXABAY
Várias malas empilhadas num aeroporto / PIXABAY

"Alguns bultos com forma irregular, flexível ou não convencional podem interferir nos sistemas automáticos de facturação e classificação de bagagens dos aeroportos. Este tipo de bagagem gera bloqueios nas fitas, incrementa as incidências de mishandling e requer manejo manual e tratamento específico", tem assinalado um porta-voz de Iberia. Para garantir "a segurança operativa e a confiabilidade do serviço", estas bagagens canalizam-se por balcões de facturação especial.

Recargos de até 125 euros segundo o destino

O suplemento varia em função da rota. Em voos nacionais, o recarrego ascende a 35 euros em voos nacionais; em trajectos a Canárias, Europa, Norte de África e Oriente Médio, a 60 euros; e em voos de longo rádio a América e Ásia pode atingir os 125 euros.

Iberia tem sublinhado que "outras aerolíneas já aplicam desde faz anos" medidas similares, e inclusive algumas companhias "nem sequer aceitam estas bagagens". Ademais, tem destacado que suas tarifas "são bem mais baixas que as de outras companhias aéreas" em comparação com as aplicadas por competidores em casos análogos.

A OCU o tacha de "abusivo"

A OCU, por sua vez, tem qualificado a medida de "abusiva" e "arbitrária", argumentando que vulnera princípios de proporcionalidade e lealdade comercial, já que existem suplementos específicos para bagagens que superam medidas regular ou requerem manipulação especial (como esquis, tabelas desportivas ou bicicletas).

Un punto de facturación de Iberia / Óscar J.Barroso - EP
Um ponto de facturação de Iberia / Óscar J.barroso - EP

A organização também tem alertado sobre a possível confusão para os viajantes e a dificuldade para comparar preços de forma efetiva, num contexto de crescente fragmentação de tarifas no transporte aéreo.

Que bagagens podem se ver afectados

Iberia tem reiterado que a medida procura manter a eficiência e segurança no manejo de bagagens, e que os bultos afectados -como malas de teia flexível, bagagem ovalada, redondo ou circular, carteiras de plástico macio ou embalajes domésticos- recebem um tratamento adaptado para evitar incidências operativas.

A companhia recomenda aos passageiros optar por bagagens com formas regulares e estruturas rígidas para evitar estes recargos adicionais.