Adolfo Domínguez desafia a Massimo Dutti e a COS com a sua nova coleção '100% algodão espanhol'
A empresa têxtil está a lançar t-shirts feitas com algodão cultivado em Sevilha e fiado em Portugal para se diferenciar da moda rápida predominante
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Até há uns dias, a loja de Adolfo Domínguez do majestuoso passeio de Gràcia de Barcelona tinha um cartaz muito simples, ao estilo dos anúncios de Abanderado nos anos oitenta, no qual se podia ler: "T-shirts 100% algodão espanhol".
"A moda consciente deveria começar por aqui: nas peças mais básicas", defende a marca têxtil galega em referência à sua nova colecção de t-shirts de algodão cultivado em Espanha e fiado em Portugal. Uma colecção que procura diferenciar-se do fast fashion predominante enquanto desafia marcas da concorrência, como Massimo Dutti e COS.
O algodão cultivado em Espanha de Adolfo Domínguez
Ao contreário da COS e Massimo Dutti, cujo algodão provem do Brasil, Índia, Turquia ou Estados Unidos, o das novas peças da Adolfo Domínguezé cultivado por centenas de famílias nos arredores de Sevilha, no Vale do Guadalquivir.
Ao contrário do algodão cultivado nos trópicos, este é produzido sob os regulamentos da União Europeia: sem sementes modificadas geneticamente, com práticas agrícolas que poupam água e sob a legislação laboral europeia.
Uma cadeia de abastecimento mais próxima
Com a sua nova colecção de t-shirts 100% de algodão fiadas em Portugal, "Adolfo Domínguez põe o foco numa cadeia de abastecimento mais próxima, controlada e transparente com a que marca as distâncias face a um modelo de produção", resume Jesús Reis, CEO da CoolHunting Madrid Comunicação, em declarações a este meio.

"E não compete unicamente com a Zara, Massimo Dutti ou COS; está a lançar uma mensagem ao consumidor que procura conhecer a origem do que compra", acrescenta o especialista em moda, luxo e tendências.
O produto final e a sustentabilidade
Num momento no qual a produção está muito globalizada, "recuperar processos próximos representa devolver valor a toda a cadeia de criação, e esta proximidade também se percebe no produto final", aponta Pilar Dalbat, desenhadora de moda e autora da exposição Fashion & Heritage in Motion no MAM Málaga.
Segundo esta especialista, uma peça bem confeccionada começa com uma excelente matéria prima: "Se o tecido é de qualidade, o padrão funciona e a confecção é cuidada, a peça terá uma vida útil mais longa. Esta é a autêntica sustentabilidade: desenhar roupa para ser utilizada durante anos".
Contra Shein e o 'fast fashion' predominante
Claro, "também representa uma resposta indireta a modelos de ultra fast fashion como Shein, onde o preço costuma ser o principal argumento de venda", argumenta Reyes, que afirma que Adolfo Domínguez propõe exactamente o contrário: "Menos quantidade, maior traçabilidade, melhor qualidade e uma compra mais consciente".
Enquanto muitas companhias centram a sua estratégia em renovar colecções constantemente, "aqui o protagonismo é o próprio material", destaca a desenhadora e fundadora da sua própria marca de moda, Úrsula Hurtado.
Valor de marca
As t-shirts da nova colecção de Adolfo Domínguez têm um preço que oscila entre os 24 e os 35 euros, mas "os consumidores já não só perguntam quanto custa uma peça; também querem saber quem a confeccionou, onde se produziu e qual impacto gera", assinala a criadora das malas de luxo fabricadas em Espanha, Úrsula Hurtado.
Cultivar algodão em Espanha e fiá-lo em Portugal "dá um valor acrescentado muito potente do ponto de vista da comunicação. Não só se vende uma t-shirt; vende-se um relato de proximidade, de qualidade e de compromisso com a indústria têxtil europeia. Este tipo de histórias geram mais valor de marca que uma simples campanha de descontos", sentencia Reyes enquanto os produtores de algodão de Sevilha respiram de alívio.
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