Sandra Wolf, CEO de Risse & Müller: "Andar na nossa bicicleta é como conduzir um Mercedes"
A diretora da marca alemã sublinha que, para além do preço, os utilizadores valorizam a experiência de condução oferecida pelas bicicletas eléctricas.
Risse & Müller nasceu em 1993 pela mão de dois estudantes alemães, Markus Risse e Heiko Müller. A companhia começou a fabricar bicicletas tradicionais e passou a fabricar bicicletas eléctricas em 2012. De acordo com Sandra Wolf, diretora-geral da empresa, o motor não só facilita as deslocações diárias, como também torna “mais fácil e divertido” deslocar-se pela cidade com crianças, animais de estimação ou carga do dia a dia. Para Wolf, cada bicicleta é mais do que um meio de transporte. É uma experiência, um modo de vida que combina liberdade e conforto.
A entrevista realiza-se durante as jornadas Founders Mindset em Juno House (Barcelona) pelo Dia da Mulher Empreendedora para a Consumidor Global. Wolf analisa a mobilidade urbana em Espanha e Europa, a adopção da bicicleta elétrica em cidades como Madrid ou Valência e como as e-bikes podem transformar hábitos. Adverte que mudar a mentalidade não é fácil. Mas, insiste, "as bicicletas elétricas não são só um veículo". São parte de um movimento que pode mudar a nossa forma de viver na cidade.
--No resto de Europa usam mais as bicicletas que em Espanha. Como é a procura aqui?
--É menor que em Alemanha, Holanda, Dinamarca ou França, mas é importantíssimo em cidades como Barcelona, Madrid, Valência ou o sul. Faz parte de uma grande mudança mas é difícil fazê-lo. No carro não há chuva, escutas música, não faz frio… mas é importante fazer esta mudança.
--Acha que Barcelona e Madrid são cidades bem adaptadas à mobilidade em bicicleta?
--Barcelona, sim; Madrid, não. Na capital há muitas subidas, mas para isso pode ajudar a bicicleta elétrica. Nós (os alemães) estamos muito acostumados a circular em bicicleta. As crianças vão à escola em bicicleta, há uma cultura. Não há esse medo de voltar a montar em bicicleta. É muito difícil após 20 anos sem montar numa e, de repente, voltas a apanhá-la.
--Quem compra mais bicicletas, os homens ou as mulheres?
-- Risse & Müller era uma marca muito masculina antes. Mas com as bicicletas de carregamento elétrico tem mudado muito. É mais unisexo. Dá igual se é homem ou mulher, é quase o mesmo, 50-50%.
--A bicicleta elétrica acabará a substituir a clássica?
--Na Alemanha há muitas mais bicicletas elétricas. Facilita muito a mudança. Há pessoas que compra a bicicleta normal para fazer desporto, mas não é um meio de transporte. Quando vou na minha bicicleta para a minha empresa é para trabalhar, não para fazer desporto.
--Que valoriza um cliente que quer comprar uma bicicleta para o dia a dia?
--A experiência de condução, que dê comodidade e segurança. Dizemos que é como um Mercedes. Quando estás numa bicicleta de Risse & Müller é uma experiência, não é só ir do ponto A ao ponto B.
--Qual é o preço médio de uma bicicleta da sua marca?
--Individuais a partir de 3.504 euros. As que têm carrinho, a partir de 5.000 euros.
--É um preço similar ao de uma moto. Que vantagem oferece?
--É uma experiência similar, só que tens que pedalear, mas para mim é uma forma de vida completamente diferente. Além da sensação de liberdade, fazes parte de um movimento para mudar algo. No entanto, é muito difícil que mude a mentalidade das pessoas que só gostem de ir em carro.
--A procura de bicicletas aumentou após a pandemia?
--Não. Fiz uma entrevista no princípio da pandemia na qual expressei que esperava que as pessoas fizessem a transição com o planeta. No entanto, muitas coisas estão igual que antes. Com a guerra da Ucrânia, a procura de carros está outra vez a crescer.
--Porquê?
--Porque quando o mundo se torna inseguro, as pessoas querem ir para casa e um carro é como um lar. As cidades mudam mas podem fazê-lo mais.

